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Eutimia

Dias de Eutimia. Não fazia a mínima ideia de quanto tempo ia durar, mas sabia que precisava confiar no processo, sem deixar o medo de um próximo episódio bipolar acontecer. Era verdade que não era fácil. Tinha ficado com hipervigilância – era a forma do cérebro entrar em estado de alerta a qualquer alteração –, mas se preocupar em excesso poderia ser pior do que não se preocupar. Três anos sem uma crise, estava mais do que contente com a eutimia. Até quando ia durar? Não sabia. O que sabia é que poderia prever os gatilhos e comportamentos e diminuir o seu impacto. Para quem vicia com transtorno bipolar, era preciso não só tomar remédios e fazer terapia, mas alterar hábitos e rotina. Há alguns meses tinha começado a monitorar o humor, energia e ansiedade diariamente. Nem sempre era agradável e tinha dias que tinha preguiça de preencher a ficha, mas sabia que era uma forma a mais de garantir mais consciência sobre a própria saúde mental. Então, mesmo quando tinha um dia bom, às vezes fic...

Crítica Dezesseis Luas – filme é decepcionante


Texto: Ben Oliveira

Ontem à noite fui assistir Dezesseis Luas (Beautiful Creatures) e se eu pudesse definir o filme em uma palavra seria decepcionante. Lançado nesta sexta-feira, 01 de março, no Brasil, o filme foi dirigido por Richard LaGravenese e é do gênero fantasia, baseado no livro homônimo, escrito por Kami Garcia e Margaret Stohl.

Não sei dizer se fiquei decepcionado por causa das expectativas de assistir Dezesseis Luas, mas uma série de elementos fizeram o filme que poderia ser um sucesso se transformar em uma produção Hollywoodiana frustrante.

Meu espanto começou antes mesmo de entrar na sessão de Beautiful Creatures. Ao passar em frente do cartaz do filme, uma frase fez os meus olhos virarem e saberem logo de cara que a produção deixaria a desejar – "O novo Crepúsculo". Fiquei pensando em como, atualmente, quase todos os filmes e livros deste gênero são comparados à Crepúsculo, e o quanto isso não dá maior ou menor credibilidade para uma obra.

Sabe um daqueles filmes que você imagina a sala estar tão lotada que você precisa reservar o seu ingresso antes de assistir? Eu pensei que a sala de Dezesseis Luas fosse estar tão lotada que teríamos que comprar o ingresso antecipado. Fiquei surpreso ao entrar na sessão do filme e descobrir que a sala estava vazia.

Tive que olhar a filmografia no IMDB dos dois atores principais do filme: Alice Englert (Lena) e Alden Ehrenreich (Ethan), pois a atuação deles me fez questionar sobre a escolha deles para protagonizarem Dezesseis Luas. Os atores: Jeremy Irons (Macon), Viola Davis (Amma) e Emma Thompson (Sarafine) roubam a cena e qualquer destaque que os personagens principais do filme deveriam ter.

Mesmo que fictícia ou fantasiosa, os teóricos literários dizem que uma boa história deve parecer real. No cinema, mais do que na literatura, diversos elementos contribuem para a imersão do telespectador no filme, mas em Dezesseis Luas, eu senti que isto não aconteceu, pelo menos comigo. Algumas falhas de roteiro e de edição ficaram aparentes ao longo do filme.

Além do envolvimento superficial entre os personagens principais e o amor repentino, os efeitos especiais de Beautiful Creatures também não contribuem com a produção. De todos os momentos péssimos visuais, eu consigo me lembrar de uma cena em que começa a nevar e por incrível que pareça, nenhum floco de neve cai sobre os personagens – a não ser que eles tenham algum escudo imaginário de proteção, o que pode ser que eu esteja enganado, a cena não pareceu nem um pouco realista.

O que poderia ter sido um bom filme, cujos telespectadores pudessem se identificar com a vontade de Ethan de sair da sua cidade, pois se sente preso e com o amor impossível entre os protagonistas, foi, pelo menos para mim, um fracasso cinematográfico. Dezesseis Luas é um daqueles filmes em que você fica esperando algo melhor acontecer, um clímax que nunca aparece, e a única pergunta que se passa na sua cabeça é: "Falta quanto tempo para acabar este filme?".

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