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Destaques

Escrita Maldita: Livro de terror indicado por página literária do Instagram

Escrita Maldita foi indicado pela página literária @redrum.literario , no dia 11 de outubro de 2026. Fiquei muito feliz com esse apoio à literatura nacional independente. Fica aqui a minha gratidão. A escritora Elisangela Domingos da Silva escreveu um texto indicando Escrita Maldita. Vou tentar resumir um pouco do que foi dito. Mas vocês podem acessar o Instagram redrum.literario e saber mais informações. “Tem livros que a gente lê, guarda na estante, e mesmo depois de muito tempo sente vontade de reencontrar e esse é um dos títulos que voltaram à minha lembrança”. “O que me chama a atenção nessa proposta é justamente essa relação entre quem escreve e aquilo que cria. Para quem gosta de terror, existe algo muito interessante na possibilidade de uma história ultrapassar as páginas e invadir a vida de quem está quem está por trás dela”. “Quem acompanha o mundo literário sabe que, às vezes, perdemos o contato com autores cujos livros passaram em nossas mãos. A vida segue, chegam novas lei...

A Jornada da Formiga

Eu estou tomando banho. Meu cabelo está cheio de xampu, minha mente repleta de pensamentos, demônios e expectativas. Deixo a água tirar a espuma e quando abro os olhos sou levado para outra dimensão. Torno-me um mero narrador-coadjuvante. Sou dissolvido. Observo a jornada da formiga.

A formiga carregava uma perna de aranha. Enquanto formigas subiam e desciam pelos azulejos do banheiro, a formiga continuava andando em círculos, como se estivesse tentando se equilibrar.

– O que você está fazendo? – perguntou uma formiga.

– Não te parece óbvio? Eu estou carregando este troféu.

– Troféu? – disse outra formiga que escutava a conversa e logo desapareceu.

– Sim. O meu sonho é levar este troféu para minha casa. – a formiga respondeu para uma formiga aleatória que deu um olhar de quem não entendia nada.

Passou um tempo, ainda sem ter andado o suficiente, um grupo de formigas passou pela formiga. Elas pararam, conversaram sem entender o que a formiga estava fazendo, enquanto a criatura dava a mesma resposta. Não importava quantas vezes a formiga tentasse explicar seus objetivos, os outros nunca pareciam entender.

– Você quer ajuda? – perguntou uma das formigas.

– Vamos indo. Deixa ela com os sonhos dela. – respondeu a outra formiga.

– Sabe, você chegaria mais rápido em casa se não estivesse carregando o seu “troféu”. – debochou uma terceira formiga.

A formiga pensou se valia a pena responder. Ela estava carregando o troféu sozinha desde o começo. Não precisava de ninguém lhe dizendo que seus objetivos eram estúpidos e seus sonhos nunca se realizariam. Ela nunca havia pedido ajuda. Não sabia nem mesmo porque perdia o seu tempo dando explicações sobre o que estava fazendo. Era o objetiva dela, o sonho dela, ninguém sentiria o que ela estava sentindo.

Aprendeu que chegaria mais perto do destino final se não perdesse o tempo tentando explicar às outras formigas o que elas nunca entenderiam. Era algo dela e só dela. Não negaria ajuda, desde que fosse sem segundas intenções. Não se chatearia com quem tentasse diminui-la ou das formigas que rissem do seu sonho. Não mendigaria ajuda.

A jornada da formiga consistia em não ser antissocial com as outras formigas ao seu redor, mas em saber que a solidão e o silêncio seriam seus melhores companheiros de viagem. Contanto que ela buscasse viver em equilíbrio, o seu corpo, mente e alma seriam seus melhores aliados, melhores até mesmo do que um exército de formigas que nunca entenderiam a intensidade do que a formiga sentia e de como realizar o seu sonho era importante para ela.

O silêncio já não a incomodava. A solidão lhe sorria. A formiga carregou a perna da aranha, deixando o orgulho de lado e sabendo que ainda não era hora de comemorar. Havia um objeto no caminho. Ninguém sabia por onde a pobre formiga passaria. Ela que já estava na metade da jornada. Será que a formiga deveria voltar atrás?

Voltei do meu transe. Desejava ajudar a formiga de alguma forma. Não entendi porque nenhuma das outras formigas a auxiliaram naquele momento. E, então, a formiga juntou sua coragem e provou mais uma vez que para quem tem um sonho nenhum obstáculo é suficiente para pará-la, não importa se a jornada é solitária ou não. Aliás, ela preferia ficar sozinha, sem precisar gastar suas energias ao longo do caminho contando de novo e de novo sua história para alguém que não entenderia, a ter que abrir mão do seu próprio sonho.

A formiga entrou debaixo do objeto e procurou abrigo. Foi aí que eu entendi quando dizem que a melhor maneira de aprendermos sobre a vida é observando a natureza. Entendi que desde que eu mantenha meus objetivos em mente e lute pelos meus sonhos, não importa se eu estou sozinho nesta jornada. Afinal, sou o único que vai sofrer com cada derrota e vibrar por cada vitória. Aprendi que é preciso saber quais batalhas valem a pena serem lutadas e quando eu necessito guardar minhas energias. Se houver ajuda é um bônus bem-vindo. Se não houver, não preciso desistir da minha jornada. Posso desacelerar, mas sempre seguir em frente. Meu corpo, minha mente e minha alma são os meus aliados e eles estarão ao meu lado, não importa o quanto pareça improvável minha missão. Eles tornam possível o impossível.

*Ben Oliveira

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