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Destaques

Posicionado

Diante de mais de 5 mil denúncias de Assédio Eleitoral, começo a me perguntar se poder se posicionar é um privilégio que nem todos têm. Então, o não posicionamento do outro nem sempre tem a ver com o que ele pensa, mas por questões que não precisa se justificar. Quando colocamos expectativas em algo e/ou alguém, estamos sujeitos à frustração. É normal sentir decepção quando algo não acontece do modo que esperávamos, mas nem tudo é simples como parece. Enquanto milhões de brasileiros usaram as redes sociais para se posicionar, teve muita gente que não fez, não necessariamente porque não queria. Então, diante do medo e do assédio eleitoral, ou por qualquer outro motivo, temos que aceitar que cada um fez o melhor que pode e cada um sabe o que é melhor para si mesmo. Tenho muita gratidão por cada pessoa que se manifestou. Mas também carrego a esperança de que nem todo mundo pode ou quer, seja lá por qual motivo e está tudo bem. Amadurecer envolve lidar com a frustração.  Então, só entã...

Virtualização

Em seu livro: “O que é o virtual?” o filósofo Pierre Levy fala em seu primeiro capítulo sobre a virtualização. O pensador explica que diferente da maioria dos autores, neste livro não há o objetivo de exaltar ou diminuir a virtualização. Cabe ao leitor “o esforço de apreender, de pensar, de compreender em toda a sua amplitude a virtualização”.

Diferente do real, a palavra virtual, geralmente, é utilizada com o significado de ausência de ‘realidade’. O autor acredita que apesar de interessante, esta abordagem não é suficiente para descrever a virtualização.

Pierre Levy cita a diferença entre possível e virtual do filósofo francês Gilles Deleuze, em que segundo este, o possível pode ser comparado ao real, mas só se diferencia pela falta de existência. “Já o virtual não se opõe ao real, mas sim ao atual. Contrariamente ao possível, estático e já constituído, o virtual é como o complexo problemático, o nó de tendências ou de forças que acompanha uma situação, um acontecimento, um objeto ou uma entidade qualquer”.

Segundo o autor, a virtualização tem como uma de suas principais modalidades o desprendimento do aqui e agora. Ele cita como exemplo uma empresa virtual. Esta possui elementos “nômades, dispersos, e a pertinência de sua posição geográfica decresceu muito”.

As comunidades virtuais possibilitaram as interações sociais. Estas comunidades estão presentes no meio virtual, mas estão desterritorializadas no espaço físico ou geográfico.

A virtualização traz problemas relacionados à falta de limites claros. Para Levy os limites não são mais dados e os lugares e tempo se misturam. O filósofo cita como exemplo um trabalhador que costumava ter uma mesa em seu trabalho e agora tem a possibilidade de trabalhar em casa. “O membro da empresa habitual passava do espaço privado do seu domicílio ao espaço público do lugar de trabalho. Por contrastes, o teletrabalhador transforma seu espaço privado em espaço público e vice-versa”.

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