Pular para o conteúdo principal

Destaques

Encha Seu Kindle: Escrita Maldita – Ben Oliveira

Hoje é dia do evento Encha Seu Kindle . Escrita Maldita está entre os inúmeros livros digitais participantes. Espero que aproveitem para baixar e ler. *Promoção encerrada. Sinopse: Após se tornar um best-seller com seu romance de terror de estreia, Daniel Luckman está prestes a realizar um sonho: escrever um livro com Laurence Loud, um dos melhores escritores de horror dos últimos tempos. Quando o colega põe os pés em sua casa, coisas estranhas começam acontecer. A linha entre a ficção e a realidade, a loucura e a sanidade, os pesadelos e as alucinações se dissolvem. Uma história de mistérios, passados sombrios e amor. Quando dois escritores de terror se juntam para escrever uma história, tudo pode acontecer. O processo de criação pode ser intenso, as emoções podem ficar confusas. Você estaria disposto a sacrificar tudo pelos seus sonhos? Leia Escrita Maldita, disponível na Amazon. “Sangue novo na literatura de suspense, nos oferece a estória claustrofóbica de um escritor enredado num...

Deixar de lado

Cansado de remoer situações na mente, foi pouco a pouco deixando de lado, até que as questões não o incomodassem mais. Às vezes, na vida esperamos uma coisa, nos damos de cara com outra. Mesmo a pessoa mais equilibrada do mundo pode se frustrar, sentir raiva, desejar espaço, enfim, fazer o que for necessário para reestabelecer o equilíbrio interno.

A vida não era preto ou branco, havia toda uma área cinzenta. Pessoas não eram completamente boas ou ruins. No entanto, há momentos na vida em que devemos escolher quem vai ficar e quem vai ir, seja pela sua saúde mental ou porque de alguma forma o relacionamento já não faz sentido.

Se dissesse várias vezes não antes seria capaz de evitar que as coisas chegassem a esse ponto? Se dissesse com todas letras o que estava sentindo? Se mostrasse ao outro que nem sempre ele é vítima das situações e precisa ter autorresponsabilidade? Eram muitas perguntas que não teria resposta.

A verdade é que quando você fica preso em uma dinâmica disfuncional, você não só tem dificuldade de impor limites, como o outro fica tão preso no papel da vítima que você evita qualquer coisa que possa decepcionar e, ironicamente, para não machucar, você acaba reforçando comportamentos problemáticos. No entanto, relacionamentos saudáveis pedem por limites e nenhuma pessoa precisa ficar no papel do terapeuta do outro, sequer ser visto como um salvador: é o outro que precisa aprender a salvar a si mesmo.

De tanto engolir as próprias emoções, não poder ser sincero e dizer o que realmente pensa e absorver as constante reclamações e problemas do outro, difícil é não adoecer de uma forma ou outra. Quando você percebe que o peso que tem tanto carregado não é seu para carregar, você precisa devolver ao outro, independente de quanta empatia ou compaixão tenha, em alguns momentos você precisa ter empatia consigo mesmo e autocompaixão.

Levantar o véu e mostrar que as coisas não são como o outro imaginava. Deixar claro que seu papel como amigo também tem limites. Incentivar o outro a assumir o papel na própria narrativa. Não se deixar consumir pelo que não é teu. São tantas coisas que parecem fáceis na teoria, mas na prática podem ser difíceis.

Aceitar que está tudo bem dizer não. Aceitar que você não é responsável pelos problemas do outro. Aceitar que mesmo que você esteja disposto a ouvir, você tem suas próprias demandas. Para, então, perceber que o espaço estava tão preenchido pelo outro e seus problemas, que não havia espaço para si mesmo.

Uma relação que demanda atenção o tempo todo não é saudável. Alguém que está sempre se vitimizando e te jogando na teia de problemas, nem sempre é alguém que vale a pena manter por perto. E está tudo certo. Alguns relacionamentos chegam ao fim de forma inevitável.

É somente recuperando a própria energia. Criando espaço para voltar a respirar novamente. Deixando o desconforto abandonar o corpo e a mente que as coisas voltam a normalizar. Seja com um adeus ou silenciosamente, você descobre que não está disposto a passar mais por determinadas situações. Você conhece o padrão do outro tão bem, que sabe que é só questão de tempo até tudo se repetir e repetir e você ficar preso em um looping problemas que nem são seus, mas de alguma forma por mais que você tente não carregar, eles continuam pesando sua vida.

Então, ao deixar ir, por mais estranho que pareça, talvez a pessoa procure outro alguém para reclamar ou entenda de que, sim, há algo errado quando as pessoas ao seu redor estão te evitando de alguma forma e o que pode fazer para mudar a situação. Mas é somente ao deixar o papel de vítima que o outro pode entender que ninguém é perfeito, todo mundo erra e, às vezes, também somos parte do problema.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

Mais lidas da semana