quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Resenha: Divergent – Veronica Roth

Divergent é o primeiro livro da trilogia da escritora Veronica Roth. Minha edição foi a primeira de paperback, de 2012, publicada pela Katherine Tegen Books (HarperCollins Publishers), com 490 páginas da narrativa, além do material bônus e dos dois primeiros capítulos de Insurgent.
Capa do livro Divergent, Veronica Roth
Capa da minha edição de Divergent.
Antes de começar a ler a narrativa, o leitor já é bombardeado pelas opiniões de jornais, revistas e sites sobre a obra, todas falando super bem de Divergent e comentando que ela foi considerada melhor livro do ano por algumas publicações, como Publishers Weekly, School Library Journal e Amazon, entre outras.

“Becoming fearless isn't the point. That's impossible. It's learning how to control your fear, and how to be free from it.” 

Diferente de muitos leitores que devoraram o livro antes de assistir a adaptação cinematográfica, eu só fui ler depois, portanto não tive muitas surpresas. A leitura é bem leve e fluida, a linguagem é simples (mesmo em inglês não fica difícil entender) e a trama está recheada de referências literárias que fizeram sucesso. Divergent é uma distopia voltada para o público young-adult (jovem-adulto).

É possível sentir a influência dos livros que mudaram a vida da Veronica Roth em Divergent, como The Giver (O Doador de Memórias), do Lois Lowry, Ender’s Game (O Jogo do Exterminador), do Orson Oscott Card e 1984, do George Orwell. Ainda de acordo com a autora, o enredo surgiu quando ela estudava terapia de exposição para o tratamento de fobias, o que teve forte influência na criação dos Dauntless, traduzido na versão brasileira como Audácia.

Não sou muito fã de resenhar livros best-sellers por vários motivos: primeiro, eles já são muito conhecidos e as editoras costumam fazer um investimento pesado em sua divulgação, sem falar a força da adaptação para o cinema nas vendas; segundo, não acredito que todo livro super vendido necessariamente seja de qualidade, grande parte deles é superficial; por último, para não ficar prolixo, como muitos blogueiros literários já resenharam antes a obra, dificilmente alguém vai se interessar em ler sua análise, portanto não vou me aprofundar no texto – embora o lado positivo seja o maior número de buscas e chances de usuários entrarem em seu blog sobre livros.

“Fear doesn't shut you down; it wakes you up” 

Divergent conta a história de Beatrice ou Tris, como ela passa a ser chamada depois. Narrado em primeira pessoa pela adolescente, o livro leva o leitor por uma Chicago futurista, na qual a protagonista tenta descobrir sua identidade e precisa fazer um teste para escolher uma das cinco facções: Erudite (Erudição), Amity (Amizade), Abnegation (Abnegação), Candor (Franqueza) e Dauntless (Audácia). Após escolher o seu ‘grupo’, é como se ele se tornasse sua família.

O conflito principal da protagonista é o da autodescoberta, da busca pela sua identidade. Ao longo da história ela vai aprendendo mais sobre si mesma. Mesmo tendo sido criada dentro da Abnegação, ela descobre que pode ser corajosa, entre outras qualidades – esta consciência e os testes inconclusivos logo a revelam que ela é divergente.

Beatrice se desenvolve gradualmente, da insegurança e excesso de preocupação com o outro, ela começa a ficar mais forte. A jornada da personagem causa uma forte identificação entre ela e seus leitores (público-alvo: adolescentes) pelos dilemas parecidos, como a paixão por Four e a segurança proporcionada por ele que é mais velho e mais experiente do que ela, a influência das novas amizades que ora parecem a melhor coisa do mundo, ora não se sabe até que ponto dá para confiar nelas, além da necessidade de não desistir e continuar sempre na luta, mesmo que tudo ao seu redor esteja desmoronando.

“One Choice
One Choice, decided your friends.
One Choice, defines your beliefs.
One Choice, determines your loyalties - Forever.
ONCE CHOICE CAN TRANSFORM YOU” 

A distopia tem como premissa “Uma escolha pode te transformar”. A vida inteira de Beatrice é virada de cabeça para baixo após ela entrar para a Audácia. Mesmo com as dores, a saudade da família (algo que eventualmente todos nós lidamos) e a tentativa de se encaixar, tudo isso ajuda no fortalecimento da protagonista. Além dos dramas pessoais da personagem, o leitor também se vê arrastado para os conflitos entre as facções e a tentativa de manipular a sociedade, com muitas cenas de ação e algumas doses de drama e romance.
Material bônus na versão original de Divergent. Seria bacana se tivesse na versão traduzida também.
Após a conclusão da leitura do livro, que não me trouxe muitas surpresas já que durante o filme é abordado praticamente tudo, o que me agradou muito na minha edição foi o material bônus: Pergunta e Resposta com Veronica Roth, Citações que inspiraram Divergente, Playlist de músicas que inspirou Veronica Roth quando escrevia o livro, dicas de escrita, questões para discussão, comentário sobre mundos utópicos, a escolha dos nomes das facções, quiz da facções e manifestos das facções.

Autora Veronica Roth, DivergentA leitura proporciona uma boa dose de entretenimento, porém não rola muita identificação da minha parte com a história. O tipo de livro que gosto de ler, mas sem ficar apaixonado ou encantado pelas personagens e pela trama, talvez por não fazer parte do público-alvo e preferir narrativas distópicas mais aprofundadas, como Laranja Mecânica, do Anthony Burgess.

Sobre a autora – Veronica Roth é uma autora muito jovem e por isso a sua biografia ainda é relativamente curta. Nasceu no dia 19 de Agosto de 1988 em Chicago, que é a cidade onde se desenrola a história de DIVERGENTE. Veronica afirma que escreve desde a altura em se considerava velha demais para brincar ao ‘faz de conta’. Devido à sua paixão pela escrita, e também incentivada pela sua família, ingressou na Northwestern University para estudar Escrita Criativa, e foi aí que a trilogia DIVERGENTE se iniciou.

*Embora eu não tenha lido a versão traduzida, no Brasil, a trilogia Divergente foi publicada pela Editora Rocco, com tradução do Lucas Peterson.

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