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Destaques

Resenha: Jurassic Park – Michael Crichton

Jurassic Park (O Parque dos Dinossauros) foi uma leitura nostálgica para mim. À medida que me aventurava pelas páginas do romance, foi como se eu desenrolasse várias memórias relacionadas ao universo ficcional dos dinossauros, popularizado pela adaptação cinematográfica dirigida por Steven Spielberg, em 1993. O livro de ficção científica escrito por Michael Crichton foi republicado em 2015, pela Editora Aleph, com tradução de Marcia Men.


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Mais do que entretenimento para os amantes de dinossauros, Jurassic Park é um conto caucionário sobre ciência, genética, ética e ambição humana. Hammond é um homem rico que idealiza um parque de diversão com dinossauros reais, sem se dar conta dos potenciais perigos de dar vida às criaturas.

Antes da abertura do parque, uma equipe de profissionais é convidada a visitar a Ilha Nublar, na Costa Rica, entre eles um matemático que alerta sobre as chances do projeto se tornar caótico e…

Cinema e Tecnologias Digitais

Em 'Cinema e Tecnologias Digitais', texto publicado no livro 'História do Cinema Mundial', organizado por Fernando Mascrello, publicado em 2006, pela Papirus Editora, o autor Erick Felinto fala sobre a metamorfose do cinema. A transição dos filmes, em que as imagens eram gravadas e depois impressas em películas cinematográficas, e que agora podem ser gravadas e transmitidas em suportes digitais.

O cinema digital é caracterizado pelo armazenamento de imagens e sons em formatos de bytes, por meio de aparelhos computadorizados. Um dos apontamentos feitos por Felinto em seu artigo sobre essa desmaterialização dos filmes é a perda da fascinação que se tinha pelos fotogramas, causando nostalgia, mas também novas oportunidades. Esta crise, como o autor explica, não aconteceu somente na área do cinema, mas na literatura e artes plásticas também. Por exemplo, a literatura que era caracterizada pela arte do texto impresso, agora é pensada para diferentes suportes materiais. O cinema encontrou novos suportes e linguagens como forma de expressão, mas tanto o cinema, quanto literatura, estão lidando com o desafio de refinir suas práticas, poéticas e fronteiras.

Introduzir tecnologias digitais ao cinema facilitou os processos industriais e massivo, ampliou possibilidades estéticas e abriu caminho para os cineastas independentes. Os custos de um filme independente são menores do que eram antigamente, possibilitando a 'qualquer pessoa' produzir um filme. Felinto buscou três campos de abordagem desta reestruturação tecnológica e cultura do cinema: hibridações, interações e recuperações.

Hibridações e interações

Felinto fala sobre o movimento artístico Expanded Cinema, que teve inícios nos 1960, com a idéia de aproximar arte e vida e do entusiasmo das possibilidades com as novas mídias eletrônicas. Para os participantes do movimento, o cinema deveria ir além da visão e apelar para os diferentes órgãos dos sentidos, fazer uso de diferentes mídias e utilizar aparelhos que não fossem a película. Todavia, Felinto conta com base em Gene Youngblood, autor do livro Expanded cinema, que os participantes desta nova forma de se fazer cinema não estariam tão satisfeitos atualmente, pois a mesma tecnologia que revolucionaria e teria como premissa ultrapassar uma linguagem estereotipada por meio da experimentação, está criando produtos massivos.

A revolução digital nos cinemas traz à tona uma discussão que já existia na área cinematográfica de diferentes paradigmas, o realismo versus invenção, massivo versus erudito ou tradicional versus experimental.

Erick Felinto cita que a hibridação de formas, conteúdos e gêneros no cinema, em que a linha entre experimental e tradicional é difícil de distinguir, pode ser observada no filme Waking Life, dirigido e escrito pelo cineasta independente americano Richard Linklater, lançado em 2001. O filme que tem como tema central a lógica do sonho, tem uma narrativa fragmentária, que foge à tradicionalidade, foi gravado com câmeras digitais e atores reais, e teve as imagens transformadas em "figuras animadas, multicoloridas e mutáveis".



Para o autor, a hibridação de suportes e linguagens atendem à demanda de uma cultura sedenta por novas formas de experimentação sensorial e espectatorial. No Cinema 4D, por exemplo, o espectador interage com o filme, por meio de imagens tridimensionais, poltronas que se movem, emissão de odores, jatos de água e alto-falantes próprios.

Além de facilitar a produção de filmes, com as tecnologias digitais os realizadores independentes encontraram na Internet um ambiente de difusão e distribuição de suas obras, diminuindo a dependência das salas de cinema tradicionais e do grande mercado de vídeo. Neste mesmo cenário, as grandes produtoras utilizam a Internet para complementar a narrativa do filme e interagir com os consumidores.

A hibridação também pode ser observada nas adaptações de obras de outros produtos midiáticos para o cinema, como histórias de quadrinho, livros, jogos etc.

Recuperações

Felinto comenta que existe um paradoxo, ao mesmo tempo em que o cinema está passando por essa transformação digital, ele passa por uma recontextualização dos modelos e procedimentos das origens do cinema, "encontrar o mais antigo no que deveria ser o mais novo". Para o autor, com as tecnologias digitais os filmes não tratam somente da temática futurística, como supostemente deveriam abordar com mais frequência, mas aproveitam dos recursos e facilidades para remeter o telespectador de forma fiel, por meio de imagens, ao passado, e muitas vezes, recuperando um gênero quase esquecido, o épico.

No filme 'Gladiador' o Coliseu Romano foi reconstituído digitalmente

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