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Destaques

Sobre rabiscos e telas brancas

A tela branca pode ser um convite à explosão criativa ou uma tortura ao artista que sente seu espírito definhando diante da pesada realidade. Em tempos de crise e ódio, a arte fica esquecida e é vista como desimportante; ironicamente, é quando mais precisamos dela, de algo que nos faça sentir vivo e toque as partes atordoadas.


O som dos dedos se movendo pelo teclado era como fantasmas de uma vida distante. É incrível perceber quantas vezes nós deixamos algumas partes nossas morrerem ao longo de nossas existências; as máscaras, antes tão confortáveis, agora incomodam e não nos servem mais. Leva tempo até ficarmos satisfeitos e ajustados à nova realidade. Viver é admitir que sabemos pouco sobre nós mesmos e há sempre algo novo que pode nos transformar, seja para o bem ou para o mal.

O artista encara a tinta respingando pela tela. Para o espectador sem intimidade, nada faz sentido, a desconexão de ideias é tormentosa; para ele, o lembrete de que sua arte nunca o abandonaria. Como poderia…

Confira artes de capas de álbuns musicais criadas por estudante de Publicidade


Martin Martinelli e sua irmã. Crédito: Acervo Pessoal.
Conectado nas mídias sociais você consegue achar algumas coisas bem interessantes compartilhadas por amigos e fan pages. Quando conheci as fan arts de capas de álbuns de músicas feitas pelo estudante de publicidade Martin D'Estefani Martinelli, de Campo Grande (MS), foi paixão à primeira vista.

Já imaginou como seria a capa daquela música que você adora, mas não se tornou single? As artes feitas por Martin são tão boas que às vezes você fica sem saber se elas são as originais ou não.

Confira a entrevista com Martin D'Estefani Martinelli:

Crédito: Martin D'Estefani Martinelli
Ben Oliveira: Há quanto tempo você cria suas fan arts?
Martin D'Estefani Martinelli: Eu já tinha feito algumas capas por brincadeira, para treinar no Photoshop. Nada muito especial. Até que em 2010 eu descobri um site chamado Coverlandia, onde as pessoas enviavam capas feitas por elas. Comecei a tentar algumas coisas e fui viciando.

Ben Oliveira: Como funciona o processo de criação das capas?
Crédito: Martin D'Estefani Martinelli
Martin: O processo de criação é meio estranho. Geralmente eu estou ouvindo alguma música e penso "Ah, vou fazer uma capa para ela - ou para o álbum." Eu procuro sempre seguir o padrão de cada álbum, dá pra perceber que para as capas da era "Loud" da Rihanna eu uso a mesma paleta de cores, fontes e logos do álbum e dos singles originais. Justamente para ficar padronizado, já que algumas pessoas gostam de usá-las no iTunes, no lugar das capas oficiais. Às vezes eu vejo alguma foto e penso que ela combina com alguma música, aí eu tento fazer alguma coisa com ela. A elaboração das capas ficou muito mais fácil depois que descobri os "design packs", que são pacotes feitos por fãs que incluem fotos em HQ e UHQ, fontes, logos e até texturas usadas para cada álbum. Mas ainda assim já tive que recortar muitas logos e procurar fontes e fotos em boa qualidade quase impossíveis pela internet.

Ben Oliveira: Qual foi a sua fan art favorita até hoje?
Crédito: Martin D'Estefani Martinelli
Martin: Eu gosto muito da capa para "Cheers (Drink to That)", da Rihanna, da segunda versão de "Push" da Avril Lavigne,  "Turning Tables" da Adele e a de "Doo-Wops & Hooligans" do Bruno Mars. Foram capas que eu saí da minha "zona de conforto" e gostei do resultado.

Ben Oliveira: Já tem em mente qual será a próxima capa? Pode nos contar?
Martin: A próxima capa é sempre um mistério, já que eu decido na hora. Mas estou ansioso para fazer alguma coisa para o álbum novo da Madonna, "M.D.N.A.", mas ainda tenho que esperar fotos de divulgação do álbum para tentar alguma coisa. O mesmo vale para o "Trespassing" do Adam Lambert.

Curtiu? Veja mais imagens no Flickr do Martin D'Estefani Martinelli!

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