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Destaques

Bem-vindo, outubro

 Outubro enfim chegou. Tem sido bom conferir como a previsão do tempo tem errado e não tem chovido. É um alívio poder voltar a tomar minha dose diária de sol. A verdade era que os dias de sol ajudavam a manter o humor estável. Desta vez, sentia-se levemente acelerado, mas com esperança de que tudo fosse voltar ao normal.  Escrevia como uma forma de ajudar a regular o humor. Escrevia para organizar os pensamentos. Escrevia para extravasar as emoções. Escrevia. Nos últimos tempos tinha pensado em como conseguira abrir mão do cigarro, mas também em como tinha dias em que sentia falta. Mas não, não ia voltar atrás.  Ia seguindo outubro, torcendo para que a previsão do tempo continuasse errando e pudesse desfrutar da dose de sol. De repente, percebia que estava cada vez mais distante de quem tinha sido há um ano. De repente, ser diferente não era algo tão ruim assim.  *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escrita Maldita , p ubli...

Virtualização

Em seu livro: “O que é o virtual?” o filósofo Pierre Levy fala em seu primeiro capítulo sobre a virtualização. O pensador explica que diferente da maioria dos autores, neste livro não há o objetivo de exaltar ou diminuir a virtualização. Cabe ao leitor “o esforço de apreender, de pensar, de compreender em toda a sua amplitude a virtualização”.

Diferente do real, a palavra virtual, geralmente, é utilizada com o significado de ausência de ‘realidade’. O autor acredita que apesar de interessante, esta abordagem não é suficiente para descrever a virtualização.

Pierre Levy cita a diferença entre possível e virtual do filósofo francês Gilles Deleuze, em que segundo este, o possível pode ser comparado ao real, mas só se diferencia pela falta de existência. “Já o virtual não se opõe ao real, mas sim ao atual. Contrariamente ao possível, estático e já constituído, o virtual é como o complexo problemático, o nó de tendências ou de forças que acompanha uma situação, um acontecimento, um objeto ou uma entidade qualquer”.

Segundo o autor, a virtualização tem como uma de suas principais modalidades o desprendimento do aqui e agora. Ele cita como exemplo uma empresa virtual. Esta possui elementos “nômades, dispersos, e a pertinência de sua posição geográfica decresceu muito”.

As comunidades virtuais possibilitaram as interações sociais. Estas comunidades estão presentes no meio virtual, mas estão desterritorializadas no espaço físico ou geográfico.

A virtualização traz problemas relacionados à falta de limites claros. Para Levy os limites não são mais dados e os lugares e tempo se misturam. O filósofo cita como exemplo um trabalhador que costumava ter uma mesa em seu trabalho e agora tem a possibilidade de trabalhar em casa. “O membro da empresa habitual passava do espaço privado do seu domicílio ao espaço público do lugar de trabalho. Por contrastes, o teletrabalhador transforma seu espaço privado em espaço público e vice-versa”.

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