sexta-feira, 29 de junho de 2012

Redes Sociais: Liberdade ou Prisão?

As tão esperadas férias chegaram e com elas mais tempo para respirar e refletir. A tendência nesta época do ano é a de se desligar um pouco do mundo e aproveitar para descansar, mas buscando a liberdade me vi dentro de uma prisão.

Muitas pessoas procuram na Internet uma maneira de serem livres e não percebem como acabam ficando presas dentro de um círculo vicioso. Nas mídias sociais, por exemplo, sentimos uma necessidade irracional de compartilharmos tudo o que vemos, ouvimos, sentimos, pensamos e gostamos ou não.

Enquanto escrevo este texto, fico tentado a olhar o que os amigos, colegas e seguidores estão compartilhando neste exato momento. São notícias, artigos, músicas, vídeos, fofocas, reclamações, imagens engraçadas (ou pelo menos que eles acham ser), entre outras.

Houve um tempo em que eu procurava na Internet um refúgio do mundo real, porém como toda escapada, esta necessita ser temporária. Diferente do que deveria acontecer, as pessoas estão trancadas nos seus mundinhos virtuais e não sabem como escapar.

Nos tornamos escravos robôs e compartilhamos muitas coisas sem nem saber o por quê. Aos poucos comecei a perceber a quantidade de informações pessoais e às vezes, supérfluas, jogadas na rede. Em tempos de interesses, onde vale tudo para conseguir o que se quer, abrimos as portas para pessoas manipuladoras entrarem em nossas vidas. Sabendo tudo o que você gosta e odeia, fica fácil para alguém tentar te impressionar com seus falsos gostos em comum, até que a verdade apareça.

Esta semana aceitei um desconhecido no Facebook, por exemplo, e apesar de não gostar muito de adicionar pessoas que não conheço, me surpreendi com a maneira que minha vida ou melhor, um retalho dela, está exposto para quem desejar ver.  Após os tradicionais cumprimentos, a conversa chegou a este ponto:

“Você estuda jornalismo, algo assim, já viajou para fora do país, vai à academia (...) não sei se trabalha... Esperou 10 anos para sair o jogo Diablo, come doces e tem medo de engordar...”.

Surpreso, perguntei como o usuário sabia todas essas informações e ele me respondeu: “simplesmente está no seu Facebook”. E foi aí que eu comecei a questionar o quanto eu queria realmente compartilhar sobre minha vida para os outros. Todos precisam ter os seus segredos e informações pessoais, caso contrário, não seriam suas, seriam públicas. Nós não sabemos respeitar nossa individualidade e não gostamos quando alguém sabe de algo de nossas vidas, se metem ou até mesmo fazem fofocas e a pergunta que eu faço é: “Até que ponto você deu liberdade para isso?”.

Já cansei de ver pessoas contando sórdidos detalhes nas redes sociais sobre os seus relacionamentos e depois se fazendo de vítimas dizendo que estão fazendo fofocas e se metendo. Como diria uma amiga minha: “Cadê a coerência?”.

Expondo suas amizades, lugares que freqüenta, problemas, alegrias, hábitos e rotinas, além de transformar sua vida em uma espécie de reality show, você tira todo o mistério na hora de conhecer alguém, pois passa-se a impressão de que o outro já sabe tudo sobre você.

Cansado de tantas besteiras compartilhadas, entrei em um processo de desintoxicação das redes sociais. A vontade de excluir cada perfil é grande, pois nada mais são do que nossas representações e demonstram o nosso narcisismo exacerbado. Seria estupidez fechar uma porta para a comunicação, mas mais estúpido ainda seria continuar alimentando o meu vício.

Demorou, mas finalmente a ficha caiu. Está na hora de priorizar mais a vida real do que a virtual. Desplugar é uma tarefa difícil quando vivemos em um mundo híbrido, onde diferentes realidades se cruzam. Enquanto a vida passa, alguns estão vivendo no ciberespaço e se esquecem do que realmente importa, aquilo que nenhum bate-papo, rede social, livro, filme, seriado ou pesquisa na internet vai te proporcionar, vivências.

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