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Destaques

Happy Old Year: Filme explora a linha tênue entre o desapego e a nostalgia

O filme tailandês Happy Old Year , de 2019, nos faz pensar sobre as relações que construímos com as coisas que guardamos ao longo da vida. Com direção e roteiro de Nawapol Thamrongrattanarit, a obra está disponível na Netflix. Chutimon Chuengcharoensukying interpreta Jean, uma mulher que deseja fazer um escritório em sua casa, mas se dá conta de que há uma pilha de objetos inutilizados pela casa. Interessada e inspirada pelo minimalismo, se dependesse só dela, ela colocaria tudo em sacos de lixo e jogaria fora, o que ela descreve como buracos negros, porém, à medida que ela coloca o seu plano em ação, Jean percebe que não será tão fácil como imaginava. Com a resistência da família a mudar, Jean encara de frente sua missão, doa em quem doer. O que deveria ser fácil e prático para ela, cuja necessidade é vista até mesmo como egoísmo, acaba se desdobrando em várias situações, fases e etapas conforme ela mergulha nas histórias, memórias e emoções que estão vinculadas aos objetos, especialm

Resenha: Num Mar de Solidão – Vitor Miranda

Recentemente recebi um exemplar do livro Num Mar de Solidão, do artista e autor Vitor Miranda. A obra de 120 páginas foi publicada pela Giostri Editora, em 2014, com contos urbanos que trazem São Paulo como pano de fundo, a metrópole onde o caos e a solidão andam de mãos dadas e diferentes personagens se encontram.
Capa do livro Num Mar de Solidão, de Vitor Miranda

Os contos do livro são narrados em primeira pessoa. Há momentos em que o leitor se pergunta se o narrador é o autor ou é outro personagem que conta a história, por causa do realismo. A linha entre a crônica e o conto é cruzada a todo instante. Doses de autoficção, linguagem ácida, boemia, carência e amores distantes estão presentes nas narrativas que variam de tamanho, sendo o menor conto de duas páginas e o maior de dez.

“Desci do ônibus às sete horas da manhã na esquina da Avenida Paulista com a Rua Augusta. Ah, se eu fosse uma puta, eu escolheria essa esquina. Ela é ótima! É onde passa a maior variedade de seres estranhos da Terra, desde terráqueos, marcianos, plutanianos, saturnianos até os lunáticos” – trecho de O casal de Mendigos

A linguagem pode incomodar os leitores mais puritanos e acomodados. O estranhamento é proposital. O narrador-personagem conta suas peripécias e mostra a sua perspectiva sobre a vida, o amor, a amizade, o sexo e suas loucuras na capital paulista – cenário com o qual ele nutre uma relação de codependência de felicidade e ódio, romantismo e selvageria, encantamento e desilusão.

É impossível ler Num Mar de Solidão sem se lembrar dos escritores que narravam suas aventuras regadas a álcool, drogas, sexo e experimentalismo. O próprio narrador-personagem fala sobre a influência do escritor Charles Bukowski e do personagem Hank Moody, protagonista mulherengo, com problemas de relacionamentos por causa das bebidas e abuso de substâncias, da série de televisão norte-americana Californication.

“Acendi meu cigarro, guardei o maço no bolso de trás da calça e o isqueiro no bolço esquerdo da frente. No direito senti o celular vibrar novamente. Já nem lembro quantas vezes ele vibrou hoje. Esperei ele parar e peguei-o para ver o que eu já sabia. Era a vigésima sétima ligação perdida de uma mulher chamada Mônica. Tenho medo dessas mulheres psicopatas que ficam ligando sem parar, que não esperam o nosso retorno, elas nos envenenam, nos cortam em pedacinhos, o chinês da pipoca Yoki que o diga”trecho de Psicopatas Noturnas

Não vou me aprofundar na análise de cada conto, pois tiraria toda a graça do leitor. Basta imaginar um protagonista que não abre mão do seu cigarro e suas bebidas; Que mesmo amando uma jovem e sabendo que não encontrará nenhuma outra como ela, lida com as madrugadas solitárias e a saudade que os separam a quilômetros de distância, levando-o a outro de seus vícios: mulheres; As festas loucas, encontros com jovens que se preocupam com o seu status e o tédio, mesmo na cidade ‘que nunca dorme’.

“Eu sempre entro em depressão quando volto para São Paulo depois de uma viagem. Eu amo essa cidade, mas só amando-a muito para continuar vivendo nessa merda”trecho de E Foi Assim que Comecei a Escrever

Morcegos, travestis, mendigos e prostitutas dividem as páginas com artistas, trabalhadores, homens e mulheres. O que todos têm em comum além de estarem reunidos no mesmo livro e morarem na mesma cidade? Mesmo diante das inúmeras opções de entretenimento, das diferentes classes sociais, gêneros e orientações sexuais, no final das contas, todos são seres humanos à procura da felicidade, de relações com outras pessoas, de maneiras de ganhar a vida, do sucesso e de preencher os buracos da solidão estampados em suas almas.

Vitor Miranda, autor do livro Num Mar de Solidão
Vitor Miranda. Foto: Divulgação.
Sobre o autor – Vitor Miranda iniciou a vida artística após trancar o curso de Comércio Exterior e se matricular num de Teatro. No fim de 2010, foi protagonista do curta-metragem Amizades e Utopia, trabalho que despertou a vontade de ampliar seus horizontes nas artes. Estudou fotografia, e em 2011, idealizou um projeto de documentários de curta-metragem a serem veiculados na internet, o Documentos Urbanos. Em 2013, lançou seu primeiro curta Pise Fundo, Meu Irmão. Num Mar de Solidão é o seu primeiro livro, publicado pela Giostri Editora.

Para interagir com o autor e mais informações sobre o livro Num Mar de Solidão, curta a página do Facebook: https://www.facebook.com/NumMardeSolidao

Ficou interessado? O livro de contos pode ser encontrado nas lojas virtuais da Saraiva e da Livraria Cultura

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