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Destaques

Desconhecer

 “Vamos nos Desconhecer”. Você respondia não e dizia que era uma ideia ruim. Mas o tempo foi mais forte e quando menos nos demos conta, estávamos em um processo de afastamento e encerramento de ciclo. Não responder também era uma reposta. Não perguntar sobre como o outro estava. Não aceitar os limites do outro. Não entender que estava tudo bem discordar e continuar conversando. A verdade é que a permanência de ninguém está em nossas mãos. Não temos controle sobre quem vai, quem fica, mas podemos lembrar de ao menos termos tentado e as coisas não darem certas. Olhando assim, talvez até parecia que só havia uma tragédia. Mas a verdade era que aprendera com o outro, coisas úteis e também aprendera como não queria ser. Escrevia como uma forma de colocar o luto para fora. Escrevia como quem sabia desde o começo: um dia iríamos nos desconhecer, e não seria uma questão só de escolher, e sim de como a vida era. Havia me deixado mal acostumado. Sempre achando que estaria disponível. Até que...

Confiar no processo

Há uma frase que dizem muito na internet sobre confiar no processo. Há também muitas pessoas que se questionam: “o processo sabe que estamos confiando nele?”. Quando estamos passando por um processo de mudanças talvez o que muitas vezes precisamos é de uma aceitação radical sobre os altos e os baixos da vida e entender que tudo acontece no seu tempo, mesmo que as pequenas ações pareçam sem sentido no momento.

Aceitar-se como humano. Aceitar que terão dias bons e ruins. Aceitar que tentar é melhor do que desistir, mesmo quando bate uma vontade de jogar tudo água abaixo. Era confiando que havia algo maior por trás das pequenas coisas, que o processo se desenvolvia e se buscava aceitar as coisas como elas eram, mesmo com suas imperfeições.

Parecia algo bobo, às vezes e até uma expressão usada de forma tão exagerada, que parecia perder o seu sentido, mas era confiando no poder de mudar as coisas, que tudo realmente acontecia. Ainda que o processo houvesse tentativas e falhas, a cada dia ia se construindo uma espécie de resiliência.

Então, seguir em frente era difícil em algumas situações e a sensação de que há algo maior por trás de tudo, poderia ajudar a dar clareza quando os tempos pareciam sombrios. Muitas vezes, uma mudança que você achava que viria de forma abrupta, vem acontecendo em ondas e estava tudo bem. Falhar também era parte do processo. Saber como recomeçar também.

Há quem acredite que hábitos podem ser mudados em questão de cinco segundos, como Mel Robbins, mas será que isso era uma realidade para todos? Será que não temos cada um o próprio tempo de florescer? Será que por trás de cada erro, também não era possível encontrar um acerto?

Quer você tenha desejado mudar de forma abrupta ou quer você tenha desenvolvido um plano a seguir, confiar nele significa persistir tentando e não desistir antes de falhar. Significava aceitar que algumas mudanças não aconteceriam do nada, que elas precisariam de mais tempo do que você imaginava.

Então, além de confiar no processo, também era importante não se comparar. Cada um tinha uma forma de lidar com as situações da vida e mudanças de comportamentos, e estava tudo bem achar mais difícil do que você imaginava, em algo que poderia parecer simples para o outro. 

Era assim, confiando no processo, que a mágica acontecia. Sabendo encontrar sentido e permanecer firme nos seus objetivos, mesmo quando pareciam bobos ou insignificantes para o outro. Cada um tinha seu próprio processo. Sua própria oportunidade de escolher mudar ou não. Não havia certo ou errado. Havia escolha. E tudo se tornava mais confortável ao aceitar que havia uma série de processos, até conseguir alcançar suas metas.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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