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Resenha: Algum Dia — David Levithan

Pode o corpo alterar nossa percepção sobre a vida e o amor? E o que acontece quando todo dia mudamos de corpo e ainda assim tentamos manter um relacionamento? Em Algum Dia, do David Levithan, o leitor é levado a conhecer o desfecho da trilogia que encantou pessoas do mundo todo. No Brasil, a obra foi publicada pela Editora Galera Record, em 2020.

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Algum Dia foi um dos livros mais esperados por muitos leitores, entre eles: eu. Fui com muita expectativa na leitura. Não é que não tenha gostado do romance, mas senti falta de mais envolvimento entre os dois personagens principais. David Levithan nos deixa instigado por mais momentos entre Rhiannon e A, mas a narrativa acaba dando mais destaque para a condição do personagem sem corpo fixo.
"Agora eu sei: o amor não é tão simples. O amor nunca é sobre você dizer a si mesmo que deve fazer alguma coisa e então fazer. Nunca é sobre alguém te dizer que você deve fazer e por isso…

Artigo: Quem disse que brasileiro não lê? – Karine Pansa

Os primeiros resultados do Vale Cultura, relativos ao movimento acumulado de janeiro a junho de 2014, questionam o dogma de que o brasileiro não lê: 88,01% dos R$ 13,65 milhões consumidos no período pelos portadores dos 215.249 cartões emitidos referem-se à compra de livros, jornais e revistas. Seguem-se o cinema (9,26%), instrumentos musicais e acessórios (1,32%), CDs e DVDs (0,66%) e artes cênicas, espetáculos e demais atividades culturais (0,75%).

Observa-se nessas estatísticas oficiais do Ministério da Cultura que, em números absolutos, os beneficiários do programa aplicaram R$ 12,02 milhões em leitura nos primeiros seis meses de sua execução prática. Trata-se de um dos mais importantes investimentos que se pode fazer, considerando os dividendos obtidos no mercado de trabalho, na formação escolar e acadêmica e na vida. Afinal, aquisição de informação e conhecimento contribui de modo muito significativo para a boa formação e desenvolvimento dos indivíduos.

Os dados podem parecer surpreendentes ante o índice histórico de leitura no Brasil, muito abaixo do que se observa nas nações desenvolvidas e atrás também de alguns emergentes, como a nossa vizinha Argentina. No entanto, os resultados do Vale Cultura, incontestáveis quanto à opção pelos livros, jornais e revistas no primeiro semestre deste ano, referendam na realidade do mercado uma tendência que já havia sido apontada na última edição da pesquisa Retratos da Leitura.

Realizado pelo Instituto Pró-Livro, em parceria com a CBL (Câmara Brasileira do Livro), Abrelivros (Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares) e SNEL (Sindicato Nacional dos Editores de Livros), o estudo havia demonstrado, em 2012, que metade dos 178 milhões de leitores em potencial do País (habitantes com cinco anos ou mais), dedicara-se à leitura de pelo menos uma obra no ano anterior. Estamos falando de 89 milhões de pessoas. Interessante lembrar que 64% delas disseram perceber os livros como “fonte de conhecimento para a vida”.

O paradigma de que o brasileiro não gosta de ler vai sendo derrubado à medida que a população tem mais acesso aos livros, jornais e revistas. Estamos assistindo a uma paulatina mudança histórica. São várias as causas dessa transformação, dentre elas a democracia, a liberdade de imprensa e expressão, a estabilidade da moeda, a maior inclusão socioeconômica, programas como o Vale Cultura e de distribuição de obras didáticas, literárias e paradidáticas aos alunos das redes públicas do Ensino Fundamental e do Médio.

É preciso aproveitar bem essa tendência, criando-se um círculo virtuoso impulsionado pela cultura e apropriação do conhecimento pelos brasileiros. Isso é determinante para o desenvolvimento nacional, em cuja conquista ainda temos um longo caminho a percorrer no tocante ao aperfeiçoamento do Estado, retomada de níveis mais consistentes e duradouros de crescimento econômico, distribuição de renda e democratização das oportunidades. Como se observa, a leitura é protagonista dessa história.

*Karine Pansa, empresária do setor editorial, é presidente da CBL (Câmara Brasileira do Livro).

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