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Destaques

Resenha: Vox – Christina Dalcher

Depois do sucesso da distopia O Conto da Aia (The Handmaid’s Tale) com a adaptação em série de televisão para o Hulu (serviço de streaming), é impossível ler Vox sem pensar no romance da autora canadense Margaret Atwood. A obra de ficção da escritora Christina Dalcher foi publicada no Brasil pela Editora Arqueiro, em 2018, com tradução de Alves Calado.


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Livros como Vox, vão além do entretenimento, e nos lembram da importância da democracia e dos perigos da mistura entre religião e política, especialmente em tempos de conservadorismo hipócrita que alimenta a intolerância e a violência. Enquanto para algumas pessoas, essas questões provocam ansiedade, há quem ache um exagero – como aconteceu com a Dra. Jean McClellan, até ela perceber que era tarde demais.

A história se passa nos Estados Unidos. O que pareceria um absurdo se tornou a realidade do país com a ascensão do Movimento Puro e a limitação de 100 palavras por dia para…

Banheiros que te quero bem - Julio Mesquita


O meu gosto por banheiro já vem de longa data, talvez até antes de ter nítida consciência de suas verdadeiras funções. Lembro-me dos mais belos que conheci em viagens por Portugal, pelo Chile, Argentina e Bolívia. Além claro dos mais feios e fétidos.

Logo que inauguraram os banheiros públicos automáticos, corri para vê-los e, sem demasiada espontaneidade, também usá-los, isso apenas algumas vezes.

Gosto dos banheiros das bibliotecas, são quietos, cultos, inteligentes e introvertidos. Os dos shoppings são legais, mas o barulho, os dizeres a caneta, o vassourão do faxineiro e todo aquele entra e sai, são os pontos fracos desse santuário. Os da minha faculdade são curiosíssimos. Acho que por ter um público muito uniforme, tanto na idade quanto nos objetivos, denotam peculiaridades bem mais agradáveis de ouvir e observar. É a porta batendo, gargalhadas e gritarias, o som das descargas repetidas vezes, o jorrar das inúmeras torneiras, as misturas de vozes, o toque irritante dos celulares, o grafiteiro gozador que pichou: “Peguei a mais gostosa desse semestre”, além do espelho tridimensional, o qual revela os mais estranhos rostos do futuro.

Todo esse cenário, com seus coadjuvantes, faz de mim espectador protagonista do cotidiano louco, que mistura gente fina com gente grossa, isso no sentido literal da palavra, a fim de dar sentido as emoções que sinto ao viver toda esta experiência. Quando menos se espera, volta o faxineiro com um olhar mal-humorado, meio desconfiado e arrastando aquele pano que mais parece uma bruxa, cuidando sempre da retaguarda, prevenindo-se de algum descuidado.

Adoro banheiro fresco, fresco que eu digo é de frescura mesmo. Esses que você entra e não sabe onde apertar, e acaba descobrindo que não há contato das mãos, só dos pés, pura frescura de alguém bem preocupado com a higiene.

É óbvio que nem todo banheiro é um primor de limpeza, de odor e boas freqüências. Acreditem que, um dia desses, fui até lá em uma igreja católica cumprir com minha obrigação física. Depois do ato consumado, apertei a válvula e saiu água por todos os lados. A vontade que eu tinha era de imediato, sair correndo com a calça até os joelhos por entre a igreja. Mas contive-me e fiquei com a calça nos joelhos no corredor mesmo.

É bom que se cuide bem do banheiro, senão um dia, ele pode se vingar de você ou dos seus convidados.

*Julio Mesquita é publicitário e escritor. Site: www.juliomesquitaescritor.com / E-mail:mesquita.julio@uol.com.br

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