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Destaques

Virada

É na esperança de uma virada que muita gente se uniu e se posicionou. Há tempos não vinha tanta mobiliza nas redes sociais. Foi algo lindo de ver.  Uma virada ainda é possível? Tudo pode acontecer em uma semana. Vejo as pessoas tirando um tempo para engajar e conhecer outras pessoas que vão votar no mesmo candidato. E quando a pesquisa mostrou virada, não havia como não sentir esperança. A verdade era que muita gente tinha medo de se posicionar, mas com a chegada das eleições, sabia que não havia tempo a perder  Então, seguia escrevendo, na esperança de que ainda fosse possível. Na esperança de que dias melhores viriam. Na esperança de uma virada.  Como com grande parte dos artistas por aqui não tinha como ser diferente. Nem mesmo era uma opção a se considerar. Tudo o que poderia fazer era torcer para uma virada. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escrita Maldita , p ublicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Br...

Resenha: O Diário Roubado – Régine Deforges

Uma adolescente apaixonada por outra garota sofre repressão por causa da hipocrisia da sociedade. Assim é o enredo do livro O Diário Roubado, escritora francesa Régine Deforges, de 140 páginas, publicado no Brasil pelas Edições BestBolso, um selo da Editora Best Seller, com tradução de Jaime Rodrigues.
Capa do livro O Diário Roubado, da escritora Régine Deforges

Publicado originalmente em 1978, com o título Le Cachier Volé, O Diário Roubado é um romance francês que conta a história da jovem Léone, de 15 anos, que escreve em seu diário as coisas que lhe dão prazer e os seus sentimentos sobre a outra adolescente, Mélie.

“Quer dizer que eu estava sorrindo! Sorrio sempre que me censuram, quando me ofendem, quando me agridem. Isso deixava as freiras num estado de cólera total”.

A história se passa em 1950, numa cidadezinha francesa, onde Léone paga o preço por amar outra mulher. Com uma leve dose de erotismo e uma narrativa em primeira pessoa, o leitor se vê espiando as travessuras, os pensamentos e as coisas que tocam a alma e enchem de prazer o corpo da garota.

A bela e ruiva Leóne é admirada pelos rapazes e homens da cidade. Após desprezar o jovem Jean-Claude, os colegas dele tomam suas dores e também são rejeitados, provocando a raiva de Alain que rouba o diário de Leóne. As fofocas se espalham pela cidade. As pessoas não só passam a olhar com cara feia para a garota, mas também a agridem verbalmente e fisicamente.

“As pessoas me olham estranhamente, ninguém vem falar comigo, nem os colegas nem os rapazes que habitualmente dão em cima de mim. Mulheres sussurram entre si, olhando-me com raiva, nojo ou desdém, seus maridos desviam o olhar, incomodados. Sinto-me o alvo de todos os olhares, o tema de todas as conversas. Não consigo tolerar esse clima”.

Com as leituras do diário de Leóne, as pessoas transformam sua admiração em repulsa. É como se elas passassem a projetar nela seus problemas e conflitos mal resolvidos com suas sexualidades. Outro ponto interessante em analisar o comportamento das pessoas da época, é que Leóne seria aceita do jeito que ela era somente se ficasse com um rapaz, caso contrário seria uma puta, prostituta, entre outros nomes que ela é chamada.

O leitor acompanha a transformação da jovem cheia de vida e energia para a garota melancólica e doente, que passa a se isolar dos outros, seja por medo de ser agredido ou para evitar os julgamentos. Porém, a protagonista tem uma personalidade forte e consegue surpreender diante das reviravoltas, com um final catártico, mas não tão prazeroso quanto se esperava. O Diário Roubado é um livro sobre amores proibidos, o desenvolvimento da sexualidade e uma crítica à sociedade puritana, hipócrita, machista e homofóbica (lesbofóbica).
Escritora Régine Deforges
“A cada página arrancada e queimada é um pouco de mim que é ferido ou morre. Apesar de meus esforços, as lágrimas se põem a escorrer. Ouvem-se apenas o ruído do papel despedaçado e o surdo rumor das chamas”.

Sobre a autora — Régine Deforges é conhecida como a maior representante da literatura érotica francesa. A escritora foi a primeira mulher a comandar uma editora na França e, durante anos, foi censurado por publicar uma literatura “ofensiva”. A pressão de grupos conversadores levou Deforges a fechar a empresa. A autora consagrou-se ao lançar a série iniciada com o livro A bicicleta azul, em 1981. O diário roubado foi adaptado para o cinema em 1993, dirigido pela francesa Christine Lipinska. Régine Deforges nasceu em 1935 e morreu em Paris, no dia 3 de abril de 2014.

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