Pular para o conteúdo principal

Destaques

Ressignificar dia após dia

A linha era tênue entre a verdade e a autoficção, mas a literatura era um espaço para criar e não tinha compromisso com a realidade. Como tinta invisível, personagens às vezes se misturam e podem confundir. Um personagem pode ser vários e a graça não está em descobrir quem é quem, mas de aproveitar a leitura. Escrever em blog poderia não ser a mesma coisa do que escrever um livro de ficção ou de memórias, mas a verdade era que acabava servindo para as duas coisas. Às vezes o passado estava no passado. Às vezes o presente apontava para o futuro. Mas nunca dá para saber sobre quem se está escrevendo e há beleza nisso. A beleza de que personagens não eram pessoas, de que não precisava contar a verdade sempre, que às vezes quatro personagens poderiam se tornar um. Saber quem é quem parecia o menos importante, mas apreciar a beleza das entrelinhas. Ia escrevendo como uma forma de esvaziar a mente e o coração, sentindo o corpo mais leve. Escrevia e continuaria escrevendo sempre que sentisse ...

Crítica Dezesseis Luas – filme é decepcionante


Texto: Ben Oliveira

Ontem à noite fui assistir Dezesseis Luas (Beautiful Creatures) e se eu pudesse definir o filme em uma palavra seria decepcionante. Lançado nesta sexta-feira, 01 de março, no Brasil, o filme foi dirigido por Richard LaGravenese e é do gênero fantasia, baseado no livro homônimo, escrito por Kami Garcia e Margaret Stohl.

Não sei dizer se fiquei decepcionado por causa das expectativas de assistir Dezesseis Luas, mas uma série de elementos fizeram o filme que poderia ser um sucesso se transformar em uma produção Hollywoodiana frustrante.

Meu espanto começou antes mesmo de entrar na sessão de Beautiful Creatures. Ao passar em frente do cartaz do filme, uma frase fez os meus olhos virarem e saberem logo de cara que a produção deixaria a desejar – "O novo Crepúsculo". Fiquei pensando em como, atualmente, quase todos os filmes e livros deste gênero são comparados à Crepúsculo, e o quanto isso não dá maior ou menor credibilidade para uma obra.

Sabe um daqueles filmes que você imagina a sala estar tão lotada que você precisa reservar o seu ingresso antes de assistir? Eu pensei que a sala de Dezesseis Luas fosse estar tão lotada que teríamos que comprar o ingresso antecipado. Fiquei surpreso ao entrar na sessão do filme e descobrir que a sala estava vazia.

Tive que olhar a filmografia no IMDB dos dois atores principais do filme: Alice Englert (Lena) e Alden Ehrenreich (Ethan), pois a atuação deles me fez questionar sobre a escolha deles para protagonizarem Dezesseis Luas. Os atores: Jeremy Irons (Macon), Viola Davis (Amma) e Emma Thompson (Sarafine) roubam a cena e qualquer destaque que os personagens principais do filme deveriam ter.

Mesmo que fictícia ou fantasiosa, os teóricos literários dizem que uma boa história deve parecer real. No cinema, mais do que na literatura, diversos elementos contribuem para a imersão do telespectador no filme, mas em Dezesseis Luas, eu senti que isto não aconteceu, pelo menos comigo. Algumas falhas de roteiro e de edição ficaram aparentes ao longo do filme.

Além do envolvimento superficial entre os personagens principais e o amor repentino, os efeitos especiais de Beautiful Creatures também não contribuem com a produção. De todos os momentos péssimos visuais, eu consigo me lembrar de uma cena em que começa a nevar e por incrível que pareça, nenhum floco de neve cai sobre os personagens – a não ser que eles tenham algum escudo imaginário de proteção, o que pode ser que eu esteja enganado, a cena não pareceu nem um pouco realista.

O que poderia ter sido um bom filme, cujos telespectadores pudessem se identificar com a vontade de Ethan de sair da sua cidade, pois se sente preso e com o amor impossível entre os protagonistas, foi, pelo menos para mim, um fracasso cinematográfico. Dezesseis Luas é um daqueles filmes em que você fica esperando algo melhor acontecer, um clímax que nunca aparece, e a única pergunta que se passa na sua cabeça é: "Falta quanto tempo para acabar este filme?".

Mais lidas da semana