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Destaques

Para Toda a Eternidade: Livro explora rituais funerários diversos

Entre a naturalidade e o espanto, o tradicional e o moderno, o ocidental e o oriental, Caitlin Doughty transmite ao leitor histórias de suas visitas a espaços e profissionais envolvidos com o universo mortuário. Uma das obras pedidas por quem já tinha lido Confissões do Crematório, o novo livro foi publicado no Brasil pela editora DarkSide Books, em junho de 2019, com tradução de Regiane Winarski e ilustrações de Landis Blair.


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“Eu passei a acreditar que os méritos de um costume relacionados à morte não são baseados em matemática [...] mas em emoções, numa crença na nobreza única da própria cultura da pessoa. Isso quer dizer que consideramos os rituais de morte selvagens apenas quando eles não são como os nossos” – Caitlin Doughty, Para Toda a Eternidade
Dá para ler tranquilamente Para Toda a Eternidade sem ter lido Confissões do Crematório, mas acredito que as duas leituras são complementares. Enquanto na p…

Análise da ética no filme "A Montanha dos Sete Abutres"

A ética no jornalismo é muito abordada nos filmes com personagens jornalistas. Até que ponto a realidade e ficção se confundem nestas produções? Algumas histórias são baseadas em histórias reais, enquanto outras são adaptações da literatura, mas todas tocam nesta ferida jornalística, o comportamento do profissional do jornalismo diante de suas atitudes na atividade profissional.

As profissões possuem um código que norteiam os princípios e regras de conduta que os profissionais devem seguir. No jornalismo não é diferente, no Brasil contamos com o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros que existe há mais de 20 anos e sofreu mudanças em 2007. O código está dividido em 5 capítulos relacionados ao direito à informação, conduta profissional do jornalista, responsabilidade profissional do jornalista, relações profissionais e da aplicação do Código de Ética.

Análise da ética jornalística no filme ‘A montanha dos sete abutres’

A montanha dos sete abutres (Ace in the hole), filme produzido e dirigido por Billy Wilder, com 111 minutos de duração e lançado em 1951, conta a história de um jornalista chamado Charlie Tatum, interpretado por Kirk Douglas. A história é baseada em um acontecimento real de 1925, em que um homem ficou preso numa caverna e a imprensa norte-americana sensacionalista transformou o caso num show, exatamente como o jornalista do filme fez com o caso.

Com a frase: “Trabalho com grandes e pequenas notícias. E se não houver notícias vou à rua e mordo um cão”, o jornalista conversa com um editor de um jornal e pede uma vaga de emprego, deixando clara a forma que este trabalha. Tatum explica que já foi demitido de 11 jornais por uma série de ações anti-éticas, como difamação, relações anti-profissionais e beber no trabalho.

O jornalista tenta a vaga no jornal de Albuquerque, pois este é pequeno comparado aos outros em que já trabalhou, e acredita ser uma forma de limpar a reputação, além de sonhar com o surgimento de uma grande matéria que o levante novamente na área profissional. O editor contou que por ser advogado, ele não tem problemas com difamações, pois esta sempre checando a veracidade das notícias. O jornalista acaba sendo contratado, decisão que parece ser a mais sensata pelo editor no começo, pois após um ano de trabalho, Tatum continua trabalhando no jornal.

Cansado de cobrir sempre as mesmas notícias e em busca de uma novidade que possa alavancar sua carreira, Tatum é convidado pelo editor para cobrir uma caça às serpentes. “Más notícias são as que mais vendem. Porque boas notícias não são notícias”, explicou o jornalista ao colega repórter. Acontece um desmoronamento e o jornalista vai junto com o outro repórter do jornal para cobrir o caso de um homem, Leo Minosa, que está preso em um lugar de instabilidade. O jornalista se passa de amigo do homem e aproveita para tirar fotografia e escrever um artigo sobre ele.

Após a notícia ser publicada no jornal, o acontecimento tornou-se um espetáculo, com direito a visitações, cobranças por número de visitas, apresentações musicais, venda de comidas, parque de diversões, ou seja, o lugar tornou-se um circo literalmente. O filme é um exemplo de como o jornalismo sensacionalista influencia as compras de jornais e a sociedade. Na visão do diretor do filme, o jornalista é visto como um construtor da “verdade”, já para os cidadãos Tatum é uma estrela, um herói, não só reconhecido pelos moradores da cidade, como pelos outros jornalistas.

Antes de conseguir realizar o seu desejo de conseguir muito dinheiro e fama, o jornalista se surpreende com a notícia da morte do soterrado por pneumonia.

No que concerne ao direito de informar defendido pelo Código de Ética Jornalística, o jornalista não é censurado em nenhum momento. Aliás, este tenta dificultar aos outros repórteres a obtenção de informações, tornando-se um amigo do xerife da cidade, do homem soterrado e de seus familiares, uma outra atitude antiética, criar vínculos com as fontes.

Quando se trata da conduta profissional do jornalista e da responsabilidade profissional do jornalista, Tatum infringe o artigo 11. do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, em que se ressalta que o jornalista não pode divulgar informações visando o interesse pessoal ou buscando vantagem econômica e a divulgação de notícias de caráter mórbido, sensacionalista ou contrário aos valores humanos, especialmente em cobertura de acidentes.

Tatum deixa clara a sua intenção desde o começo quando procurou a redação do jornal em busca de um emprego. O jornalista precisava de uma forma de recuperar sua moral e também de ganhar dinheiro, um profissional que se preocupa mais com o dinheiro, mesmo que para isso tenha que se comportar de forma extremamente anti-ética. Enfim, para quem já tinha sido demitido onze vezes, por conta das atitudes, esta seria só mais um desvio de ética para Tatum.

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