quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Jornalismo Cultural é tema de palestra na UCDB

Repórter de O Estado, Laís Camargo abordou
o jornalismo cultural em palestra.
Foto: Hygor Benevides.
*Texto: Ben Oliveira

No dia 7 de novembro de 2012, às 8h, a jornalista Laís Camargo ministrou uma palestra sobre Jornalismo Cultural durante o PropUP – Eleve suas ideias, evento realizado pelo curso de Publicidade e Propaganda da UCDB e pela Agência Experimental Mais Comunicação, no auditório da biblioteca da Universidade Católica Dom Bosco de Campo Grande (MS).

Repórter do jornal impresso O Estado, Laís Camargo compartilhou suas experiências, deu dicas e comentou sobre as reportagens que mais deram trabalho para produzir. Formada na instituição de ensino superior, a jornalista explicou a importância dos jornalistas, principalmente da área cultural, e outros profissionais da área de comunicação conhecerem os projetos culturais do Estado, como Fundo de Investimentos Culturais do Estado (FIC) e Fundo Municipal de Investimento Cultural (FMIC).

“Quando um artista pega um projeto patrocinado, ele não precisa investir o dinheiro dele, mas tem que dar vários respaldos para a sociedade, como shows gratuitos e eventos de lançamento", explica Laís Camargo. A palestrante ensina que ao serem selecionados para um edital e receberem recursos do governo, os artistas precisam divulgar o que estão fazendo e divulgar os patrocinadores. Segundo Laís Camargo, muitos artistas sobrevivem de editais e outros não recebem apoio das Fundações municipais, como o Sarau do Zé Geral que conta com recursos próprios e para a profissional é necessário que a imprensa também incentive a cultura.

Segundo a repórter, o jornalismo cultural acontece diariamente e os assessores de imprensa dos artistas devem se organizar e montar um plano para divulgação do trabalho. “Redação tem horário e jornalista não tem tempo para ficar ouvindo”, Laís Camargo lembra que os jornalistas ficam na correria do dia-a-dia nas redações, portanto é preciso que o assessor saiba quais horários e datas são mais adequados para fazer contato e enviar releases. A palestrante também argumentou sobre a necessidade de se criar um conteúdo atrativamente comercial.

Imagem é tudo – Sobre as fotografias culturais, Laís Camargo contou que é necessário tentar alcançar um equilíbrio entre fotojornalismo e foto-artística. No jornalismo diário, por exemplo, a prioridade vai para a fotografia mais informativa, enquanto em outros produtos, como uma revista, é possível publicar uma imagem mais criativa.

A jornalista criticou as imagens em baixa qualidade enviadas pelas assessorias que não podem ser utilizadas por conta da dimensão. Se um repórter está escrevendo uma matéria cultural e não está presente, Laís Camargo sugere que o profissional conheça outros veículos de comunicação do estado e faça alguma parceria. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, um projeto da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), o Portal de Mídia mapeou a imprensa do estado.

Festivais – Diferente do que muitos acadêmicos de jornalismo devem pensar, nos festivais culturais os jornalistas trabalham muito e dormem pouco, longe do glamour imaginado. Em Mato Grosso do Sul, Laís citou o Festival de Inverno de Bonito e o Festival da América do Sul e comentou que os eventos são relevantes para o jornalismo cultural. “Eles aglutinam informações muito grandes, você vê pessoas de outros países e outros estados, palestras e apresentações”, acredita.

Cobrir os festivais, de acordo com Laís, contribui para o treinamento dos jornalistas na questão do dinamismo, pois o profissional precisa estar em todos os lugares ao mesmo tempo. “É super cansativo, mas é fantástico”, compartilha. Ao participar destes eventos, o jornalista consegue perceber as deficiências de estrutura, perceber o que precisa melhorar e descobrir novidades.

Sobre os shows e eventos culturais, a repórter falou que o profissional não tem a obrigação de falar só porque foi cobrir e se o mesmo não gostou da apresentação, ele precisa ter argumentos concretos. “Um show marca a vida das pessoas. É muito interessante você dar o feedback para os artistas”, acrescenta. Para a palestrante, no jornalismo cultural é possível quebrar a barreira e mito da imparcialidade, e não basta para o jornalista simplesmente descrever o que aconteceu.

Conheça seu Estado – Laís Camargo falou sobre a importância de conhecer o próprio estado, pois para escrever sobre algo você precisa dominar o assunto. Segundo a palestrante, o jornalista precisa saber quem são: Glauce Rocha, Lydia Bais, José Octávio Guizzo, Zé Correa, Almir Sater, Geraldo Espíndola, Lenilde Ramos e Marcelo Loureiro.

"Viajar é essencial para o jornalismo cultural. Você não consegue comparar se você não conhecer outras realidades”, acredita Laís Camargo. Para finalizar, a jornalista comentou sobre a Bolívia e Peru, países onde há muita pobreza, mas é visível a riqueza cultural. Laís também aproveitou para falar sobre o seu Trabalho de Conclusão de Curso, o livro-reportagem fotográfico "Bagagem contada" sobre viagens independentes para Bolívia e Peru que será publicado no final deste ano.

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