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Resenha: Flores para Algernon – Daniel Keyes

Nossas percepções do mundo são moldadas por nossas habilidades cognitivas, o que, muitas vezes, também formam a visão que os outros têm de nós, especialmente em sociedades em que as pessoas têm dificuldade de ter empatia e respeito por pessoas diferentes. No livro Flores para Algernon (Flowers for Algernon), o escritor Daniel Keyes narra a história de Charlie, um rapaz com deficiência intelectual grave (no livro descrito como retardo mental) que é convidado a participar de uma cirurgia capaz de aumentar seu quociente de inteligência. No Brasil, a obra foi publicada pela Editora Aleph, em 2018, com tradução de Luisa Geisler.


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Flores para Algernon é uma leitura desconfortável, já que à medida que o personagem principal toma consciência da maneira que ele é tratado pelos outros, é difícil não sentir sua dor e refletir sobre como o preconceito e a discriminação estão enraizados na sociedade.

Quem você se torna quand…

Somos nossos piores inimigos

Nosso maior inimigo não é invisível. Ele está onde nós menos imaginamos e é o último a ser apontado como o responsável pelos nossos erros. Thomas Hobbes dizia que o homem é o lobo do homem em um diferente contexto. Esqueceram de dizer que às vezes nós somos nossos próprios lobos.

É preciso tomar cuidado com nossos sonhos, desejos, medos e críticas. Esses quatro elementos combinados são poderosos e definem como a nossa vida foi, é e será. Ao mesmo tempo em que eles podem se complementar e nos fortalecerem, quando estão fora de equilíbrio os mesmos podem se transformar na nossa pior e mais potente ferramenta de destruição.

Sonhar demais nos faz pensar que podemos ir além do que algum dia conseguiremos. É preciso ter os pés no chão e lutar para não deixar a tentação do mundo dos sonhos nos segurar e o pior de tudo, nos transformar em seus escravos. "Alice, acorda. O mundo está em chamas!".

Todos nós somos movidos por desejos, mas quantas vezes desejamos aquilo que não podemos oferecer? É simples... Acabamos idealizando pessoas, situações e relacionamentos e nos desapontamos quando não temos aquilo o que desejamos. Pessoas desejando relacionamentos sérios, mas se jogando aos sete ventos. Algumas procurando alguém que as valorize pelo que elas são, quando tudo o que se importam é com a aparência. Tão utópica como as pessoas que procuram seres humanos com corpos, rostos e personalidades perfeitos, estão as que além disto querem também um relacionamento perfeito. Compartilho um dos conselhos que eu já ouvi e nunca vou esquecer: "Pare de procurar o amor. Seja amor".

Um pouco de medo é saudável e serve para nos alertar sobre os possíveis perigos. Todavia, existem aqueles que deixam o medo os sufocarem. O excesso de medo mata os sonhos e os desejos. Viver sem medos é tão perigoso quanto se limitar. Não sei o que é pior, viver como um mini-Deus ou se esconder nas trevas da ignorância.

O último e talvez o mais temeroso dos elementos é a crítica. Vivemos criticando as atitudes dos outros e quando mal nos damos conta estamos fazendo exatamente aquilo o que nós criticamos.

Está na hora de aprendermos a balancear nossas vidas, antes que nossos próprios lobos comam o que restaram de nós. Finalizo o texto com uma frase que eu li pichada em um muro próximo à universidade: "O homem não precisa ser lobo de ninguém".

Leia também: Somos narradores de nossas próprias histórias

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