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Destaques

Revolutionary Love: Série coreana de drama explora o abismo que divide as classes sociais

Embora muitos dramas coreanos pequem na representatividade de diversidade racial e deem pouquíssimo espaço para estrangeiros e imigrantes, a série Revolutionary Love (2017) da tvN e no Brasil disponível temporariamente pela Netflix , acaba indo além dos elementos de comédia e romance, mostrando o drama das diferenças de classes sociais , os preconceitos e a possibilidade de imersão nesse mundo desconhecido pelo filho do dono de um dos maiores conglomerados de empresas da Coreia do Sul . A ingenuidade e a ignorância da realidade das classes trabalhadoras tornam o protagonista um tanto embaraçoso, lembrando de forma vaga a jornada de Buda quando conheceu a realidade fora do palácio e foi confrontado com a fome, a doença, a pobreza e a morte. Longe de ser uma série com alguma alegoria espiritual, mas do ponto de vista do comportamento é interessante acompanhar como Byun Hyuk (Choi Si-won) se torna mais empático e humanizado quando seu caminho cruza com o de Baek Joon (Kang So-ra) . E

Rota 66: A História da Polícia que Mata - Caco Barcellos


"Rota 66: A História da Polícia que Mata", livro-reportagem publicado em 1987 e escrito pelo jornalista Caco Barcellos é resultado de anos de investigação dos homicídios cometidos pelos Policiais Militares da Rota - Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar.

Dividido em três partes, o livro aborda na primeira parte o caso Rota 66; na segunda parte informações sobre os maiores matadores Policiais Militares da Rota e a última parte dedicada aos inocentes vítimas das ações da "polícia que mata".

O jornalista narra o caso conhecido como Rota 66, no qual três jovens foram assassinados por policiais militares sob as acusações de porte e tráfico de drogas, furto de rádios de carro, porte de armas, reação à prisão e tiroteio.

Diferente da maioria dos assassinatos cometidos pelos policiais nos quais as vítimas são pobres e não têm recursos para investigarem o caso ou pedir por respostas a ponto de tornar-se algo comum no cotidian'o e só mais um número para as estatísticas, os jovens assassinados eram de classe média e alta. Após anos de julgamento, os policiais envolvidos no caso saíram impunes.

Além de reportar o caso e as investigações com detalhes e informações com as quais seria possível comprovar as mortes desnecessárias e punir os assassinos, o jornalista Caco Barcellos foi além e investigou outras mortes. O número de homicídios cometidos pelos policiais do batalhão foram tão grandes, que o jornalista descreveu como uma guerra, e inclusive contabilizou o maior número de mortes do que em guerras e conflitos ocorridos no Brasil.

Caco Barcellos investigou um total de 3.523 vítimas, das quais 2.303 eram inocentes e somente 1.496 eram criminosos. Entre os criminosos assassinados, nem todos ofereciam um risco à sociedade a ponto de serem exterminados pela polícia militar.

Não sei dizer o que é mais assustador no incrível trabalho escrito por Caco Barcellos que demonstra as habilidades de investigação, apuração e narração do jornalista,  se são os padrões das vítimas e a maneira que os policiais agem, como matar antes de perguntar ou saber a identidade das vítimas, plantar armas e drogas, mover os corpos e evidências da cena do crime e levar os cadáveres para o hospital, para demonstrar a "tentativa de salvar a vida" ou se é a maneira que esses policiais saíram impunes de todas as acusações e voltam a se comportar como Deuses, prontos para tirarem a vida de quem aparecer nos seus caminhos, sob a justificativa de legítima defesa. Outro fato relevante e também revoltante levantado na reportagem é a exaltação e premiação interna destes policiais.

De diversas histórias chocantes contadas no livro de violência gratuita, assassinato de menores de idade e inocentes, uma delas chamou mais a minha atenção, a de um homem que ouvia todos os dias um programa policial na rádio, no qual o apresentador sempre elogiava o trabalho da Polícia Militar e da ROTA e menosprezava os "criminosos" (vítimas). O próprio homem que acreditava na importância do batalhão da polícia foi assassinado e ofendido na manhã do outro dia no seu programa de rádio favorito.

Quem vê o livro pronto não imagina o trabalho que deu para produzir esta mega reportagem. Ao longo da obra, o jornalista relata as entrevistas, análises e cruzamentos de dados realizados, como pesquisas no extinto jornal Notícias Populares, boletins de ocorrência, documentos do Instituto Médico Legal (IML) e processos de crimes dos matadores da Polícia Militar. Enquanto pouquíssimos policiais foram condenados e afastados, outros continuaram em suas funções. No decorrer do livro fica claro como esses policiais torturam e matam para satisfazerem os seus prazeres e egos.

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