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Destaques

Agendas descartadas

Agendas descartadas são algo novo para mim. Eu costumava guardar, ler e reler, tentar entender meus padrões de comportamento, mas chegou o dia em que decidi colocar um fim nelas, exausto de relembrar histórias de pessoas que vc não existiam mais. Foi arrancando página atrás de página, não sem antes ler, como uma tola tentativa de guardar na memória. A verdade era que quando mudávamos, o que antes fazia sentido, de repente perde o sentido. Fui deixando para trás dias que não queria relembrar. Fui me distanciando dos dias entediantes. Fui aceitando que já havia vivido tempo demais no passado e precisava encarar o momento presente. À primeira vista, sentia uma sensação de que iria me arrepender. Mas aprendi ao abrir mão das velhas agendas que mesmo se tivesse algum padrão de comportamento, as coisas poderiam ser bem diferentes. Talvez abrir mão das velhas agendas seja parte da aceitação radical. Talvez seja saudável parar de procurar respostas no passado e se focar no presente. A verdade ...

Páginas arrancadas

Arranquei as páginas de nossas histórias, amassei e coloquei o papel para a reciclagem. Foi tão libertador poder abrir mão: as pessoas que éramos no início não eram as mesmas do final.


Tanto tempo gasto tentando te entender, que percebi que o que precisava era de aceitação radical. Você não ia mudar, tampouco eu. E mesmo se não tivéssemos nos afastado antes, era só uma questão de tempo.

Então, as memórias agora já não fazem parte da minha vida. Uma parte de mim, esperou que você fosse mudar. Mas você se tornou cada vez mais você e não tinha como lutar contra isso, do aceitar.

Arranquei tantas páginas que o meu caderno ficou fino. Tinha tanto que eu anotava. Tanta coisa que agora eu não queria mais lembrar. Reciprocidade até para a falta de reciprocidade.

Cada um sabe seus erros e acertos. Cada um sabe. Não há como não abrir um sorriso quando finalmente nos desconectamos, e você sempre dizia para eu parar de bobeira. Enfim, nos desconectamos e apaguei tudo que me lembrava você. 

Não era um até mais, era um adeus e minha mente precisava de férias de você. Já não havia motivos para lembrar o que tinha acontecido ou não. Algumas coisas estavam fadadas ao esquecimento.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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