Pular para o conteúdo principal

Destaques

Imprevisível

Era antes de dormir que vinha a vontade de escrever. Tudo parecia estar dominado pelo sol, mas a qualquer momento tudo pode mudar em Campo Grande (MS). Tudo o que posso fazer é torcer para que não haja outros prejuízos e pessoas machucadas pela tempestade. Tudo indica que venha vento, mas por enquanto nada é 100% certo. Era na ventania que percebia o humor mudar. E se lembrava da importância da calma. Uma crise precisava ter mais do que alguns ventos para ser chamada assim. Ia deitar consciente de que não queria chuva, mas que poderia acontecer. Que o sol estava ajudando na regulação do humor, mas que era mais difícil quando tudo era imprevisível. Escrevia para se despedir do sol. Para lembrar que embora houvesse risco, não necessariamente significava que iria acontecer. E de todo modo, com os alertas feitos pelos jornais de Campo Grande (MS), que as pessoas saberiam o que fazer. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escrita Maldita , p ublicad...

Filme: Blue Jasmine – Comédia dramática do Woody Allen

Blue Jasmine é um filme de comédia dramática, dirigido e escrito por Woody Allen, de 2013, estrelado pelos atores Cate Blanchett e Alec Baldwin (que também participou de Para Roma, Com Amor, do mesmo diretor). Jasmine é uma socialite, com conflitos internos mal resolvidos que vai morar com a irmã depois de perder todo o seu dinheiro.


A protagonista é narcisista, egocêntrica e sente desprezo pela vida da irmã – ambas foram adotadas, mas Jasmine sempre se sentiu melhor do que Ginger (Sally Hawkins). Então, não é preciso ser nenhum expert em psicanálise para perceber o quanto Jasmine projeta na irmã tudo o que a incomoda nela mesma: ela diz que a irmã não sabe escolher um bom homem, que ela precisa mudar a vida e arranjar um emprego melhor, enquanto a própria protagonista perdeu tudo por causa do ex-marido que sonegava impostos, a traía e abandonou a faculdade, para se casar com o homem rico.

Jasmine pouco se desenvolve do início ao final do filme, é meio agoniante, tentando colocar sua vida em ordem, mas não conseguindo. Ela sofre com alguns ataques histéricos e fica depressiva, um ótimo trocadilho do nome Blue Jasmine. Da parte da protagonista, difícil é rir com tantas coisas tristes que acontecem. Já Ginger, influenciada pelos comentários da irmã, acaba ficando presa dentro do seu próprio ciclo e também quebrando a cara, porém por ser mais resiliente, logo dá a volta por cima. Ah, diferente de Jasmine que tinha uma vida luxuosa, Ginger trabalha num mercado, tem dois filhos e um ex-marido.

Dei poucas risadas assistindo ao filme, mas é inegável que há certa graça na melancolia da mulher. Uma das falas que me fez gargalhar foi quando ela diz:


"Com quem eu tenho que transar por aqui para conseguir um martíni com um toque de limão?" 

A protagonista idealizou uma vida toda para ela, e depois de sua fantasia desmoronar, as estruturas dela também se rompem. É engraçado vê-la tendo seus pitis, diminuindo a irmã por causa do namorado mecânico, reclamando do tamanho da casa, quando Jasmine está sem rumo, está sempre bebendo ou precisando de seus remédios e quase se casa novamente para fugir dos problemas.


O tipo de história que não tem um final feliz e encanta por ter uma dose de realismo. O mundo criado por Jasmine é tão vazio, que ao mesmo tempo em que rimos dela, sentimos vontade de abraçá-la, principalmente, quando ela não entende que a irmã "menos favorecida" é feliz do jeito que é e não precisa de uma fantasia para se sentir completa.

"Algumas pessoas, elas não colocam as coisas para trás tão fácil"

O filme Blue Jasmine ganhou 44 premiações e teve 49 nomeações. A maioria dos prêmios foram de melhor roteiro para o Woody Allen, melhor atriz para Cate Blanchett e melhor atriz coadjuvante para Sally Hawkins.

Assista ao trailer de Blue Jasmine:



Não deixe de ver: Filme: Frances Ha – comédia dramática sobre seguir sonhos e amadurecer

Mais lidas da semana