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Destaques

Dose de pausa

Diante de tragédias, muitas vezes precisamos pausar. Mas o que costuma acontecer é o oposto. O assunto acaba gerando cada vez mais engajamento. Como encarar tantos comentários cheios de julgamentos? Como perceber que as pessoas têm uma certa dose de superioridade e gostam de comentar sobre o outro como se fossem especialistas e modelos de comportamento. É verdade que alguns comportamentos machucavam, mas havia algo que os outros não conseguiam enxergar. Talvez já havia todo um sofrimento antes da traição. Se tem algo que eu entendo é de traição. Mas também entendo que as pessoas precisam pegar mais leve com quem está do outro lado da tela e lembrar que são seres humanos. Talvez por sermos todos humanos, acabamos caindo na racionalização ou emocionalização, temos dificuldade de encontrar um lugar no meio. A verdade é que, muitas vezes, pausar era melhor do que se pronunciar. Quando o assunto é cutucado vez atrás de vez, é como se a ferida continuasse aberta e o luto não encontra espaço....

Finais de estórias e relacionamentos

Texto: Ben Oliveira

Encerrar uma estória é mais ou menos como terminar um relacionamento. Você não consegue dizer se se esforçou ao máximo ou se poderia ter feito algo a mais.

Você começa o texto de uma forma, coloca uma palavra aqui, outra ali, imagina um final, mas quando chega o momento de colocar o último ponto final, percebe que a estória ganhou vida própria e nada é como você tinha pensado.

De repente, você está pensando como é que foi deixar aquilo acontecer. Até notar que algumas coisas fogem ao seu controle. Falou demais, de menos, pensou muito, viveu pouco... Aproveitou à sua maneira.

No primeiro dia você se sente um pouco triste. Todo aquele tempo destinado a escrever os capítulos daquela estória se esgotou. Você está olhando para o papel e ainda não caiu a ficha do que aconteceu. Secretamente você desejou que aquilo nunca pudesse acabar.

Após um dia, você relê o texto e acredita que poderia mudar algumas passagens. Talvez tinha alguma frase dita fora do lugar, alguma descrição mal feita, algum pensamento incompreendido. Você se vê mergulhado em águas negras, atormentado por dúvidas e visões relacionadas aos seus ideais.

O terceiro dia é aquele em que você decide o que fará ou não com a estória. Ela está boa? Era o que você pretendia contar? Para te ajudar, você pede para outra pessoa lê-la e não fica surpreso quando vê que ela também está insegura para te dar uma resposta.

Ficar preso naquela indecisão não estava te fazendo bem. Decidiu confrontar os seus medos, suas verdades, sua preguiça. Teria duas escolhas para fazer: ou continuaria revisando aquela estória ou a terminaria de vez. De uma coisa você estava certo, não importava qual caminho seguisse, ainda não acharia que ela estava boa o suficiente ou pronta para se desapegar.

É... Relacionamentos são mais parecidos com estórias do que imaginamos.

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