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Destaques

Resenha: Ed e Lorraine Warren: Vidas Eternas – Robert Curran e Jack & Janet Smurl

Entre o ceticismo e a curiosidade, as histórias de Ed e Lorraine Warren conquistaram pessoas de vários países graças às adaptações para filmes de terror inspiradas em casos investigados pelo casal de investigadores paranormais. Levando em conta o interesse dos leitores, a editora DarkSide Books publicou o livro Ed e Lorraine Warren:Vidas Eternas, escrito por Robert Curran que conta a experiência vivida por Jack e Janet Smurl. A obra foi lançada em 2019, com tradução de Eduardo Alves.


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Histórias como a da família Smurl, ainda que sejam questionáveis sobre o que teria realmente acontecido, quais partes foram aumentadas e/ou inventadas pela família, pelo escritor e/ou pelos próprios investigadores paranormais, deixam um gosto de nostalgia e também nos fazem pensar no sucesso de adaptações com temáticas semelhantes para o cinema.

A humanidade sempre tenta explicar o que não consegue entender. Divididos entre ficar em negação e se acostum…

Monólogos Paralelos sobre a Bíblia

Eu estava almoçando quando ouvi as duas mulheres conversando. Nada como escutar um diálogo para se inspirar, até que me vi pensando no assunto por alguns minutos.

– Tem algumas coisas que eu não entendo na Bíblia – disse uma delas.

– O que? – perguntou a outra.

– Dizem que a verdade está lá, mas o que acredito mesmo é nos Dez Mandamentos.

– Por quê? E no resto da Bíblia, você não acredita? – insistiu a outra.

– Acredito nos Dez Mandamentos por que dizem coisas boas para as pessoas. Já o resto da Bíblia, cada um entende de um jeito.

Enquanto mastigava a comida e tentava digerir o que eu havia escutado, observava e ouvia a conversa. É engraçado como os diálogos se parecem com monólogos paralelos.

– Quando morrer eu quero estar com roupa branca no caixão. Não é está cor de roupa que usam no céu?  Vai dar menos trabalho e vou poder ir direto para lá.

– Será que a gente paga o pecado lá antes de entrar nos portões do paraíso? Acho que a gente paga um pouco dos pecados quando está vivo.

– Claro que sim. É igual ir ao consultório. Até você ser atendida pelo médico, não precisa ficar esperando?

– E essas pessoas que são assassinadas pelos filhos? Elas já pagaram alguns pecados. Chegando lá, eles sabem para onde vão.

– Pro céu ou pro inferno?

– Ou pro purgatório.

– Acho que o purgatório é na terra.

– Dizem que no céu é cheio de carneiros.

– Quem falou isto? – disse uma das mulheres.

– Não sei. Imagino vários carneirinhos brancos lá. E agora? Você não gosta de carne de carneiro, só de vaca.

– Quando você faz algo errado é igual era no colégio, você não ficava de castigo? Então, no céu também é assim.

– Eu não entendo por que essas religiões são contra os gays. Na Grécia aqueles homens todos se pegavam e era normal.

– Se Adão e Eva eram as únicas pessoas e tiveram dois filhos, com quem eles se casaram? É isto o que não entendo na Bíblia.

– Se casaram com alguém da família. Deve ser por isso que tem toda essa promiscuidade.

– Então, quer dizer que já estou salva?

– Deve ser. Ou, às vezes, a culpa foi da serpente.

– Não entendo.

– Eu não sei por que falam que é errado quando os homens gays usam maquiagem ou têm cabelos longos. No Egito, os homens usavam maquiagem. E Sansão não era aquele cabeludo?

Observei uma mulher preocupada com as origens e com o paraíso, enquanto a outra estava interessada no contexto atual e no que era certo ou errado. Elas falavam sobre a mesma coisa, mas ao mesmo tempo seguiam direções diferentes.

O engraçado sobre os diálogos é que quanto mais você repara, mais percebe que, na verdade, cada um fala o que quer, escuta o que deseja, e no final de contas, a conversa que cada um tem é consigo mesmo. Ao falar algo para o outro, falamos sobre nós mesmos. Ao escutar, filtramos somente o que é de nosso interesse.

Terminei de almoçar e saí da mesa com aqueles monólogos. Eles se repetiam na minha cabeça. Quando se trata da Bíblia e das religiões, não é exatamente assim que as pessoas se comportam? Cada um com seu ponto de vista. Há quem interprete tudo ao pé da letra, quem consiga ler nas entrelinhas e aqueles que insatisfeitos com respostas prontas para perguntas não feitas, insistem em questionar e refletir. Aqueles que questionam e pesquisam são vistos pelos religiosos como pessoas de má fé, quando, na verdade, são estes os que mais aprendem sobre suas verdades e sobre Deus.


Deitado na minha cama, pensei que até mesmo quando a conversa é com Deus, muitas vezes, esses religiosos criam monólogos. Não por que esta força criadora seja incapaz de se comunicar de volta, mas por que o tempo inteiro as pessoas estão pedindo por alguma coisa e somente enxergando e ouvindo o que esperam. Enfim, para que um diálogo aconteça, é preciso saber escutar mais do que falar, caso contrário, serão somente monólogos paralelos.  

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