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Espectro Autista: Reflexão sobre conscientização do autismo

Vez ou outra eu recebo mensagens de pessoas pedindo ajuda sobre como trazer mais conscientização em lugares nos quais pouco se sabe sobre autismo. Nem toda cidade tem especialista em autismo, isso é um fato que todo mundo que já precisou de um, sabe como é. Minha dica é: compre/arrecade livros ATUALIZADOS sobre o assunto e/ou livros de ficção (com personagens autistas) e/ou livros escritos por autistas. Recomendo firmemente a literatura, já que a leitura trabalha a empatia e fica mais fácil dos neurotípicos entenderem como é estar 'na nossa pele', mesmo que por alguns minutos.


Não vai dar livro desatualizado, que é um desserviço. Já tem muita desinformação no Brasil. Eu poderia fazer uma lista sobre todos absurdos que leio, mas não vou.

Enfim, não dá para fugir da leitura. Infelizmente, muitos conteúdos brasileiros estão defasados, outros logo vão estar por causa das alterações do CID11 do Espectro Autista [só entra em vigor em 2022]. Tem muita coisa boa produzida pela comunid…

Artigo: Quem disse que brasileiro não lê? – Karine Pansa

Os primeiros resultados do Vale Cultura, relativos ao movimento acumulado de janeiro a junho de 2014, questionam o dogma de que o brasileiro não lê: 88,01% dos R$ 13,65 milhões consumidos no período pelos portadores dos 215.249 cartões emitidos referem-se à compra de livros, jornais e revistas. Seguem-se o cinema (9,26%), instrumentos musicais e acessórios (1,32%), CDs e DVDs (0,66%) e artes cênicas, espetáculos e demais atividades culturais (0,75%).

Observa-se nessas estatísticas oficiais do Ministério da Cultura que, em números absolutos, os beneficiários do programa aplicaram R$ 12,02 milhões em leitura nos primeiros seis meses de sua execução prática. Trata-se de um dos mais importantes investimentos que se pode fazer, considerando os dividendos obtidos no mercado de trabalho, na formação escolar e acadêmica e na vida. Afinal, aquisição de informação e conhecimento contribui de modo muito significativo para a boa formação e desenvolvimento dos indivíduos.

Os dados podem parecer surpreendentes ante o índice histórico de leitura no Brasil, muito abaixo do que se observa nas nações desenvolvidas e atrás também de alguns emergentes, como a nossa vizinha Argentina. No entanto, os resultados do Vale Cultura, incontestáveis quanto à opção pelos livros, jornais e revistas no primeiro semestre deste ano, referendam na realidade do mercado uma tendência que já havia sido apontada na última edição da pesquisa Retratos da Leitura.

Realizado pelo Instituto Pró-Livro, em parceria com a CBL (Câmara Brasileira do Livro), Abrelivros (Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares) e SNEL (Sindicato Nacional dos Editores de Livros), o estudo havia demonstrado, em 2012, que metade dos 178 milhões de leitores em potencial do País (habitantes com cinco anos ou mais), dedicara-se à leitura de pelo menos uma obra no ano anterior. Estamos falando de 89 milhões de pessoas. Interessante lembrar que 64% delas disseram perceber os livros como “fonte de conhecimento para a vida”.

O paradigma de que o brasileiro não gosta de ler vai sendo derrubado à medida que a população tem mais acesso aos livros, jornais e revistas. Estamos assistindo a uma paulatina mudança histórica. São várias as causas dessa transformação, dentre elas a democracia, a liberdade de imprensa e expressão, a estabilidade da moeda, a maior inclusão socioeconômica, programas como o Vale Cultura e de distribuição de obras didáticas, literárias e paradidáticas aos alunos das redes públicas do Ensino Fundamental e do Médio.

É preciso aproveitar bem essa tendência, criando-se um círculo virtuoso impulsionado pela cultura e apropriação do conhecimento pelos brasileiros. Isso é determinante para o desenvolvimento nacional, em cuja conquista ainda temos um longo caminho a percorrer no tocante ao aperfeiçoamento do Estado, retomada de níveis mais consistentes e duradouros de crescimento econômico, distribuição de renda e democratização das oportunidades. Como se observa, a leitura é protagonista dessa história.

*Karine Pansa, empresária do setor editorial, é presidente da CBL (Câmara Brasileira do Livro).

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