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Destaques

Autismo: Entre fofocas e intrigas

Aviso aos bonitos e bonitas que sempre jogam meu nome e dos colegas nos grupos de Facebook e WhatsApp: alguém de vocês sempre solta algo e de um jeito ou de outro, chega até mim.


Minha dica é: quer falar mal? Fala à vontade. Se quiser, eu falo junto. Não tenho vergonha de fazer autocrítica, aliás, recomendo a todos.

Agora, se me difamar e/ou queimar minha reputação, o bicho pega.

Nesta página, não trabalho com indiretas. Só com diretas mesmo.

Já disse que nem todo autista é bonzinho, né? 😈

Dica para os anjinhos e neurotípicos: Arranjem hobbies e outros hiperfocos, ocupem a cabeça com outras coisas que não sejam só esse mundinho de intrigas do autismo.

Um grande filósofo pós-moderno, Benstein Oliveira disse que a fofoca viaja à velocidade da luz e que ela vem de todos cantos e cores do autismo. Nem WhatsApp eu uso, mas as conversas de lá sempre chegam aqui. Por que será, gente?

Formado em Harvard na arte das fofocas chegarem até mim. Parece que sou ímã para embuste.

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Entre Nós – Uma Comédia sobre a Diversidade

Neste dia 21 de maio, foi noite da primeira sessão do espetáculo Entre Nós – Uma Comédia sobre a Diversidade, em Campo Grande (MS), além de ter sido a primeira vez em que a peça foi apresentada na capital sul-mato-grossense. No Teatro Aracy Balabian, uma fila aguardava o horário de início da apresentação.

Amor, homofobia, humor e diversidade sexual no espetáculo Entre Nós. Foto: Sora Maia / Divulgação.

O teatro estava cheio. Noite de espetáculo gratuito nem sempre atrai muitos espectadores na cidade, mas o tema da apresentação despertou o interesse por causa do tema abordado – Diversidade Sexual – e por fazer parte da programação do Festival do Teatro Brasileiro – Cena Baiana.

A comédia com texto, direção, iluminação e figurino de João Sanches tem como elenco os atores Igor Epifânio e Anderson Dy Souza que interpretam os protagonistas Rodrigo e Fabinho, dois jovens gays. Atores e personagens se fundem e abordam a diversidade não só na orientação sexual dos protagonistas, mas em suas habilidades de atuação. Igor e Anderson interpretam todos os personagens, masculinos e femininos, gays e heterossexuais. Não esquecendo da presença, é claro, do músico Leonardo Bittencourt, que fez a trilha sonora ao vivo, proporcionando momentos de humor e romantismo, ajudando a criar tensão e aliviá-la.

Para quem é gay, o enredo de Entre Nós é familiar. Os diferentes personagens, além dos protagonistas, como o pai de um, a mãe do outro, a menina apaixonada, o rapaz homofóbico, deixam de ser meros estereótipos e podem ser identificados na vida real. Independente de o espetáculo ser uma comédia e arrancar muitas risadas e aplausos da plateia, é triste perceber que um beijo gay ainda causa desconforto no público.

Através de uma interação com o público e intertextual, os atores brincam com a possibilidade da comédia, que deveria ser uma história de amor entre dois jovens gays, terminar sem o beijo – sendo um a favor e o outro brincando com receio. Duas coisas ressoaram ao longo do espetáculo, a frase “então, você não é gay”, dita por diversos personagens sempre que o protagonista contava que ainda não tinha se envolvido com o outro rapaz, apesar de estar apaixonado e o beijo que demorou para acontecer, por questões óbvias, fazia parte do espetáculo.

Quando chegou o momento do beijo, os atores surpreenderam a plateia. Causando estranhamento ou não, não se pode abordar a diversidade sexual, sem mostrar as coisas como elas realmente são. Se o público – gay ou heterossexual – esperava um beijo digno de novela da Globo, tão chocho que não emociona ou um simples selinho, os atores surpreenderam e arrancaram gritos, risadas e aplausos, com um beijo longo, no entanto ainda era possível ver o preconceito velado, pessoas próximas de onde eu estava dizendo “chega de beijar”, “que nojo” ou “que merda”, além da expressão chocada dos mais velhos.

O texto é engraçado e aborda bem os conflitos e humor, não só do comportamento dos jovens gays na fase da descoberta da própria homossexualidade, mas das outras pessoas ao seu redor. Os atores são encantadores, mostrando que dominam muito bem a arte de atuar, através da fala, da linguagem corporal e da habilidade de alterar personagens em questão de segundos, além de interpretarem o mesmo papel com suas nuances quando necessário. A boa iluminação e trilha sonora ajudaram no contraste entre as diferentes personalidades interpretadas e a orientar as emoções do espectador, ao fazê-lo sentir vontade de rir, nostalgia ou impressionar.

Valeu a pena assistir, rir e refletir sobre as questões levantadas sobre a diversidade sexual e homofobia. Espero que não só o público gay tenha se identificado e se divertido, mas que o preconceito existente entre os heterossexuais contra homossexuais diminua com espetáculos assim, que mesmo com humor, abordam assuntos sérios. A cultura e o teatro podem ir além do entretenimento e das emoções e provocar inquietações e reflexões. Que mais peças como Entre Nós sejam produzidas e apresentadas pelo Brasil, não só nas grandes capitais, também nas cidades do interior. Afinal, a homofobia mata diariamente e não escolhe cor, classe social, gênero ou idade e sim, existem diversas formas de preconceitos dentro do próprio universo LGBT, mas o público que precisa ser sensibilizado, violenta e assassina homossexuais, em sua maioria, ainda é o de heterossexuais homofóbicos. Levar com humor e leveza o assunto, também pode criar uma identificação em jovens com problemas parecidos e muitas vezes, se sentem solitários, incompreendidos e acabam cometendo suicídio.

Sobre o espetáculo – Entre Nós foi vencedor em três categorias do Prêmio Braskem de Teatro 2012 (Melhor Espetáculo, Melhor Ator – Igor Epifânio – e Melhor Texto).

Ficha técnica – Texto, direção, figurino e iluminação: João Sanches; Elenco: Igor Epifânio e Anderson Dy Souza; Trilha sonora ao vivo: Leonardo Bittencourt; Produção: Patrícia Rammos (Da Preta Produções); Assistente de Produção: Simone Braz; Foto divulgação: Sora Maia / Andrea Machado.

Sobre o Festival do Teatro Brasileiro – Atualmente, em sua 16ª edição, este ano, as localidades envolvidas são o Acre, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo e São Paulo. O FTB – Cena Baiana busca agregar valor à programação, com espetáculos, ciclo de dramaturgos, oficinas para os profissionais da área, programas educativos e encontros dos grupos de artistas locais com seus colegas baianos.

Em Campo Grande (MS), o Festival do Teatro Brasileiro acontece desde o dia 1 de maio até o 25 de maio de 2014. A programação está disponível no site oficial da XVI edição do Festival do Teatro Brasileiro – Cena Baiana

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