Cicatrização
Não era o tempo sozinho que cicatrizava as feridas. Sabia disso cada vez mais. Em um ato de celebração de uma pequena conquista, não se lembrava da última vez que havia pensado no outro. Era verdade que dia após dia, construindo mais autoconhecimento e cuidando das diferentes partes de si, muitas vezes, você ocupava o espaço ocioso que te fazia pensar no outro. Mas não se tratava meramente de se ocupar, sim de conscientemente deixar o outro, se soltando um dia atrás do outro. Às vezes, no entanto, bastava alguém lembrar do outro para que as memórias viessem à tona. Era preciso um tempo para acolher, então deixar as memórias irem. Esse outro eram várias pessoas. Durante um bom tempo uma parte de si havia ficado presa ao passado, mas agora ela havia se libertado. A ferida se fechara e tudo o que restava era cicatrização. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror Escrita Maldita , p ublicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxo...