segunda-feira, 2 de maio de 2011

Vícios virtuais

Reportagem de Ben-Hur Oliveira e Maria Izabel Costa para o jornal universitário 'Em Foco', da Universidade Católica Dom Bosco, de Campo Grande (MS).

Evitar o convívio social com os amigos e família para ficar em frente ao computador, vídeo-game, celular ou outros aparelhos tecnológicos, ficar o dia todo conectado à internet e começar a inventar desculpas são alguma das características dos indivíduos que são ciberdependentes. O termo é recente, está relacionado à dependência de acessar a internet e está tornando-se cada vez mais comum na sociedade. A relação entre ambiente virtual e real é cada vez mais evidente, seja no ambiente de trabalho, educativo ou de lazer.

Há 16 anos o cientista americano Nicholas Negroponte já alertava em seu livro: “A Vida Digital” sobre o processo irreversível de transformação dos átomos em bits e sobre as pessoas passarem mais tempo no espaço virtual através das interconexões, do que no espaço físico, uma realidade observada nos dias de hoje.

Estudante do ensino médio, de 15 anos, Camila Costa passa mais de 8 horas conectada à internet. O único horário do dia em que não está conectada é quando está no colégio. Em sua casa, os pais estão sempre chamando a atenção da garota e pedindo para esta sair da frente do computador, principalmente para estudar. A garota diz que quando não está conectada fica entediada. “No Twitter posso fazer novos amigos e contar sobre o meu dia-a-dia”, conta.

Por meio da internet a adolescente faz novos amigos virtuais e os conhece ao vivo.
Foto: Ben Oliveira
Sempre próximo ao seu celular está o estudante de Publicidade e Propaganda da Faculdade Estácio de Sá, de 19 anos, Hygor Benevides. O aparelho de comunicação móvel possibilita a ele compartilhar conteúdos sobre o seu cotidiano a qualquer momento do dia. Hygor fica diariamente cerca de 10 horas conectado à internet pelo computador e 5 horas pelo celular, horário em que não está em casa. “Apesar de estar praticamente o dia inteiro conectado eu não abro mão de estudar e encontrar meus amigos, mas existem pessoas que simplesmente mergulham na internet e criam um mundo que preferem não deixar”, relata o garoto. Questionado sobre como ele se sente quando está sem o celular ou internet, o jovem responde: “Simplesmente perdido e incomunicável, não sei o que está acontecendo ou onde as pessoas estão e ninguém pode falar comigo. Simplesmente assustador, isto é algo que não aconteceria”.

O estudante de Publicidade e Propaganda Hygor Benevides utiliza o celular
para acessar a Internet quando não está em casa.
Foto: Ben Oliveira
Priscila Fausto Corte, de 20 anos, estudante do curso de Análise de Sistemas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) afirma passar muito tempo em frente ao computador, em torno de 4 a 6 horas diariamente. A jovem estudante acredita que esse período em que ela passa conectada não interfere no resto de suas obrigações. "Fico on-line em redes sociais, assisto vídeos e leio matérias interessantes", conta.

Também estudante de Análise de Sistemas, Paulo José diz que tem que ser viciado em computador graças à sua faculdade. Na máquina em que ele trabalha, o futuro analista de sistemas aprende a programar melhor. "Fico cerca de 12 horas na frente do computador, jogando, estudando e pesquisando, mas isso não atrapalha minha vida social. Eu conseguiria ficar uma semana sem um computador".

Para Suely Holanda, mãe de Paulo José, o vicio não é totalmente negativo "Ele sabe tocar guitarra, graças ao computador, e fala inglês graças aos jogos, coisas que pessoas da idade dele pagam cursos para aprender, e o mais importante, a continuidade na frente do computador não o deixou sem amigos, pelo contrário ele conseguiu amigos com os mesmo hobbies virtuais”.

2 comentários:

  1. Olá... encontrei seu blog em meio a uma pesquisa para fundamentar meu artigo. Já recomendei no meu perfil do Facebook.
    Se possível, gostaria de confabular mais sobre o tema. Abs. Segue link do meu post: http://emanuelmoura.blogspot.com/2011/05/devaneios-sobre-tecnologia-amizade-e_5131.html

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  2. Olá, Beno, quando você diz generalizei um pouco ao dizer que a internet é usada "só para o entretenimento" não entendo que tenha generalizado, pois menciono o fato inegável de que a Internet dispõe de informação útil e boa: "...Ela tem seus compartimentos que abrigam conhecimento e dos bons. Sites de bibliotecas virtuais, dissertações e teses disponibilizadas integralmente para usufruto de tantos queiram consumir conhecimento." Bem pode ser que a forma como discorro faça uma generalização, se assim ocorre, não fico devendo em nada aos acadêmicos e profetas do século 23 que preconizam o fim do jornal impresso, a inclusão social por meio da tecnologia, uma revolução social completa apenas pq as pessoas acessam sites de relacionamentos. Pois já existem aqueles usuários que só sabem operar scrap de Orkut e mural de Facebook. Se mandar anexar um arquivo em um e-mail, aí já era. Tenho, de fato, ficado incomodado com informações do tipo que a dona de casa de classe C já passa 2 horas na Internet sendo que a esmagadora maioria prefere os sites de relacionamento. Vide link: http://idgnow.uol.com.br/internet/2010/03/23/mulheres-de-classe-c-passam-mais-de-duas-horas-diarias-na-rede/.
    É claro que o poder de compra e venda que a Internet dá não passaria despercebido a este público. E este, é, de fato o grande poder da net. A venda. Não a informação como tanto se quer propalar. O percentual de pessoas que, de fato, sabem pesquisar, comparar opiniões, estar informado de como exercer sua cidadania, fomentar a discussão, o debate livre de ideias é miserável diante dos 74 milhões de internautas que o Brasil totalizou no final do ano passado segundo o Ibope Nielson Online (vide link: http://computerworld.uol.com.br/telecom/2011/03/18/brasil-tem-perto-de-74-milhoes-de-internautas/)

    Tudo bem que gente como você (com certeza) e eu (nem tão certo assim) que sabemos surfar nas ondas da grande rede, mas isso é falacioso quando se preconiza que a massa também será capaz. É mentira. Estamos apenas criando mais um mecanismo de exclusão social, analfabetismo funcional e anomalias sociais.
    O Estadão de hoje, em reprodução de artigo assinado por Eli Pariser, do New York Times, pág A12, tráz o título "Quando a Internet acha que nos conhece", se ainda não viu, vale a pena conferir. Bem, por hora é isso. Vamos mantendo o contato. Acredito que não estamos sozinhos nesta reflexão.

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