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Destaques

Virada

É na esperança de uma virada que muita gente se uniu e se posicionou. Há tempos não vinha tanta mobiliza nas redes sociais. Foi algo lindo de ver.  Uma virada ainda é possível? Tudo pode acontecer em uma semana. Vejo as pessoas tirando um tempo para engajar e conhecer outras pessoas que vão votar no mesmo candidato. E quando a pesquisa mostrou virada, não havia como não sentir esperança. A verdade era que muita gente tinha medo de se posicionar, mas com a chegada das eleições, sabia que não havia tempo a perder  Então, seguia escrevendo, na esperança de que ainda fosse possível. Na esperança de que dias melhores viriam. Na esperança de uma virada.  Como com grande parte dos artistas por aqui não tinha como ser diferente. Nem mesmo era uma opção a se considerar. Tudo o que poderia fazer era torcer para uma virada. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escrita Maldita , p ublicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Br...

Banheiros que te quero bem - Julio Mesquita


O meu gosto por banheiro já vem de longa data, talvez até antes de ter nítida consciência de suas verdadeiras funções. Lembro-me dos mais belos que conheci em viagens por Portugal, pelo Chile, Argentina e Bolívia. Além claro dos mais feios e fétidos.

Logo que inauguraram os banheiros públicos automáticos, corri para vê-los e, sem demasiada espontaneidade, também usá-los, isso apenas algumas vezes.

Gosto dos banheiros das bibliotecas, são quietos, cultos, inteligentes e introvertidos. Os dos shoppings são legais, mas o barulho, os dizeres a caneta, o vassourão do faxineiro e todo aquele entra e sai, são os pontos fracos desse santuário. Os da minha faculdade são curiosíssimos. Acho que por ter um público muito uniforme, tanto na idade quanto nos objetivos, denotam peculiaridades bem mais agradáveis de ouvir e observar. É a porta batendo, gargalhadas e gritarias, o som das descargas repetidas vezes, o jorrar das inúmeras torneiras, as misturas de vozes, o toque irritante dos celulares, o grafiteiro gozador que pichou: “Peguei a mais gostosa desse semestre”, além do espelho tridimensional, o qual revela os mais estranhos rostos do futuro.

Todo esse cenário, com seus coadjuvantes, faz de mim espectador protagonista do cotidiano louco, que mistura gente fina com gente grossa, isso no sentido literal da palavra, a fim de dar sentido as emoções que sinto ao viver toda esta experiência. Quando menos se espera, volta o faxineiro com um olhar mal-humorado, meio desconfiado e arrastando aquele pano que mais parece uma bruxa, cuidando sempre da retaguarda, prevenindo-se de algum descuidado.

Adoro banheiro fresco, fresco que eu digo é de frescura mesmo. Esses que você entra e não sabe onde apertar, e acaba descobrindo que não há contato das mãos, só dos pés, pura frescura de alguém bem preocupado com a higiene.

É óbvio que nem todo banheiro é um primor de limpeza, de odor e boas freqüências. Acreditem que, um dia desses, fui até lá em uma igreja católica cumprir com minha obrigação física. Depois do ato consumado, apertei a válvula e saiu água por todos os lados. A vontade que eu tinha era de imediato, sair correndo com a calça até os joelhos por entre a igreja. Mas contive-me e fiquei com a calça nos joelhos no corredor mesmo.

É bom que se cuide bem do banheiro, senão um dia, ele pode se vingar de você ou dos seus convidados.

*Julio Mesquita é publicitário e escritor. Site: www.juliomesquitaescritor.com / E-mail:mesquita.julio@uol.com.br

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