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Destaques

Travar

Nada como travar diante das aulas de matemática. Pensava que com o passar dos anos as coisas seriam diferentes, mas estava enganado. Ainda travava a cada aula, como se tivesse aprendendo um idioma desconhecido, uma linguagem difícil de decifrar. Sabia que não era impossível aprender a disciplina, mesmo que não fosse sua preferência, mas também sabia que não seria fácil como imaginava. Mesmo com as aulas gravadas ainda era difícil aprender Matemática. Para algumas pessoas, mais difícil do que para outras. Poderia parecer uma tarefa impossível, mas essa crença só piorava ainda mais as coisas. Então, ia dando uma nova chance, consciente de que as coisas não poderiam ser otimistas como esperava, mas que também não poderiam ser tão ruins. Eram dias que gravaria na memória. Dias em que se desafiava ainda que fosse fora da sua zona de conforto de estudos. Dias para travar e destravar. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escritpa Maldita , p ublicado...

Resenha: Entrevista: O Diálogo Possível – Cremilda Medina

Entrevista: O Diálogo Possível, livro escrito pela jornalista e Doutora em Ciências da Comunicação Cremilda de Araújo Medina, lançado pela Editora Ática, aborda as questões relacionadas à entrevista, que vão além da visão técnica e podem trabalhar a comunicação humana através do diálogo.

Medina conta que quando ocorre o fenômeno de identificação entre a fonte de informação, o repórter e o receptor, a entrevista se aproxima do diálogo interativo. O receptor consegue sentir a autenticidade e emoção da entrevista tornando a comunicação mais humana. Todavia, quando a entrevista é dirigida por um questionário ou fixado em idéias preestabelecidas, o receptor percebe a ausência do diálogo.

A jornalista explica que o diálogo é democrático e o monólogo é autoritário. "Sua maior ou menor comunicação está diretamente relacionada com a humanização do contato interativo", justifica. De acordo com Medina, o diálogo possível acontece quando a técnica é ultrapassada pela intimidade e entrevistados e entrevistadores saem diferentes após o encontro.

Você sabe o que é entrevista? Segundo a autora do livro, entrevista é um meio cujo fim é o inter-relacionamento humano. "A entrevista jornalística, em primeira instância, é uma técnica de obtenção de informações que recorre ao particular", explica. Medina cita Edgar Morin que acredita que existem dois tipos de entrevista: a de espetáculo e a de compreensão (aprofundamento). Ainda de acordo com a jornalista, deve-se tomar cuidado com a unilateralidade da informação e buscar um diálogo democrático.

Para Medina alguns fatos podem enriquecer o desempenho da entrevista: ter idéia do tema a ser abordado na entrevista; preparo do entrevistador; perfil da personalidade do entrevistador; encarar o momento da entrevista como uma situação psicossocial, de complexidade indiscutível; a atitude do entrevistado; dinâmica de bloqueio e desbloqueio (desarmar o entrevistado).

A fluência-eficiência deve ser buscada na hora de transcrever um diálogo. A autora argumenta que muitas entrevistas jornalísticas pecam pela falta de formas mais fluentes e eficientes e cita como exemplo de como as entrevistas deveriam ser escritas mais naturalizadas e humanas um trecho do texto "O ano da morte de Ricardo Reis", de José Saramago, em que ocorre um diálogo entre Fernando Pessoa e Ricardo Reis. "Apenas um exemplo de como jornalistas e comunicadores devem se aproximar das conquistas artísticas para poderem renovar seu estilo e, em última instância, o grau de eficiência de seus textos quanto à comunicação propriamente dita", ensina.

No livro também é possível conferir: a relação entre pauta e edição; os modelos de montagem das informações; foco narrativo; Lobby dos grupos; os principais ruídos cometidos pelos jornais; liberdade de narração jornalística.

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