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Posicionado

Diante de mais de 5 mil denúncias de Assédio Eleitoral, começo a me perguntar se poder se posicionar é um privilégio que nem todos têm. Então, o não posicionamento do outro nem sempre tem a ver com o que ele pensa, mas por questões que não precisa se justificar. Quando colocamos expectativas em algo e/ou alguém, estamos sujeitos à frustração. É normal sentir decepção quando algo não acontece do modo que esperávamos, mas nem tudo é simples como parece. Enquanto milhões de brasileiros usaram as redes sociais para se posicionar, teve muita gente que não fez, não necessariamente porque não queria. Então, diante do medo e do assédio eleitoral, ou por qualquer outro motivo, temos que aceitar que cada um fez o melhor que pode e cada um sabe o que é melhor para si mesmo. Tenho muita gratidão por cada pessoa que se manifestou. Mas também carrego a esperança de que nem todo mundo pode ou quer, seja lá por qual motivo e está tudo bem. Amadurecer envolve lidar com a frustração.  Então, só entã...

'O indivíduo, a técnica e um vazio ético no jornalismo'

O artigo 'O indivíduo, a técnica e um vazio ético no jornalismo' do jornalista e professor universitário Claudemir Hauptmann, tem como objetivo refletir a questão ética na rotina profissional do jornalista.

O que é o jornalismo? Hauptmann conta que muita gente sabe o que é, mas tem dificuldade de conceituar a palavra. "Mas seria possível dizer que o jornalismo nada mais é do que a prática de contar histórias. O jornalista capta o mundo e para poder informar sobre ele através de um dizer específico, conforma-o", conceitua.

Preocupadas com o lucro e com a redução de custos, o autor explica que as agências de comunicação fazem com que os jornalistas produzam mais, num tempo cada vez menor e com menos custos. Como exemplo citado no artigo, se antigamente em um grupo de dez jornalistas, cada um produzia duas pautas por dia, atualmente, cinco jornalistas fazem quatro ou cinco pautas diárias. O jornalista, segundo as palavras do autor, passou a oferecer quantidade como se fosse qualidade.

Ao falar sobre as técnicas, o autor lembra a mais conhecida de todas, a da pirâmidade invertida, que segundo ele é perfeita para as pretensões da fase empresarial do jornalismo ("alcançar públicos cada vez mais amplos"). Hauptmann critica a a falta de análise e interpretação dos fatos, e a atual preocupação com os registros puros e simples dos fatos, chamados por ele de 'fazer jornalístico raso'.

Para analisar o jornalista é necessário observá-lo como indivíduo e o contexto em que este está inserido. Hauptmann cita Bernardo Kucinski que fala sobre o paradoxo ético entre o individualismo e o código de ética e sobre a subordinação dos jornalistas aos ditados mercadológicos e ideológicos dos proprietários dos meios de informação.

Quando o autor vai abordar a ética, novamente a dificuldade em conceituar palavras aparece no artigo. Para o autor, não tem como conceituar ética como indivíduo para o jornalista, pois este depende não só dele mesmo, como dos patrões, fontes, público e políticos. Cabe ressaltar a citação de Eugênio Bucci utilizada pelo jornalista no artigo: "Ética, para Bucci, não são as posturas nem as generalidades superficiais dos códigos de ética. É a essência do bom jornalismo ao moldar o caráter dos profissionais, de forma a levá-los sempre a atender a função pública e social de divulgar tudo que é de interesse da sociedade, de forma correta".

Para concluir, o autor argumenta que nos últimos anos os jornalistas passaram a agir mecanicamente, devido aos modelos extremamente comerciais e a conversão de jornalismo em mercado. A preocupação com o maior número de informações diárias, a redução dos custos, redações enxutas, o individualismo e a desinformação são alguns dos reflexos do jornalismo nos tempos atuais. "Os jornalistas se perdem diante da quantidade de pautas diárias e os dilemas éticos não são prioridades nessa rotina. Eles precisam produzir, e muito, para garantir o emprego". Uma das soluções plausíveis para resolver esse problema de vazio ético dos jornalistas, de acordo com o autor , é o diálogo com os cidadãos. Hauptmann finaliza dizendo: "Afinal, o bem mais preciosa na vida de um jornalista não é seu emprego, mas sua credibilidade".

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