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Destaques

Imprevisível

Era antes de dormir que vinha a vontade de escrever. Tudo parecia estar dominado pelo sol, mas a qualquer momento tudo pode mudar em Campo Grande (MS). Tudo o que posso fazer é torcer para que não haja outros prejuízos e pessoas machucadas pela tempestade. Tudo indica que venha vento, mas por enquanto nada é 100% certo. Era na ventania que percebia o humor mudar. E se lembrava da importância da calma. Uma crise precisava ter mais do que alguns ventos para ser chamada assim. Ia deitar consciente de que não queria chuva, mas que poderia acontecer. Que o sol estava ajudando na regulação do humor, mas que era mais difícil quando tudo era imprevisível. Escrevia para se despedir do sol. Para lembrar que embora houvesse risco, não necessariamente significava que iria acontecer. E de todo modo, com os alertas feitos pelos jornais de Campo Grande (MS), que as pessoas saberiam o que fazer. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escrita Maldita , p ublicad...

O que é o jornalismo?

O que é o jornalismo? O jornalista português, professor e doutor Nelson Traquina estimula a reflexão sobre esta indagação no primeiro capítulo do seu livro 'Teorias do Jornalismo - Volume I: Porque as notícias são como são', publicado em 2005 pela editora Insular. Sem a pretensão de se tornar um manual para a prática jornalística, o autor busca por meio do livro fornecer compreensão teórica do jornalismo.

Para Traquina, o jornalismo é um conjunto de 'estórias', logo o jornalista pode ser considerado um "moderno contador de 'estórias'" da sociedade contemporânea. O produto do jornalismo são as notícias, que tentam retratar a realidade. Se o jornalista pecar pela ficção, este pode ser condenado pela comunidade e colocar um ponto final em sua carreira.

Uma discussão bem frequente no campo de estudo jornalístico é a questão da técnica e da teoria. O autor argumenta que o jornalismo não está relacionado somente ao domínio técnico e os profissionais não podem ser tratados como meros trabalhadores numa 'fábrica de notícias'. "... os jornalistas fazem parte de uma profissão, talvez uma das profissões mais difíceis e com maiores responsabilidades sociais", justifica. Ainda para Traquina, o jornalismo é uma atividade intelectual, e é possível observar nos produtos jornalísticos a criatividade e construção do mundo em notícias.

"Até que ponto o jornalista é livre e são livres os jornalistas", reflete Nelson Traquina. A imprensa deve informar o público sem censura. A credibilidade do veículo de comunicação fica comprometida quando o governo influencia na atividade dos meios jornalísticos. "Tal como a democracia sem uma imprensa livre é impensável, o jornalismo sem liberdade ou é farsa ou é tragédia", ressalta. O jornalismo é condicionado por fatores como: a pressão das horas de fechamento, competitividade do jornalismo como um negócio e hierarquias superiores da empresa.

Para entender melhor sobre as notícias, Traquina conta que é é necessário que se compreenda a cultura profissional da comunidade jornalística e não apenas os fatores externos. O campo jornalístico é dividido em dois pólos: pólo ideológico em que o jornalista realiza um serviço público ao fornecer informações necessárias aos cidadãos para que estes possam votar e participar na democracia; Pólo econômico, em que o jornalismo é visto como um negócio e as notícias como mercadorias. O sensacionalismo e a venda de produtos jornalísticos são características deste pólo, em que as ideologias do profissional, geralmente, são deixadas de lado. "A tensão entre os dois pólos é permanente e insolúvel", comenta.

É necessário que os profissionais da área dominem as técnicas jornalísticas, mas estudar as teorias jornalísticas e refletí-las são fundamentais para que os jornalistas e futuros jornalistas possam melhorar o fazer jornalístico e cumprir com os propósitos de uma profissão tão importante para a sociedade.

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