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Destaques

Subdiagnóstico de autismo, números e incoerências

O brasileiro é muito individualista. Ao mesmo tempo que vejo pessoas reclamando que os números do Censo vão dar abaixo por causa dos subdiagnósticos de autismo, já vi muita gente acusando pessoas com laudo fingirem que eram autistas.


Como explicar a volatilidade? Nem tento entender o que se passa na mente do brasileiro.

Os discursos são sempre contraditórios. Por causa de polarização, todo mundo sai perdendo.

Já vi até gente dizendo que o laudo é só um papel. Se é só um papel, a pessoa, então, não precisa de um diagnóstico? Logo, por que ser contabilizada? Sejam mais coerentes nos discursos.

Incoerências dos brasileiros sobre subdiagnósticos:

– Já vi gente acusando autista de fingir, mesmo a pessoa tendo laudo;

– Já vi gente se posicionando contra diagnóstico precoce, achando que seria ruim, desconhecendo a questão da plasticidade cerebral;

– Já vi gente dizendo que autismo nem deveria ter CID;

– Já vi gente dizendo que o outro não é autista, só porque sabe argumentar e é diferente do …

Filme: American Mary – Modificações Corporais, Cirurgias Clandestinas e Muita Violência

American Mary é um filme de terror, de 2012, que conta a história de Mary Mason (Katharine Isabelle), uma estudante de medicina que sonha em se tornar cirurgiã. A falta de dinheiro para continuar pagando as contas faz com que a jovem, desesperadamente, tente encontrar emprego numa casa noturna. Porém, quando o dono do lugar viu o currículo dela (sim, a mocinha ingênua achou que era preciso para ser dançarina no clube) e descobriu as habilidades médicas dela, ele a pediu para fazer uma cirurgia clandestina em troca de cinco mil dólares.



Após a primeira cirurgia, a qual Mary tenta se convencer de que fez somente porque precisava muito do dinheiro, ela recebe a ligação da misteriosa e bizarra Beatress que a recomenda para uma cliente. Desde então, a estudante começou a se comportar como se fosse médica e passou a operar várias pessoas que desejavam realizar modificações corporais, como língua dividida, chifres, amputações, remoções de mamilos e genitais.

Além da antiética para realizar o trabalho de cirurgiã de forma ilegal, em uma tentativa de se aproximar de outros profissionais da medicina, Mary acaba sendo drogada e abusada sexualmente por um médico. Para se vingar, ela acaba descontando a raiva toda nele, mutilando-o.


Dirigido e escrito pelas gêmeas idênticas e canadenses Jen Soska e Sylvia Soska, American Mary impressiona pelo seu roteiro sangrento, pelas imagens de body modifications e a reviravolta interna da protagonista, que de violentada passou a se tornar tão destrutiva quanto às pessoas que tentaram estragar a vida dela. Eu, por exemplo, ainda acho forte essas transformações voluntárias no corpo, como amputações, cortes na língua, modificações nos dentes, implantes de silicones e outros materiais em diferentes partes do corpo.

Não vou contar cada uma das cirurgias realizadas no filme para não estragar a surpresa de quem se interessar por assisti-lo, mas algumas imagens são fortes e impressionam pela naturalidade que a protagonista vai desenvolvendo ao longo do tempo. O que era para ser só um serviço clandestino acabou se tornando algo permanente. Mary ficou obcecada pelo dinheiro e sucesso, mas são suas primeiras obras-primas que podem causar o seu declínio.

O filme American Mary permite algumas reflexões: O quão perigoso é alguém dominar as técnicas de cirurgia se a sua mente não estiver sã? Mesmo que inicialmente a pessoa esteja saudável e se ela passar por uma experiência traumática, sem acompanhamento, quais serão as consequências? Até que ponto é saudável modificar o corpo para satisfazer o próprio ego?


Quando a personagem era uma feliz e sonhadora estudante louca para se formar e trabalhar logo com outros cirurgiões, ela não se deu conta de como era podre o meio no qual ela tanto desejava fazer parte. “Somos açougueiros” e “corta, corta, corta” (expressão que me lembra do filme A Morte do Demônio) são algumas das frases usadas pelos profissionais para descreverem o seu trabalho. No final, Mary acaba virando uma cortadora das melhores, tão cega pelo seu caminho de autodestruição que se torna assustadora e intensa, a ponto de recusar fazer modificações básicas, como piercing. A protagonista torna-se viciada em cortar os outros, refletindo o seu interior fragmentado, e sua sede incontrolável por vingança e morte.

As gêmeas que aparecem no filme são as diretoras. As maquiagens e os efeitos especiais são tão bem feitos, que me perguntei até que ponto eram só personagens ou se os atores eram daquele jeito mesmo. Além da protagonista e das diretoras, a personagem Beatress (Tristan Risk) foi a que mais me chamou a atenção, pela sua aparência de personagem animado.

Na batalha entre estética e ética, “as aparências são tudo”.


Por conter imagens fortes, American Mary é recomendado para maiores de 18 anos: cenas de nudez e sexo, violência, abuso de substâncias e muitos cortes! A história lembra de forma breve o filme Doce Vingança.

A atriz principal, Katharine Isabelle mais conhecida pelo filme Possuída (Ginger), me surpreendeu com sua atuação. Atualmente, ela está participando da série Hannibal, no papel de Margot, a irmã de Mason Verger, e participa de mais um filme de terror dirigido pelas gêmeas Jen e Sylvya Soska, See No Evil 2, com previsão de estreia em outubro de 2014, nos Estados Unidos.

Confira o trailer de American Mary:

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