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Destaques

Nostalgia da nostalgia

Dias de nostalgia da nostalgia, em que parecia sentir falta de algo ou alguém. Dias em que sabia que era delicioso se perder na sensação de que o passado proporcionava, mas que sabia a importância de voltar a atenção para o presente. Então, os dias continuavam seguindo, mesmo quando uma parte nossa insistia na nostalgia. Nostalgia boa era coisa temporária, mais do que isso poderia se tornar tóxica. A verdade era que escrevia para dar sentido às coisas. A verdade era que tinha uma relação dupla com a nostalgia; em alguns instantes, adorava, em outros, achava que era o pior que poderia acontecer. Escrevia, então, na esperança de continuar mantendo a nostalgia sob controle, aceitando que o passado não voltaria e estava tudo bem ressignificar as coisas. Ao dar um novo sentido, a nostalgia também se transformava. E, então, quem sabe poderia se manter em um nível mais saudável e menos tóxico. Se apegar à nostalgia, mas sentir os pés firmes no presente.  *Ben Oliveira é escritor, formado ...

Resenha: O Clã dos Magos – Trudi Canavan

O Clã dos Magos é o primeiro livro d’A Trilogia do Mago Negro, da escritora Trudi Canavan, publicado no Brasil pela Editora Novo Conceito, em 2012. O livro de fantasia tem 446 páginas e foi traduzido por Robson Falchetti Peixoto.

Comprei a trilogia do Mago Negro em uma promoção do Submarino e após ler o primeiro livro, tenho certeza de que não vou me arrepender. Adorei a capa do livro e a qualidade do papel e a diagramação, que ajudam bastante na sensação de ler com conforto e prazer. O Clã dos Magos flui e apesar de ter algumas gírias e palavras diferentes, que podem ser entendidas intuitivamente, ao final está disponibilizado um glossário. Para quem tem curiosidade de saber como é a Cidade de Imardin, onde se passa a narrativa, há alguns mapas bem bacanas.

A história é narrada em terceira pessoa. Sonea é a protagonista do livro, uma jovem que num momento de raiva consegue fazer uma pedra atravessar uma barreira mágica e atingir um mago. Após o incidente, muitas coisas acontecem. Aos poucos a história vai desenrolando. Apesar de ser óbvio que a heroína se transformará em uma maga, é gostoso acompanhar a evolução.

Os magos se preocupam o que pode acontecer se alguém com poderes mágicos que não souber se controlar estiver pela cidade. É claro, não se trata só de uma ingênua aflição, mas de uma maneira de não deixar nenhum mago que não seja do clã com poderes desbloqueados.

Além de Sonea, o leitor se familiariza com Ceryn, um rapaz apaixonado por ela e pelos magos, com destaque para Lord Rothen que tenta ajudá-la a controlar os seus poderes. Para quem gosta de fantasia, O Clã dos Magos é uma boa pedida, apesar do primeiro livro não trazer muitas surpresas. O leitor atento consegue supor o que vai acontecer, no entanto a experiência permanece prazerosa.

Trudi Canavan apresenta um universo marcado por tantos contrastes, como o que vivemos. A riqueza e a pobreza, a distinção de classes, os roubos, é impossível não relacionar com a sociedade atual. No primeiro livro da série, Sonea está mergulhando aos poucos no mundo dos magos, que sempre pareceu inacessível para pessoas dos lugares em que viveu, chamados de Favelados. É possível perceber a diferença de status pela maneira que os personagens falam, se alimentam, se vestem e se comportam.

A escritora equilibra bem os elementos da história. Há cenas de ação e drama, em que a protagonista precisa deixar o orgulho de lado e aceitar a ajuda de outras pessoas para não fazer mal a ninguém e ao mesmo tempo, graças ao seu coração, acaba fazendo escolhas erradas. O Clã dos Magos introduz um pouco do que deve ser visto com mais frequência nos outros livros, os tipos de magos: Guerreiros, Alquimistas e Curadores, bem como o desenvolvimento dos poderes da protagonista.

Como todo universo de fantasia com suas regras próprias, O Clã dos Magos apresenta o juramento feito pelos aprendizes de magos e pelos magos graduados. Mesmo com os poderes, Sonea aprende que existem limitações que ela precisa respeitar. Gostei de quando ela pergunta por que é necessário escolher entre um dos três tipos de caminho que deseja seguir e o guardião dela responde que não haveria tempo para estudar todos – é como na vida real, não importa o quanto você goste de várias áreas, uma hora ou outra vai ter que escolher a que mais deseja e para quem está na universidade e pretende continuar estudando, pesquisando e aprendendo sabe que a área de conhecimento vai afunilando, indo cada vez mais do geral para o específico.

No meio de uma deliciosa viagem pelas terras de Imardin e do território habitado pelo clã dos magos, além de uma boa dose de entretenimento, o leitor consegue refletir sobre algumas situações expostas no livro: como o desejo de Sonea de ajudar sua comunidade, mesmo que se torne maga ou achar injusto o sistema de distribuição de bens e reclamar para o mago, que a explica como o assunto é mais complicado do que ela imagina. Além desse pessimismo, que muitos leitores já sentiram na vida real sobre alguns terem muito e outros tão pouco, O Clã dos Magos também fornece gotas de otimismo. Por exemplo, mesmo não sendo comum ter algum mago que tenha vivido na favela, Sonea tem a oportunidade de se juntar ao clã. As importâncias da leitura, dos estudos e da disciplina também ficam implícitos, como se da mesma forma que a protagonista precisa aprender a se controlar, ler e praticar, ao longo da vida também precisamos praticar essas ações para nos desenvolvermos. A tolerância com o diferente e o preconceito são abordados de forma leve no livro.

Ler o Clã dos Magos me ajudou a fixar melhor como o romance de fantasia, e principalmente um livro de trilogia, é estruturado. É claro que durante a tradução, algumas palavras perdem o poder que têm em sua língua original, no entanto gostei de ter percebido a maneira que Trudi Canavan escreve, quais recursos ela utilizou para acelerar ou diminuir o ritmo da narrativa, como cada capítulo termina com um gancho e a organização dos eventos.

Em breve devo iniciar a leitura do segundo livro da trilogia do Mago Negro, A Aprendiz. O final do primeiro livro já dá algumas dicas ao leitor do que ele encontrará pela frente, quem é o principal vilão e os desafios que Sonea enfrentará.

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