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Destaques

Autismo: Responsabilidade e experiência como moderador de grupo

Quando eu fui moderador de um grupo de autismo com milhares de pessoas (mais de 18 mil, se não estou enganado, sem falar as centenas de solicitações em espera), eu removia comentários e posts sobre tratamentos falsos e pessoas tentando promover eventos DUVIDOSOS de autismo (existem muitos).


Não importava se estava escrito nas regras, um post ou outro sempre passava, porque nem todo mundo tinha a mesma compreensão sobre pseudotratamentos e autismo e um dos moderadores sempre liberava.

Todo moderador/administrador tem responsabilidade sobre o que acontece dentro de um grupo, página, blog, que seja.

Eu e a Rivotrip​ chegamos a bater boca com anti-vacinas na madrugada. Fomos os últimos moderadores autistas do grupo. O resto era familiar.

Se no seu grupo passam vários podres e você não está moderando, você pode se sujar junto. É algo que vai além da imagem e credibilidade, especialmente quando se tratam de tratamentos proibidos e perigosos.

Mais consciência e responsabilidade.

Para as pess…

Resenha: O Lado Bom da Vida – Matthew Quick

Durante o fim de semana li o livro O Lado Bom da Vida, do autor Matthew Quick, de 256 páginas, publicado no Brasil, em 2012, pela Editora Intrínseca, com tradução de Alexandre Raposo. Para quem assistiu ao filme antes, a adaptação cinematográfica é bem fiel ao livro, embora se perca um pouco dos recursos metalinguísticos.

O que mais me interessou na narrativa de O Lado Bom da Vida, com exceção das instabilidades mentais de Pat Peoples, as quais eu já conhecia por causa do filme, é a maneira que o protagonista cria uma série de ilusões. Por exemplo, Pat imagina que sua vida é como um filme, além de ser obcecado por finais felizes, e acredita que ao melhorar sua própria personalidade, o resto também vai melhorar e os problemas do passado serão resolvidos magicamente.

“Não quero ficar no lugar ruim, em que ninguém acredita no lado bom das coisas, no amor ou em finais felizes, e onde todo mundo me diz que Nikki não vai gostar do meu novo corpo, nem vai querer me ver quando acabar o tempo separados. Mas também tenho medo de que as pessoas de minha antiga vida não sejam tão entusiásticas quanto estou tentando ser agora”.

A história é narrada em primeira pessoa por Pat. O passado é ocultado dele e do leitor e só é revelado gradualmente. Sabemos que ele teve experiências ruins e foi enviado para uma instituição psiquiátrica durante anos, quando ele acredita ter ficado fora durante meses e não se lembra do motivo dele e Nikki, sua ex-mulher, estarem separados. Outras particularidades do protagonista: Pat precisa se controlar para não perder o controle sempre que escuta uma música; Ele é viciado em exercícios físicos, como corrida e musculação, pois acredita que desta forma conseguirá recuperar sua esposa e faz o possível para deixar de lado sua necessidade de estar sempre certo.

A vida de Pat se transforma quando a mãe dele se esforça para trazê-lo para casa. Embora a mãe tenha paciência com o filho, o pai é um viciado em jogos de futebol americano que deixa o próprio humor se influenciar de acordo com as vitórias ou derrotas. O protagonista também tem um irmão que também é apaixonado pelo esporte. Mesmo que Pat não se dê conta, o ponto mais alto de sua vida nos últimos dias é o reencontro com seu amigo Ronnie, quando ele é apresentado para Tiffany.

“Se as nuvens estão bloqueando o sol, sempre tento ver aquela luz por trás delas, o lado bom das coisas, e lembro de continuar tentando.”

Tiffany parece uma sombra de Pat. Assim como o homem, ela também teve seu próprio histórico de desequilíbrio químico (depressão) e tenta se exercitar diariamente. O que a princípio incomoda Pat, acaba se tornando um motor para ele movimentar suas esperanças e lidar com o seu principal conflito, tentar reconquistar Nikki.

O Lado Bom da Vida traz algumas doses de realismo, por exemplo, como o afastamento de pessoas que não conseguem lidar com os problemas dos outros e mesmo que conheçam alguém com transtornos parecidos, estão repletos de preconceitos sobre os outros. Ao perceber a dor de Pat e a maneira que Tiffany o ajuda, mesmo que o final não seja aquele idealizado por ele inicialmente, há uma boa sensação de catarse.

Matthew Quick brinca com as expectativas do leitor e mostra que a Literatura não tem a obrigatoriedade de apresentar finais felizes, já que os conflitos dos personagens não só os tornam mais humanos e reais, mais também nos faz perceber que nem sempre as coisas estão em nossas mãos e quanto mais idealizamos alguma coisa, mais longe estamos de conquistar aquilo que desejávamos. A narrativa nos faz ver o lado bom da vida, não aquele pré-concebido, mas o imperfeito. Se eu pudesse definir em uma palavra o livro seria aceitação. Aceitar as próprias limitações, aceitar que não se pode mudar o passado, aceitar que, às vezes, o amor está onde você menos esperava e tudo o que você precisa fazer é recebê-lo de braços abertos, ao invés de alimentar fantasias e sofrer pelo que não se pode ter.

“Parece triste. Parece com raiva. Parece diferente de todas as outras pessoas que conheço - ela não consegue fingir aquela expressão feliz que os outros fingem quando sabem que estão sendo observados. Ela não precisa fingir comigo.”

O romance está repleto de críticas que cabem ao leitor decifrar nas entrelinhas. Os preconceitos sobre os transtornos mentais surgem do próprio protagonista, até seus familiares e amigos. Ainda que as pessoas se esforcem para tentar acolher Pat, é possível perceber que este apoio é limitado e, muitas vezes, superficial. Além de ser mantido no escuro sobre o seu divórcio com Nikki, até que ele estivesse preparado para se lembrar do que realmente aconteceu, Pat quase não recebia visitas quando estava internado. Ainda sobre as idealizações do protagonista, é gostoso ver como ele se ilude a ponto de desejar que tais obras de literatura não fossem recomendadas para adolescentes, por não serem otimistas e seus personagens passarem por situações tristes. Pat vive num estado de autonegação, como se tudo ao seu redor tivesse que ser perfeito e feliz, mesmo que ele não seja desta forma.


Sobre o autor – Matthew Quick era professor na Filadélfia, mas decidiu largar tudo e, depois de conhecer a Amazônia peruana, viajar pela África Meridional e trilhar o caminho até o fundo nevoado do Grand Canyon, reviu seus valores e, enfim, passou a dedicar todo seu tempo à escrita.

Ele, então, fez MFA em Creative Writing pelo Goddard College e voltou para a Filadélfia, onde mora com a esposa. Quick é autor de três romances, além de O Lado Bom da Vida, que lhe renderam criticas elogiosas e menções honrosas importantes, entre as quais destaca-se a do PEN / Hemingway Award.

Comentários

  1. Analine Molinário20 de janeiro de 2015 19:23

    Parabéns pela resenha. Adoro o livro e a resenha ficou exatamente da forma como entendi a história. ;-) Foi um livro que me marcou. Adorei ler.

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    Respostas
    1. Obrigado, Analine!
      O que eu mais gosto em O Lado Bom da Vida é o realismo do relacionamento. Apesar do Pat buscar algo ilusório (tentar aperfeiçoar o corpo e a personalidade por alguém que não dá a mínima para ele), ele acaba aceitando as próprias limitações.
      Fico feliz que tenha gostado!

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  2. Essa resenha bom, muito bem sucedida, mas eu amei o filme. A história eu achei muito bom, bem executar um script, engraçado e inteligente. Abotoaduras entre Jennifer Lawrence e Bradley Cooper me espanta, posso dizer que é um dos melhores filmes de drama Cooper. Atuações ótimas até mesmo dos coadjuvantes Robert De Niro e Jacki Weaver estão ótimos. Uma ótima historia, madura, diferente de todas essas comedias dramáticas/românticas. Vale muito apena acompanhar.

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    Respostas
    1. Oi, Sofia!
      Gosto muito do filme também. Dá para sentir bem as emoções vividas pelos personagens e como eles lidam com esses conflitos internos. Jennifer Lawrence está fantástica!
      Abraços

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