terça-feira, 5 de outubro de 2010

Especialista em Direito de Trânsito fala sobre Ética

* Entrevista realizada pelos estudantes de Comunicação Social da UCDB (Universidade Católica Dom Bosco) de Campo Grande (MS), Ben-Hur Oliveira e Ana Cláudia Ferreira, para o jornal universitário 'Em Foco'.

Ser ético no trânsito, além de ser como o motorista deve se comportar neste ambiente é uma ótima forma de evitar problemas e acidentes. A ética está cada vez mais em destaque no século em que vivemos, seja no que desrespeita as profissões quanto as questões pessoais.

Para falar sobre a importância da ética no trânsito, o Em Foco conversou com a Diretora de Administração e Finanças do Detran-MS e Especialista em Direito de Trânsito, Maria das Graças Freitas.


Especialista em Direito de Trânsito, Maria das Graças Freitas fala sobre a ética no trânsito
Foto: Ben Oliveira

Em foco: O que é ética?
Maria das Graças Freitas: Ética é um conjunto de valores morais e de princípios que devem nortear a conduta dos seres humanos no ambiente em que vivem.

Em foco: Qual a diferença entre ética e moral?
Maria das Graças Freitas: Se ética é o conjunto de valores, a moral intrinsecamente vinculada à ética, é o fator que o ser humano possui para distinguir entre o bem e o mal. A ética é teórica, a moral é a prática do agir do homem. A moral vincula-se aos costumes e a religião.

Em foco: Qual é a importância da ética na sociedade contemporânea?
Maria das Graças Freitas: A mesma de toda a sociedade de que se tenha ouvido falar, porém com nuances diferentes, uma vez que a evolução do homem em sociedade pode considerar determinados comportamentos como ética ou não-ético conforme o momento social.

Em foco: O que é ética no transito?
Maria das Graças Freitas: Ética no trânsito é a adoção de comportamentos corretos de obediência as normas de trânsito, respeitando o espaço público do trânsito, sem cometer infrações independentemente da necessidade da ação de fiscalização. Isto é, não avançar o sinal vermelho do semáforo apenas pelo fato de que poderá ser multado, mas sim porque naquele momento (sinal fechado) o direito de ir e vir de outra pessoa deve ser respeitado. Ou exceder a velocidade no local sinalizado com instrumento eletrônico (lombada) porque sabemos que não está funcionando.

Em foco: Como o motorista deve se comportar no transito diante da ética?
Maria das Graças Freitas: Na verdade, todo motorista deve se comportar com ética no ambiente de trânsito. O respeito às normas de circulação e conduta é condição da prática do conhecimento teórico da ética. E o respeito pela sociedade em que vive.

Em foco: Em caso de emergência, até que ponto é ético avançar o sinal vermelho?
Maria das Graças Freitas: A prática infracional no ambiente de trânsito pode ser justificada em uma situação de emergência. Todavia, a natureza da emergência deve ser tal que possa suplantar a desobediência a norma, ao nosso aprendizado interior (pessoal) sobre a ética. Por exemplo, o socorro de pessoas.

Em foco: Com relação aos lixos jogados pelos motoristas, qual a medida a ser tomada?
Maria das Graças Freitas: Aplicação da fiscalização e punição aos infratores que com lixos jogados para fora de seus veículos além de promoverem a poluição de meio ambiente, sujam as cidade e ainda podem causar acidentes.

Em foco: Em sua opinião, a mídia está desempenhando um bom papel com relação ao trânsito? Por quê?
Maria das Graças Freitas: Sim, porque assumiu seu papel de ser também responsável pela cultura de um trânsito mais seguro para sociedade.

Em foco: Quais são as ocorrências mais solicitadas de acidentes no trânsito? Através disso é possível “medir” a falta de ética e imprudência dos motoristas?
Maria das Graças Freitas: As ocorrências de acidente vinculam-se a quase sua totalidade ao descumprimento das normas de circulação e conduta dos condutores de veículos, principalmente as relativas à velocidade e ao estado de alcoolemia, que em conjunto trazem ainda maior gravidade ao acidente.
A medida que se pode dar na ocorrência desses fatores relacionada à ética do condutor é a total falta de responsabilidade deste em interagir num ambiente onde mobilidade exige grau de percepção, acuidade, reflexo e perfeita sintonia para que se evite ou se promova acidentes.

Em foco: Sobre o som alto e a corrida não autorizada, qual é o papel do Detran com relação a essas atitudes?
Maria das Graças Freitas: Relativamente ao som em alto volume na via pública, praticado por condutores em seus veículos relaciona-se ao total desrespeito desses condutores para com o seu semelhante, ninguém está obrigado a ouvir ou participar do gosto musical de ninguém. Além de ser uma atitude desrespeitosa é uma falta de limitação a convivência social. Configura-se também em uma infração de trânsito que quando registrada, aplica-se a legislação pertinente.
Quanto às corridas não autorizadas, além do fator irresponsabilidade daqueles que dela participam ou organizam, podendo causar acidentes graves ou inclusive a morte, o DETRAN-MS após apurado os fatos aplica a legislação de trânsito nos seus exatos ditames.Com multa e suspensão do direito de conduzir. Ressalta-se que quando há vitimas também se apura o crime na esfera penal.

Em foco: Em relação às bebidas alcoólicas no trânsito, que medidas tomar? E a lei seca, é uma questão de fiscalização ou consciência?
Maria das Graças Freitas: A fiscalização é a melhor medida a ser tomada pelos órgãos de trânsito para buscar inibir a ação do condutor de veiculo ao dirigir após ter ingerido bebida alcoólica. A consciência é pessoal inerente a cada ser humano e somente esse ser pode adotar esse fator de consciência de que bebida e direção não combinam.
As campanhas de conscientização são muito importantes, ajudam, mas se o ser humano alcançado pela campanha não permitir, ela não provoca no mesmo nenhum efeito ético ou moral sobre o seu comportamento de beber e dirigir.

Em foco: Sobre as substâncias que alteram a percepção e a coordenação motora dos motoristas (lícitas e ilícitas), como encarar essa situação?
Maria das Graças Freitas: É preciso muito esclarecimento sobre essas substâncias e, principalmente que o condutor de veículo assuma, tenha compreensão e assimile que as substâncias alcoólicas ou entorpecentes, mesmo as lícitas, alteram estado físico-emocional. Esse é o ponto mais importante. Aceitar que quando se ingere bebidas alcoólicas, mesmo que em pequena quantidade, nosso organismo se modifica.


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