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Destaques

Dias de sono

Os dias de sono voltaram. Dias em que parecia que não importava o quanto dormisse, sentia mais vontade de dormir. Uma fome sem fim. Seria desejo de sonhar? Vontade de esquecer um pouco a realidade? Ou quem sabe algo ligado à mudança de tempo? Não sabia definir completamente. Sabia que os dias estavam passando. Sabia que faltavam poucos dias para completar um ano sem cigarro, aquilo que costumava usar para manter acordado ao se levantar junto com o cafezinho. Em um ano muita coisa poderia mudar. E era inevitável não encarar as mudanças. Tinha dias de nostalgia, mas também dias em que queria se manter firme no momento presente. Escrevia para manter viva a chama da criatividade. Escrevia para se entender melhor e também para que o leitor se compreendesse. Escrevia. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escritpa Maldita , p ublicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano:  O Círculo (Vol.1)  e  O Liv...

Banheiros que te quero bem - Julio Mesquita


O meu gosto por banheiro já vem de longa data, talvez até antes de ter nítida consciência de suas verdadeiras funções. Lembro-me dos mais belos que conheci em viagens por Portugal, pelo Chile, Argentina e Bolívia. Além claro dos mais feios e fétidos.

Logo que inauguraram os banheiros públicos automáticos, corri para vê-los e, sem demasiada espontaneidade, também usá-los, isso apenas algumas vezes.

Gosto dos banheiros das bibliotecas, são quietos, cultos, inteligentes e introvertidos. Os dos shoppings são legais, mas o barulho, os dizeres a caneta, o vassourão do faxineiro e todo aquele entra e sai, são os pontos fracos desse santuário. Os da minha faculdade são curiosíssimos. Acho que por ter um público muito uniforme, tanto na idade quanto nos objetivos, denotam peculiaridades bem mais agradáveis de ouvir e observar. É a porta batendo, gargalhadas e gritarias, o som das descargas repetidas vezes, o jorrar das inúmeras torneiras, as misturas de vozes, o toque irritante dos celulares, o grafiteiro gozador que pichou: “Peguei a mais gostosa desse semestre”, além do espelho tridimensional, o qual revela os mais estranhos rostos do futuro.

Todo esse cenário, com seus coadjuvantes, faz de mim espectador protagonista do cotidiano louco, que mistura gente fina com gente grossa, isso no sentido literal da palavra, a fim de dar sentido as emoções que sinto ao viver toda esta experiência. Quando menos se espera, volta o faxineiro com um olhar mal-humorado, meio desconfiado e arrastando aquele pano que mais parece uma bruxa, cuidando sempre da retaguarda, prevenindo-se de algum descuidado.

Adoro banheiro fresco, fresco que eu digo é de frescura mesmo. Esses que você entra e não sabe onde apertar, e acaba descobrindo que não há contato das mãos, só dos pés, pura frescura de alguém bem preocupado com a higiene.

É óbvio que nem todo banheiro é um primor de limpeza, de odor e boas freqüências. Acreditem que, um dia desses, fui até lá em uma igreja católica cumprir com minha obrigação física. Depois do ato consumado, apertei a válvula e saiu água por todos os lados. A vontade que eu tinha era de imediato, sair correndo com a calça até os joelhos por entre a igreja. Mas contive-me e fiquei com a calça nos joelhos no corredor mesmo.

É bom que se cuide bem do banheiro, senão um dia, ele pode se vingar de você ou dos seus convidados.

*Julio Mesquita é publicitário e escritor. Site: www.juliomesquitaescritor.com / E-mail:mesquita.julio@uol.com.br

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