terça-feira, 3 de junho de 2014

Resenha: Harry Potter e a Pedra Filosofal – J. K. Rowling

Foi no ano de 2000 e alguma coisa, aproximadamente 14 anos atrás, em que eu li pela primeira vez Harry Potter e a Pedra Filosofal, da J. K. Rowling. Na época, me lembro que o livro havia se tornado uma febre (para alguns leitores continua sendo). Fuçando o escritório do meu pai, encontrei o meu exemplar surrado, com páginas amareladas – o mais importante é que ainda dava para ler. No Brasil, a obra foi traduzida e publicada pela Editora Rocco.

Confesso, nunca li os outros livros do Harry Potter. Depois de ter relido o primeiro, fiquei com vontade, mais a nível de curiosidade. Para quem não se lembra, em Harry Potter e a Pedra Filosofal, o leitor descobre um pouco da história do bruxinho antes dele estudar em Hogwarts, na época em que ele morava com os insuportáveis tios e o primo. O protagonista tinha uma vida bastante comum pelo fardo que carregava no mundo da magia, ele havia sobrevivido ao ataque do temido e diabólico Voldemort.

Do mundo ordinário em que Harry Potter vivia com os seus tios trouxas – como são chamados os humanos sem poderes –, em que o leitor acompanha como o menino é deixado sempre de lado pelos tios, precisa usar as roupas antigas do primo, aguentar as provocações e ser trancado no armário, quando o menino recebe uma carta, tudo começa a mudar. Aliás, Harry recebe inúmeras cartas o avisando sobre o começo das aulas em Hogwarts, a escola de magia, da qual ele não fazia ideia que existia.

Após conhecer Hagrid, o gigante que se torna o seu atrapalhado guardião, e comprarem o material necessário para o ano escolar em Hogwarts, depois de alguns meses, Harry atravessa o limiar pela primeira vez. Neste ponto, é interessante notar que mesmo gostando de Harry e tentando ajudá-lo, há desafios que o protagonista enfrenta sozinho e nem mesmo Hagrid pode defendê-lo. Dentro do trem, o menino começa a se familiarizar aos poucos com o desconhecido universo da magia, no qual ele é famoso por ter sobrevivido e por causa dos pais, no entanto não sabe nada, enquanto todos os outros passageiros já estão acostumados graças a suas famílias.

Harry faz suas primeiras amizades em Hogwarts, com o fiel Rony e a inteligente Hermione (aliados do protagonista). As coisas em Hogwarts são melhores do que ele esperava. Acredito que muitos leitores se identificam com o protagonista por causa de seu passado ordinário, no qual ele é só uma sombra, sem amigos e com uma família antipática, para a transformação no menino que todos têm curiosidade de conhecer e acaba se dando bem no novo colégio.

Em Hogwarts, além dos amigos inseparáveis, Harry conhece outros personagens, como o mimado e invejoso Draco Malfoy, o inseguro Neville e os professores Dumbledore, Snape, Minerva e Quirrell, com suas personalidades diferentes. Outro ponto legal no primeiro livro da saga é o de que nem tudo é o que parece, levando o leitor a acreditar em uma coisa para depois descobrir outra. O antagonista, por exemplo, só é revelado nos últimos capítulos, embora o leitor de primeira viagem possa achar que o professor Snape seja o vilão. Não sou aficionado por Harry Potter, nunca fui, mas encontrei um erro. Não sei dizer se é pela obra ser sua primeira edição, se foi erro na hora da tradução ou adaptação para o português, mas o nome do personagem Draco, no meu livro ao menos, está escrito Drago. Li várias vezes para ver se eu não estava trocando as letras na minha cabeça e o erro da grafia está no meu exemplar mesmo.

Fiquei curioso para saber como a história é desenvolvida nos outros livros. Harry Potter e a Pedra Filosofal, por ser o primeiro livro da saga, não traz tanto aprofundamento nos personagens secundários, nem do próprio protagonista. À medida que ele vai ficando mais velho, a história se desenvolve junto com os personagens e, é claro, com os leitores. Já vi todos os filmes do Harry Potter, mas confesso que não me lembro do enredo de nenhum deles, o que será melhor quando eu for ler os outros livros.

Desde a primeira vez em que li, quando ainda era adolescente, até os dias atuais em que minha bagagem cultural é maior, não percebi muita diferença de percepção sobre a trama. Para quem é apaixonado pela escrita e pelos livros, no entanto, com os meus conhecimentos atuais, ficou muito mais fácil identificar as estratégias utilizadas pela escritora para cativar seus leitores.

Na parte da história em que Harry Potter ainda não está em Hogwarts, identifiquei bem o estilo da autora, o mesmo tipo de escrita desenvolvido em Morte Súbita, da J. K. Rowling – apesar do romance atual ser bem melhor construído. Porém, no momento em que entra no terreno da fantasia, é como se o narrador deixasse de lado aquela confusão comum na mente do leitor de quem está narrando autor, narrador próprio ou personagem. Ainda da mesma autora, estou curioso para ler O Chamado do Cuco.

Harry Potter e a Pedra Filosofal é narrado em terceira pessoa, não se aprofundando muito nos pensamentos e sentimentos dos personagens, se focando mais na aventura e conflitos exteriores – o que, é claro, deve ter sido proporcional. Afinal, o leitor de Harry Potter está mais interessado em se emocionar com seus personagens favoritos, sair da própria pele, estudar em Hogwarts, aprender novos feitiços e viajar para o universo da magia do que pensar e refletir sobre os problemas do mundo real, embora também seja possível tirar lições em cada um dos eventos do livro.

A importância da disciplina e de se dedicar aos estudos (Hermione), de ser corajoso e lutar pelo que acredita, mesmo que os outros não possam entender (Harry Potter), de ser generoso, mesmo que a vida nem sempre seja com você (Rony), de aprender a levantar a cabeça, quando está sendo humilhado (Neville), entre tantas outras lições são encontradas superficialmente no primeiro livro da saga. Um monstruoso cão de três cabeças que pode ser adormecido com a música, não seria uma ótima demonstração de como podemos acalmar nossos demônios com uma simples ação como escutar nossos cantores favoritos? Um espelho que te mostre os seus desejos pode ser algo traiçoeiro, mas também algo que te salva.

Enfim, por trás de cada um dos instrumentos mágicos, feitiços, criaturas mágicas e desafios há lições que o leitor, muitas vezes, já sabe e pode levar para a vida. A principal delas é a de que não importa o que você tem, quanta experiência tenha ou o que você deseja, no final, o bem sempre vence o mal. Fica aqui a minha recomendação de leitura, embora acho difícil não ter quem não tenha lido ao menos o primeiro livro do Harry Potter, como eu.

Agora a minha vontade é a de ler os outros e descobrir porque muitos leitores são tão aficionados pela série, analisar a narrativa e tirar algumas lições sobre escrita, estrutura do romance de fantasia e infantojuvenil e técnicas utilizadas por J. K. Rowling. Tenho certeza de que as outras leituras me proporcionarão horas de entretenimento, porém, além de me divertir, o meu objetivo é aprender com a escritora quais elementos presentes em seus livros contribuíram para que eles se tornassem best-sellers pelo mundo todo.

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Gostei de reler, mas não bateu aquela sensação forte de "amo esse livro" ou "vou morrer se não ler os outros livros da série". Quando rolar um tempinho, procurarei o próximo livro da saga para ler. Enquanto isso, tenho outras leituras preferenciais! Obrigado pela visita e comentário.

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