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Destaques

Tempestade

Chegou como uma tempestade, daquelas que não queriam ir embora. Fez o dia se tornar noite, causou apagão e deixou a incerteza de quando as coisas voltariam ao normal. Era só uma tempestade como qualquer outra ou era diferente? Já nem se lembrava mais, só sabia que entre as piores sensações estavam a de ficar sem energia elétrica.  Não tinha medo do escuro. Mas também não achava a sensação mais agradável do mundo. Na teoria era uma ótima oportunidade para dormir bem. Na prática, a incerteza de quando as coisas iriam normalizar. Uma tempestade era como uma crise, tinha começo, meio e fim. As crises também passavam. As tempestades também passavam. Era na hora de dormir sem energia elétrica que não fazia ideia se o celular teria bateria suficiente para acorda-lo no dia seguinte. Era na insegurança que a crise parecia mais forte do que tinha sido. Era no silêncio que antecedia a chuva e a ventania que encontrava uma dose de paz. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do...

'O indivíduo, a técnica e um vazio ético no jornalismo'

O artigo 'O indivíduo, a técnica e um vazio ético no jornalismo' do jornalista e professor universitário Claudemir Hauptmann, tem como objetivo refletir a questão ética na rotina profissional do jornalista.

O que é o jornalismo? Hauptmann conta que muita gente sabe o que é, mas tem dificuldade de conceituar a palavra. "Mas seria possível dizer que o jornalismo nada mais é do que a prática de contar histórias. O jornalista capta o mundo e para poder informar sobre ele através de um dizer específico, conforma-o", conceitua.

Preocupadas com o lucro e com a redução de custos, o autor explica que as agências de comunicação fazem com que os jornalistas produzam mais, num tempo cada vez menor e com menos custos. Como exemplo citado no artigo, se antigamente em um grupo de dez jornalistas, cada um produzia duas pautas por dia, atualmente, cinco jornalistas fazem quatro ou cinco pautas diárias. O jornalista, segundo as palavras do autor, passou a oferecer quantidade como se fosse qualidade.

Ao falar sobre as técnicas, o autor lembra a mais conhecida de todas, a da pirâmidade invertida, que segundo ele é perfeita para as pretensões da fase empresarial do jornalismo ("alcançar públicos cada vez mais amplos"). Hauptmann critica a a falta de análise e interpretação dos fatos, e a atual preocupação com os registros puros e simples dos fatos, chamados por ele de 'fazer jornalístico raso'.

Para analisar o jornalista é necessário observá-lo como indivíduo e o contexto em que este está inserido. Hauptmann cita Bernardo Kucinski que fala sobre o paradoxo ético entre o individualismo e o código de ética e sobre a subordinação dos jornalistas aos ditados mercadológicos e ideológicos dos proprietários dos meios de informação.

Quando o autor vai abordar a ética, novamente a dificuldade em conceituar palavras aparece no artigo. Para o autor, não tem como conceituar ética como indivíduo para o jornalista, pois este depende não só dele mesmo, como dos patrões, fontes, público e políticos. Cabe ressaltar a citação de Eugênio Bucci utilizada pelo jornalista no artigo: "Ética, para Bucci, não são as posturas nem as generalidades superficiais dos códigos de ética. É a essência do bom jornalismo ao moldar o caráter dos profissionais, de forma a levá-los sempre a atender a função pública e social de divulgar tudo que é de interesse da sociedade, de forma correta".

Para concluir, o autor argumenta que nos últimos anos os jornalistas passaram a agir mecanicamente, devido aos modelos extremamente comerciais e a conversão de jornalismo em mercado. A preocupação com o maior número de informações diárias, a redução dos custos, redações enxutas, o individualismo e a desinformação são alguns dos reflexos do jornalismo nos tempos atuais. "Os jornalistas se perdem diante da quantidade de pautas diárias e os dilemas éticos não são prioridades nessa rotina. Eles precisam produzir, e muito, para garantir o emprego". Uma das soluções plausíveis para resolver esse problema de vazio ético dos jornalistas, de acordo com o autor , é o diálogo com os cidadãos. Hauptmann finaliza dizendo: "Afinal, o bem mais preciosa na vida de um jornalista não é seu emprego, mas sua credibilidade".

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