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Destaques

Little Big Women: Filme taiwanês de drama sobre adversidades inesperadas e superações

Little Big Women (Mulheres Ocultas/孤味) é um filme taiwanês de drama sobre uma família lidando com a inesperada morte do pai ausente e de como feridas do passado voltam à tona. A obra cinematográfica foi dirigida por Joseph Chen-Chieh Hs u, roteiro em co-autoria com Maya Huang e está disponível na Netflix Brasil . “A juventude é agridoce” canta Lin Shoying (Shu-Fang Chen) no karaokê dentro de um táxi, uma das personagens encantadoras desse filme. Com um passado de sacrifícios, a matriarca conseguiu proporcionar uma vida relativamente boa para suas filhas, mesmo com o ex-marido ausente. Porém, seu orgulho e ressentimento despertam seu lado crítico. Com personalidades bem diferentes, as filhas encaram junto com a mãe algumas das responsabilidades e tradições relacionadas à morte do homem. Em um país com variadas influências religiosas, ao mesmo tempo em que relembra os sofrimentos, sacrifícios e esforços que passou para se reerguer, Lin Shoying guarda uma memória afetiva do ex-mar

Artigo: Livros e gols – Karine Pansa

*Karine Pansa

Em 1990, quando se iniciou a série histórica das estatísticas relativas ao desempenho do setor editorial brasileiro e, na Copa do Mundo da Itália, a Alemanha Ocidental foi a campeã, nosso país produziu 239,3 milhões de livros e 22,4 mil títulos. Em 1994, ano em que a Seleção Canarinho conquistou o tetra nos gramados dos Estados Unidos, foram 246 milhões de exemplares e 38,2 mil títulos.

Neste 2014 em que o Brasil sedia o maior evento esportivo internacional, já ultrapassamos os 450 milhões de exemplares e nos aproximamos de 60 mil títulos anuais. A evolução dos números aferidos pela FIPE, na Pesquisa de Produção e Vendas do Mercado Editorial, mostra a crescente profissionalização do setor e o avanço na luta para que o País tenha cada vez mais leitores.

Algo importante nesse processo — e daí a analogia que fiz com a Copa do Mundo — é o quanto o mercado editorial deve aproveitar as oportunidades para conquistar mais público. De janeiro a maio de 2014, o volume de títulos relativos à competição e ao futebol cresceu 400% em relação a igual período do ano anterior. Gol de placa, bradariam os locutores esportivos!

Tais estatísticas também suscitam uma ponderação: é preciso diagnosticar, cada vez mais, os temas de ficção e não-ficção que sensibilizam e atraem a atenção do público, inclusive do ponto de vista da segmentação. Nem todos os assuntos são tão óbvios como a Copa do Mundo, mas sempre é possível entender o mercado, perceber suas nuanças, tendências, gostos e possibilidades.

Nesse sentido, pesquisas como Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro, têm fornecido subsídios ao mercado e até mesmo à formulação de políticas públicas. Em sua última edição, o estudo demonstrou que metade da população brasileira com cinco anos ou mais (cerca de 175 milhões de pessoas) é constituída por leitores, tecnicamente definidos como aqueles que leram pelo menos um livro nos últimos três meses.

O dado é positivo por um lado, pois mostra uma sensível evolução, mas também deixa claro haver um imenso espaço de crescimento: ainda precisamos conquistar 50% do mercado em potencial. E é aí que entram oportunidades como a Copa do Mundo, um tema atraente e lúdico para parcela expressiva da população, incluindo as crianças. O sucesso dos álbuns de figurinhas das seleções, verdadeira febre a cada quatro anos, sinaliza uma tendência que não pode ser ignorada. Em 2014, a editora que detém os direitos da FIFA para produzi-los distribuiu 8,5 milhões de exemplares em todo o mundo.

Eventos de tamanha proporção e atratividade, mesmo quando permeados de polêmica, como está ocorrendo com a Copa do Mundo do Brasil, representam oportunidades para a formação de leitores. Numa obra sobre futebol, as pessoas podem descobrir os encantos de um livro, as infinitas possibilidades de aprender, emocionar-se e conhecer lugares como se estivessem viajando. É paixão à primeira vista, que invariavelmente se torna um relacionamento duradouro.

Por isso, mais importantes do que os cinco títulos mundiais da Seleção Brasileira (tomara que ganhemos o sexto em 2014!) são os cerca de 60 mil títulos de livros a que estamos chegando e quantos mais pudermos produzir nos próximos anos. Para isso, não podemos perder oportunidades de conquistar leitores como as que se apresentam nesta Copa do Mundo. Quando campeões em leitura, seremos quase imbatíveis no campeonato do desenvolvimento.

*Karine Pansa, empresária do setor editorial, é a presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL).

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