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Destaques

Emocionados

Emocionados, talvez seja o que somos. Criamos expectativas, torcemos pelo melhor e mesmo quando as coisas estão difíceis, não desistimos. Eu não me lembro de quando tinha sido a última vez que tinha me envolvido tanto assim por uma causa: reeleger alguém que eu acredito que vai representar meus interesses. Não me lembro de ver tanta gente fazendo correntes. Tanta gente se seguindo, comentando, compartilhando e enviando conteúdo. Enfim, tanta gente engajada. Não posso mentir que no início não tenha ficado com medo de entrar em euforia, mas logo tudo foi se encaixando e me dei conta que independente de diagnósticos, sou um humano com os meus desejos como qualquer outra pessoa. Escrevo na esperança de lembrar os dias de luta. Escrevo para lembrar que mesmo diante da impossibilidade de se posicionar no Instagram, muitos encontraram outras redes sociais para fazer isso, como o X/Antigo Twitter, o Threads, o Facebook e o TikTok. Há algo mágico em conhecer novas pessoas e compartilhar suas af...

Visita Indesejável

Já havia passado da minha hora de dormir. Fiquei acordado lendo. Tinha o hábito de descansar só depois de terminar a leitura do livro. Abri a porta e lá estava ela.

Senti um arrepio percorrer o meu corpo. Será que é a mesma criatura da outra noite? Odiava quando ela me visitava.

Fechei a porta e desejei que ela desaparecesse ou morresse instantaneamente. Era mais fácil eu morrer do que ela. Dizem que apesar de ser vítima dos homens, ela sobrevive depois da radiação e outros desastres. “Criatura maldita”, pensei, “vá embora”.

Olhei para a porta de madeira. Analise sua fresta e agradeci aos céus por não haver espaço para que ela pudesse atravessar. “No meu quarto, não, vagabunda”, continuei a pensar, “Você bem que queria ficar na minha cama”.

Só de imaginar o toque dela em minha pele, fiquei em estado de alerta. De todas as casas e banheiros, por que ela foi escolher a minha? Não estava com disposição para mostrá-la quem mandava aqui. Se estivesse no clima, sambaria em cima dela, mesmo sem música, pois não costumo perdoar sua invasão.

Ao me lembrar da porta aberta, sinto o seu cheiro e percebo que ela deve ter andado o dia inteiro e nem se deu ao trabalho de se limpar antes de me surpreender com sua visita indesejável.

Era simples, ou eu pulava nela ou ela pulava em mim. Correr ou matar. Há também quem pule, grite, comece a rir de nervosismo, chore, como há quem a ignora, a esperando se retirar quando bem desejar.
Embora minha vontade fosse a de matá-la, só de imaginar a sujeira que faria e o cheiro de sua morte, a deixei lá no banheiro e fiquei no quarto. Cada um na sua.

Seria bom se elas soubessem ler, assim eu deixaria um aviso proibindo sua presença. Mesmo analfabeta, ela é esperta o suficiente para não respeitar o que qualquer pessoa diz, ainda que custe sua vida. Às vezes, me olha como se eu fosse o estranho, e não ela. Mesmo com sua aparência medonha, tudo o que ela queria era liberdade para andar e voar, sem sofrer discriminação.

Fiz uma oração, pois mesmo sendo ateu, ouvi dizer que Deus me escuta. Desejei que ela desaparecesse. “Não vai morrer hoje, criatura insuportável”, disse alto para que ela me escutasse. Enquanto eu estivesse do outro lado da porta, não havia o que temer.

Podia vê-la dançando de um lado para o outro e fazendo a festa, como se zombasse de mim. Então, como uma criança que fez algo errado, ela para de se divertir quando abro a porta e posso senti-la se preparando. “É correr ou morrer”, me desafiava enquanto abria as asas e me encarava.

Desligo a luz e perco a vontade de ir ao banheiro. Mas, sei que ela é estrategista e vai me esperar até o momento em que eu esquecer sua presença. Sonolento, acordarei no meio da madrugada e darei de cara com ela, aquela maldita barata.

*Autor: Ben Oliveira

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