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Destaques

Posicionado

Diante de mais de 5 mil denúncias de Assédio Eleitoral, começo a me perguntar se poder se posicionar é um privilégio que nem todos têm. Então, o não posicionamento do outro nem sempre tem a ver com o que ele pensa, mas por questões que não precisa se justificar. Quando colocamos expectativas em algo e/ou alguém, estamos sujeitos à frustração. É normal sentir decepção quando algo não acontece do modo que esperávamos, mas nem tudo é simples como parece. Enquanto milhões de brasileiros usaram as redes sociais para se posicionar, teve muita gente que não fez, não necessariamente porque não queria. Então, diante do medo e do assédio eleitoral, ou por qualquer outro motivo, temos que aceitar que cada um fez o melhor que pode e cada um sabe o que é melhor para si mesmo. Tenho muita gratidão por cada pessoa que se manifestou. Mas também carrego a esperança de que nem todo mundo pode ou quer, seja lá por qual motivo e está tudo bem. Amadurecer envolve lidar com a frustração.  Então, só entã...

Finais de estórias e relacionamentos

Texto: Ben Oliveira

Encerrar uma estória é mais ou menos como terminar um relacionamento. Você não consegue dizer se se esforçou ao máximo ou se poderia ter feito algo a mais.

Você começa o texto de uma forma, coloca uma palavra aqui, outra ali, imagina um final, mas quando chega o momento de colocar o último ponto final, percebe que a estória ganhou vida própria e nada é como você tinha pensado.

De repente, você está pensando como é que foi deixar aquilo acontecer. Até notar que algumas coisas fogem ao seu controle. Falou demais, de menos, pensou muito, viveu pouco... Aproveitou à sua maneira.

No primeiro dia você se sente um pouco triste. Todo aquele tempo destinado a escrever os capítulos daquela estória se esgotou. Você está olhando para o papel e ainda não caiu a ficha do que aconteceu. Secretamente você desejou que aquilo nunca pudesse acabar.

Após um dia, você relê o texto e acredita que poderia mudar algumas passagens. Talvez tinha alguma frase dita fora do lugar, alguma descrição mal feita, algum pensamento incompreendido. Você se vê mergulhado em águas negras, atormentado por dúvidas e visões relacionadas aos seus ideais.

O terceiro dia é aquele em que você decide o que fará ou não com a estória. Ela está boa? Era o que você pretendia contar? Para te ajudar, você pede para outra pessoa lê-la e não fica surpreso quando vê que ela também está insegura para te dar uma resposta.

Ficar preso naquela indecisão não estava te fazendo bem. Decidiu confrontar os seus medos, suas verdades, sua preguiça. Teria duas escolhas para fazer: ou continuaria revisando aquela estória ou a terminaria de vez. De uma coisa você estava certo, não importava qual caminho seguisse, ainda não acharia que ela estava boa o suficiente ou pronta para se desapegar.

É... Relacionamentos são mais parecidos com estórias do que imaginamos.

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