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Destaques

Dose de poesia

Uma dose de poesia, às vezes, era tudo o que precisava para levar o dia. Tomava uma dose, mesmo sem saber sobre o que viria pela frente, gostava de se deixar surpreender pelo texto. Em dias mais tristes, encontrava certo conforto na poesia. Já nos dias mais felizes, encontrava uma certa dose de validação. O silêncio também poderia ser poesia. E havia certa beleza em desfrutar da paz. Era em dias barulhentos que mais valorizávamos o silêncio. Continuava se alimentando de letras, na esperança de produzir novas histórias e manter o fluxo de palavras livre. A cada poesia que lia era como se alimentar de uma colherada de uma sopa de letrinhas. Não sabia explicar o como, mas encontrava conforto para o espírito. A cada texto lido, algo se mudava dentro de mim e a pessoa que lia vai se transformando. Bastava uma dose de poesia.  *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escritpa Maldita , p ublicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bru...

Páginas arrancadas

Arranquei as páginas de nossas histórias, amassei e coloquei o papel para a reciclagem. Foi tão libertador poder abrir mão: as pessoas que éramos no início não eram as mesmas do final.


Tanto tempo gasto tentando te entender, que percebi que o que precisava era de aceitação radical. Você não ia mudar, tampouco eu. E mesmo se não tivéssemos nos afastado antes, era só uma questão de tempo.

Então, as memórias agora já não fazem parte da minha vida. Uma parte de mim, esperou que você fosse mudar. Mas você se tornou cada vez mais você e não tinha como lutar contra isso, do aceitar.

Arranquei tantas páginas que o meu caderno ficou fino. Tinha tanto que eu anotava. Tanta coisa que agora eu não queria mais lembrar. Reciprocidade até para a falta de reciprocidade.

Cada um sabe seus erros e acertos. Cada um sabe. Não há como não abrir um sorriso quando finalmente nos desconectamos, e você sempre dizia para eu parar de bobeira. Enfim, nos desconectamos e apaguei tudo que me lembrava você. 

Não era um até mais, era um adeus e minha mente precisava de férias de você. Já não havia motivos para lembrar o que tinha acontecido ou não. Algumas coisas estavam fadadas ao esquecimento.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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