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Destaques

Desconectar

Desconectar é tudo o que eu consigo pensar quando me lembro de você. Quando os dias pareciam mais pesados, quando tudo parecia levar ao caos, quando eu aceitava que era pior do que eu imaginava. E está tudo bem. Também já tinha sido pesado na vida dos outros. Chega um momento em que todos precisamos reconhecer que necessitamos de mais ajuda do que esperávamos. De repente, era como segurar um fio e cortar. Em questão de segundos, o cérebro ia recuperando a estabilidade e a paz. Um cérebro cansado de estar mergulhado nos problemas dos outros. O tempo a sós era tão importante quanto escolher uma companhia. Colocar a paz como prioridade parecia bobeira, mas era o melhor que tinha feito nos últimos anos. Soltar o que está pesando. Reencontrar o próprio equilíbrio. Aceitar que a paz é inegociável. Desconectar. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escrita Maldita , p ublicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano:...

Frio, cama e zona de conforto

A manhã estava fria. Minhas mãos estavam doendo, o rosto ardia por causa dos ventos gelados e tudo o que eu desejava era continuar em casa, na minha cama, dormindo embaixo dos cobertores.

Acordei atrasado naquele dia. Tomei um banho quente. O problema dos dias congelantes não era entrar na água, já que os jatos tendem a ficar tão aquecidos a ponto de queimar a minha pele. No momento em que desliguei o chuveiro, abri a porta e senti o contraste da temperatura. Frio e calor lutavam para ver quem levava a melhor.

Após poucos minutos, o meu corpo estava tão gelado, que é como se eu tivesse passando por um daqueles corredores refrigerados do mercado, sentindo o frio percorrer minha espinha. Vesti minhas roupas, coloquei uma blusa e um casaco, e mesmo assim continuava sofrendo com aquela temperatura baixa.

Entrei no carro. O céu estava cinzento e o sol tímido tinha tirado um dia de folga, quem sabe ficando deitado na sua própria cama, até que tivesse coragem o suficiente para dar as caras novamente. Os motoristas dirigiam loucamente, como se estivessem tentando fugir do frio. Liguei o aquecedor e ouvi as músicas que tocavam no rádio. Os minutos passavam devagar, como se o tempo estivesse com preguiça de passar.

Novamente, quando eu finalmente estava confortável, acostumado com as ondas de calor, a vida estava jogando seu balde de água fria em mim. Estava na hora de assistir a aula.

Fora do automóvel, senti vontade de correr, numa tentativa frustrada de aquecer o meu corpo. Não importava o quanto eu andasse, os ventos cortavam minha pele. Os corredores da universidade estavam cheios de pessoas e mesmo aqueles que amavam dias frios, estavam implorando por um lugar quente para se abrigarem.

Meu estômago roncava, desejando qualquer comida quente, ajudando a enfrentar aquela manhã. Sai da sala de aula, desci as escadas com pressa e aguardei na fila da lanchonete pela minha vez. Quanto mais eu tremia, mais fome eu sentia.

Matei a minha vontade. Comprei um salgado e um chocolate quente. Enquanto o primeiro estava delicioso, a bebida não estava tão quente como o seu nome indica, sua consistência não estava das melhores e o leite estava cheio de nata. Engoli o líquido como se fosse um remédio e não pude deixar de pensar em como nem sempre podemos ter tudo exatamente do jeito que desejamos, e, às vezes, precisamos nos contentar e demonstrar um pouco de gratidão, pois as coisas poderiam ser piores.

Cheguei a minha casa, louco pelo meu prêmio: a minha cama. Voltei para baixo das minhas cobertas e em poucos minutos apaguei. Não tinha outro lugar onde eu preferia estar. Minha única certeza era a de que como tudo na vida, em breve eu teria que sair da minha zona de conforto novamente.

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