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Destaques

Sobrecarregar

Impor limites nem sempre era fácil, mas às vezes fundamental para preservar a própria saúde mental. Então, ia aos poucos se fechando, permitindo ficar mais tempo offline do que online. Negociar limites talvez fosse o melhor termo. De todo modo, nem sempre as pessoas iriam entender. Às vezes, o silêncio era a melhor resposta. Escrevia para se lembrar. Escrevia para que as coisas fizessem sentido. Escrevia. Ia se soltando aos poucos. O que havia começado com empolgação, havia se tornado uma frustração. Aos poucos tentava diminuir o acesso às redes sociais, na esperança de voltar a respirar em paz. Ia impondo limites, pois era mais fácil se recuperar antes de se sobrecarregar do que depois. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escrita Maldita , p ublicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano:  O Círculo (Vol.1)  e  O Livro (Vol. 2) , disponíveis no  Wattpad  e na loja Kindle.

Série: Lie To Me – Micro expressões, linguagem corporal e mentiras

Já imaginou como seria sua vida se você soubesse sempre quando as pessoas ao seu redor estão mentindo? Ou melhor, fosse contratado para descobrir a verdade somente analisando as expressões dos outros? Este é o enredo de Lie To Me, série televisiva norte-americana que estreou em 2009, pela Fox, cancelada em 2011, por causa dos baixos índices de audiência.


Lie To Me é uma dessas séries que te faz refletir sobre a vida. O protagonista é Dr. Cal Lightman (interpretado por Tim Roth), especialista em micro expressões e linguagem corporal. Junto com sua equipe formada pela psicóloga Dra. Gillian Foster (Kelli Williams), Ria Torres (Monica Raymund), Loker (Brendan Hines) e por último, Bem Reynolds (Mekhi Pifer) que não tem muito destaque na primeira temporada de Lie To Me, mas participa ativamente da segunda.

A equipe de Lightman é especialista em detectar mentiras e presta serviços para diversas entidades, como FBI, polícia, bombeiros, empresas ou pessoas interessadas em descobrir a verdade.

Gosto de seriados assim, que o espectador se envolve com o programa e acaba aprendendo junto ao assistir os episódios. Logo no primeiro episódio, quem está assistindo desvenda o básico sobre as micro expressões, em que em poucos segundos é possível detectar: felicidade, descontentamento, raiva, nojo, surpresa, medo e manipulação. Após essa pequena aula, assistir a série Lie To Me fica mais agradável, permitindo a interação com os personagens e seus métodos.


Para quem gosta de psicologia e comunicação, além de trazer informações interessantes sobre como nos expressamos e como podemos entregar nossas pequenas mentiras diárias, inconscientemente, através de expressões universais, também leva a uma reflexão interessante sobre ética e os limites estabelecidos dentro da própria equipe sobre contar ou não a verdade sobre coisas que não são de seu interesse ou a constante análise. Na série, por exemplo, são abordadas de forma breve as complicações do relacionamento de Cal com sua ex-mulher, a honestidade radical do Loker, a habilidade natural de Ria de ler as expressões dos outros e a cegueira de Gillian que parece a única incapaz de enxergar que o seu marido mente para ela o tempo todo.

Muito antes de Lie To Me ser lançado, o Dr. House já dizia: “Everybody Lies!” (Todo mundo mente). Gostava bastante de quando ele, mesmo de forma antiética, fazia a sua equipe investigar a casa dos seus pacientes ou quando ele descobria que as mentiras eram os sintomas ou as causas de uma doença. Aliás, ambas as personagens das duas séries têm seus pontos em comum: honestidade e acidez que parecem agradar ao espectador.


Embora a fala possa mentir – aliás, a mesma que também pode ser analisada pelos especialistas, de acordo com as pausas, velocidade ou entonação –, o rosto e o corpo não mentem. Na primeira temporada de Lie to me, a única que assisti até o momento em que escrevo este texto, mas pretendo continuar vendo, eles são contratadas para investigarem diversos casos interessantes, como suspeita de terrorismo, acusação de abuso sexual, incêndios e questões que exigem a verificação da verdade para que um inocente não seja culpado ou que tenham consequências piores ainda.

Bom, fica aqui a minha recomendação de série. Num mar de inúmeros seriados televisivos, muitas pessoas ficam perdidas na hora de escolher um bom programa. Gostei bastante de Lie to me, seja pelas noções de expressões faciais e linguagem corporal, para aprender mais sobre mim mesmo e as pessoas ao meu redor. É claro, como graduado em Jornalismo, alguns dos conhecimentos podem ser úteis na hora de saber se algum entrevistado está mentindo ou não, embora as questões sejam mais complexas e exigem mais estudo do que simplesmente assistir ao seriado, e como escritor é possível tornar meus personagens mais verossímeis, com reações emocionais que condizem ao que eu quero transmitir.

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