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Destaques

The Good Detective: Série coreana policial sobre antigo caso e a busca pela verdade

The Good Detective é uma série coreana policial que aborda um caso antigo, cujo julgamento levou à sentença de condenação de morte do acusado. Um detetive novato no departamento e um veterano se juntam para descobrir se aconteceram falhas nas investigações policiais. A série está disponível na Netflix . Com 16 episódios em sua primeira temporada, três personagens se destacam: o detetive que participou da investigação do caso, Kang Do Chang (Son Hyeon-ju) , o jovem detetive Oh Ji Hyuk (Seung-jo Jang) e a jornalista investigativa Jin Seo Kyung (Elliya Le) . Quando um novo caso de um suposto assassino confesso da filha do homem condenado ganha a atenção da mídia, muitas dúvidas pairam no ar sobre as motivações e os possíveis envolvidos, fazendo com que os detetives discretamente se aprofundassem nas investigações, mesmo sabendo que poderiam prejudicar as próprias carreiras. Kang é movido pela consciência pesada de ter sido parte do caso do condenado possivelmente inocente sofrer pena de

A Vida e Morte de um Amante de Livros

*Ben Oliveira

Suas mãos coçavam com a vontade de segurar aqueles livros. Precisava ler todos. Desejava possuí-los. Gastava o dinheiro que lhe faria falta. Preferia ficar sem comer a ter que abrir mão do seu vício.

O corpo inteiro tremia de excitação só de imaginar qual seria a sensação de tê-los na sua estante. Não gostava de organizá-los em ordem alfabética, cores, tamanhos, gêneros – nada disso, gostava de como eles contrastavam e ao mesmo tempo ficavam tão bem juntos. Sentia-se realizado ao observá-los.

Livros. Adorava livros. Modernos, antigos, usados, novos, pequenos, grandes, densos, literários, técnicos. Havia algo mágico neles que o fazia sentir tanta vontade de continuar lendo e lendo, como quando você está comendo um prato tão gostoso que não consegue parar até que não reste nada e quando termina a refeição, gostaria de mais e mais. Antes mesmo de terminar uma leitura, já estava de olho em outro livro. Nostalgia e alívio se misturavam dentro dele e quando segurava sua próxima vítima, era possível ouvir o seu coração batendo com força, um sorriso cheio de vida se formando no rosto e o processo recomeçava. Tudo igual e tudo diferente.

A sensação era única demais para conseguir descrever com clareza. Nem mesmo suas companheiras letras podiam ajudá-lo. Era como nascer, viver, viajar, experimentar, conhecer, morrer, diversas vezes, em um loop infinito.

Sua apreciação era tanta que desejava aprender a dar a vida para as suas próprias histórias e vê-las de mãos em mãos, línguas, ouvidos, olhos, cabeças. Não via sentido em uma existência sem aquele objeto tão venerado e não entendia como as outras pessoas não eram loucas por livros, como ele. Se pudesse, ficaria lendo sem parar, não pararia para comer, dormir, tomar banho, escovar os dentes. Sua obsessão não tinha limites. Algum dia enlouqueceria de tanto ler, era o que costumavam dizer, como uma previsão tão óbvia quanto dizer que ele morreria um dia.

A fonte de loucura também era onde encontrava sanidade, equilíbrio, paz. Dentro da livraria ele recomeçava sua caçada. Por mais que sua vontade fosse a de levar todos os livros para casa e se deliciar com cada uma daquelas histórias, faltava-lhe tempo, saúde e dinheiro para isto. A cada dia que passava sua vontade aumentava e a dor também. Gostaria de viver dentro daquelas páginas para sempre.

Quando completou 96 anos, suas vontades foram atendidas. Deitou-se em uma caixa enorme, cercado pelos seus livros favoritos. Soterrado pelas narrativas,  ele mal conseguia respirar com tantas palavras. Fechou os olhos. Tornou-se uma página de um livro que nunca teria a chance de ler.

Comentários

  1. Incrível.... a parte então, "Nostalgia e alívio se misturavam dentro dele e quando segurava sua próxima vítima"... sensacional.

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    Respostas
    1. Oi, Elisangela! Bom te ver por aqui.
      Fico feliz que tenha gostado ♥ Esse texto é de 2013, mas deu saudade de reler essa semana.
      Abraços

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