segunda-feira, 10 de junho de 2013

Resenha Homo Videns: Televisão e Pós Pensamento – Giovanni Sartori

Homo Videns: Televisão e pós pensamento é o nome do livro escrito por Giovanni Sartori, lançado em 1997 e traduzido em 2001 para o Brasil, no qual o cientista político italiano aborda a mudança do comportamento humano com o progresso tecnológico e a utilização de um dos meios de comunicação de massa com maior audiência, a televisão.

Utilizada para informar, formar opiniões, confundir, mentir, manipular, omitir, distrair, entre outras ações resultantes da televisão, os humanos acabaram se acostumando com o meio de comunicação e, muitas vezes, nem mesmo questionam o que está sendo transmitido: verdadeiro ou não?

Com o livro, Giovanni Sartori aborda a mudança do homem, proporcionada pelo processo revolucionário dos meios de comunicação, da qual as pessoas tiveram e ainda têm a capacidade de se verem à distância.

“O vídeo está transformando o homem sapiens produzido pela cultura escrita em um homo videns no qual a palavra vem sendo destronada pela imagem”, acredita o cientista político. Com esta tese, o livro fala sobre como a televisão está transformando os humanos, por exemplo, atualmente as crianças aprendem a assisti-la antes mesmo de aprenderem a ler e escrever.

Estando ciente da tese de Giovanni Sartori fica mais fácil entender a proposta do livro. Dividido em três capítulos, cada um deles trata de um ponto diferente, sendo o primeiro relacionado à imagem (ver sem entender), o segundo a videopolítica (poder político da televisão) e o último à democracia.

Por que é importante criticar a televisão e o Homo Videns? O cientista político afirma que vivemos em uma época na qual as pessoas acreditam em tudo o que assistem, sem nem mesmo questionarem sua veracidade. Além das consequências desta ingenuidade, a televisão também acaba contribuindo para a desinformação, pois nem tudo o que é informado se transforma em conhecimento.

Um reflexo desta transformação do Homo Sapiens em Homo Videns é a de que o pensamento está sendo substituído pelo pós-pensamento, desaparecendo também a capacidade de conceber ideias claras e distintas.

A primazia da imagem

Neste capítulo, Giovanni Sartori fala sobre como o Homo Sapiens (animal racional, ser humano) se transformou em Homo Videns. Se em outras épocas as pessoas davam preferência para a oralidade e leitura, no século atual, as pessoas são dominadas pela imagem.

Segundo o cientista político, com esta preferência do homem pelas imagens, aconteceu uma metamorfose, gerando um novo tipo de ser humano, na qual a sociedade recebe estímulos audiovisuais e os incorpora em sua cultura e comportamento.

Enquanto algumas pessoas veem a televisão como um símbolo de progresso, Giovanni Sartori afirma que a mesma acaba afirmando que um melhoramento quantitativo, não é um melhoramento, devido à baixa qualidade presente neste meio de comunicação.

Além do retrocesso qualitativo, a televisão também contribui com a atrofia da capacidade dos homens de compreender e produzir ideias, em alta escala. As pessoas estão lendo cada vez menos jornais, revistas e livros e substituindo essas fontes pelo meio televisivo.

A opinião teledirigida

No segundo capítulo de Homo Videns, Giovanni Sartori fala sobre o papel da televisão na vida das pessoas, principalmente quando se trata do entretenimento e distração. Quando se trata de videopolítica, por exemplo, os políticos se aproveitam do poder persuasivo deste meio de comunicação, já que “o olho acredita no que vê”.

“A opinião pública está relacionada tanto ao que é do público, quanto aos assuntos que sejam de interesse geral”, define Giovanni Sartori o termo bastante polêmico da televisão. O meio televisivo ajuda a formar opiniões, apresentando, promovendo e inspirando mudanças e ditando comportamentos.

Ainda, segundo Giovanni Sartori, na política, por meio das sondagens é possível descobrir as intenções de voto antes das eleições, comprovando o poder da TV. O entrevistado sobre política não está preparado para as perguntas quando estão filmando, fazendo com que os mesmos sintam-se pressionados e comecem a inventar opiniões ou a dizer a primeira coisa que vem na cabeça, como se fosse o que realmente pensava.

A maioria das opiniões levantadas por este tipo de sondagem é fraca, volátil, inventada e reflexo da mídia (a opinião da própria empresa de comunicação).

Democracia

Com tanto espaço para divulgar informações, criou-se o mito da democracia, de que cada vez mais as pessoas teriam condições de igualdade. Todavia, apesar do excesso de informação, segundo Giovanni Sartori, elas nem sempre se transformam em conhecimento, além de serem vazias, sensacionalistas e sem relevância, dando a falsa impressão de que as pessoas são informadas. O excesso de informação leva à subinformação (informação empobrecida) e à desinformação (distorção da informação).

A desinformação está relacionada a maneira que a informação é transmitida. Entre os exemplos de desinformação estão: falsas estatísticas (problema de interpretação dos dados), visão unilateral, entrevistas casuais e ao vivo, e outros.

A concorrência entre diferentes redes de televisão deveria ajudar a melhorar a qualidade da informação, mas um meio de comunicação acaba imitando o outro. Na teoria, a concorrência levaria a uma melhora da qualidade; Na prática, esta competição está piorando a qualidade.

Reflexão

Sendo a televisão fundamental para a formação de pensamento da sociedade, os profissionais que atuam nesta área, como jornalistas e publicitários precisam ser mais responsáveis com este que é um dos mais poderes meios de comunicação de massa.

Recomendo a leitura deste livro para quem gosta de aprender mais sobre o comportamento humano e como a tecnologia e os meios de comunicação podem influenciá-los. Aprendi com um professor que só podemos conseguir quebrar nossos ciclos a partir do momento em que os entendemos. Portanto, apesar da televisão ser muito criticada, muitos comentários são vazios quanto os conteúdos de baixa qualidade deste meio. É preciso abrir a mente, enxergar por outros ângulos e ver que mesmo nas trevas há rastros de luz, e vice-versa. Seja para defender ou criticar a televisão, Giovanni Sartori consegue transmitir o conhecimento de forma que qualquer pessoa, independente da sua área de estudo, possa aprender mais e refletir, evitando aquilo o que o autor mais temia, a falta da capacidade dos seres humanos continuarem concebendo ideias, após o excesso de uso da televisão.

2 comentários:

  1. Olá Ben adorei o seu blog. Estou cursando jornalismo também e seu blog me abriu varias sugestões de livros. Belo Trabalho !! Abraços Paloma

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    1. Oi, Paloma! Fico feliz que tenha gostado do blog e que tenha gostado das recomendações de leitura. Jornalismo exige bastante leitura, apesar de nem todos alunos se dedicarem tanto quanto deveria. Abraços! Obrigado pela visita e comentário. Volte sempre!!

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Obrigado pelo comentário. Volte sempre!

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