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Reflexão sobre tempos de pandemia no Brasil

Sexta-feira reflexiva. Caos coletivo por causa de egoísmo individual. Elegeram um analfabeto científico: aliás, o brasileiro adora eleger analfabetos.

Fez promessas para deus e o mundo e agora, além de estar afundando, quer, ironicamente, afundar junto seus eleitores que em grande parte representa grupos de risco, como idosos.

Um político que representa tudo o que eu desprezo.

Para alguns, ele tira a máscara; para outros, nada novo no horizonte.

Com tanto despreparo e ignorância nem as funerárias vão sorrir: afinal, muitos nem vão poder velar seus familiares.

Coronavírus não é uma histeria; histeria é o delírio de um mitomaníaco no poder.

É muito bizarro ver negacionistas da ciência que são da área da saúde. Escolheram o nicho errado... Aproveita a pausa para se reinventar e mudar de área. O mundo agradece.
Sobre o autor:
Ben Oliveira é escritor, blogueiro, jornalista por formação e Asperger. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem 

Resenha: Anelisa Sangrava Flores – Anderson Henrique

Anelisa Sangrava Flores é o título do livro de contos fantásticos, do escritor Anderson Henrique, de 126 páginas, publicado em 2014, pela Editora Penalux. Começando pela sua capa sugestiva e pelo texto do prefácio, o leitor já sabe o que o aguarda, narrativas que cruzam a linha entre o real e a fantasia!


O livro traz 13 contos de fantasia, mas os textos não se limitam às criaturas de outro mundo e aos elementos maravilhosos. Anderson Henrique consegue mesclar bem diferentes temáticas, deixando explícita sua paixão pela arte de contar histórias e o zelo com a linguagem. Outro ponto interessante no livro é a caracterização das personagens femininas, e como elas são marcantes, como Anelisa, Marialice, Estela, Bárbara, Ana Paula e Carolina.

O primeiro conto do livro é intitulado Gigante, na qual o leitor tem um primeiro contato direto com o universo fictício desenvolvido por Anderson Henrique. Nesta história, conhecemos Jurandir, e logo nas primeiras linhas sabemos que ele tinha características peculiares, como olhos grandes e mãos desproporcionais ao corpo. Embora o nome da narrativa entregue um pouco sobre o personagem principal, é o desenvolvimento da trama que nos impressiona!

Desde as páginas iniciais, percebe-se a força da metamorfose, transformação esta que acontece a alguns personagens, literalmente, e podem ser sentidos através da leitura. A boa literatura não somente entretém, mas também proporciona a vivência na pele dos personagens, expande horizontes e como uma viagem, a pessoa que éramos antes não é a mesma que voltou.

Por ter o mesmo título do livro, antes mesmo de ler o segundo conto, Anelisa Sangrava Flores, desenvolvemos uma forte expectativa. Pela capa, temos noção do que vem pela frente, mas somos surpreendidos. A narrativa apresenta Anelisa, uma garota tão ligada à natureza que possui um dom misterioso e encantador. Quando o seu sangue entra em contato com a terra, flores começam a nascer. O conflito final nos dá uma bela dose de reflexão, com suas metáforas e contrastes entre dor e alegria, morte e esperança.

“Seu dom era também uma angústia com a qual a jovem teve de aprender a conviver. Esses cuidados poderiam ser um tomento se não estivesse tão à vontade com aquilo que a fazia única e peculiar. Compreendeu cedo que cada ferida abriga uma dádivda: a dor encerra em si uma alegria futura”. – trecho do conto Anelisa Sangrava Flores.

Uma Noite, Uma Década é o terceiro conto do livro. Anderson Henrique nos proporciona uma dose de romantismo e nostalgia com os personagens principais, Marialice e Eduardo. Os efeitos do tempo sobre o amor, a entrega e o abandono, a jovialidade e a velhice. Um encontro prazeroso entre os dois, um hotel, o poder dos desejos e das palavras.

“Há noites que sintetizam anos, e anos que rastejam ao encontro de uma única noite” – trecho do conto Uma Noite, Uma Década

Estela e Carolina, Scarlet e Jordana são, respectivamente, o quarto e quinto contos. A sedução das mulheres, as transformações das personagens, a influência dos sonhos, a idealização, o estranhamento. Outra marca das narrativas do Anderson presentes na obra é esta brincadeira entre realidade e fantasia, além de trazer uma crítica ao que é considerado normal e ao que foge à regra diante dos olhos da sociedade.

A previsão de José Pasqual tem como protagonista um homem que tem uma certeza: o fim do mundo está próximo. Todas suas ações acontecem em torno desta premissa. O que mais gostei no conto é de sua loucura, pois tenho predileção por personagens neuróticos. É interessante essa relação entre o protagonista e as pessoas que acreditam no mesmo. Perdi a conta de quantas vezes já ouvi a expressão “É o fim do mundo” e de como ano após ano, muitas pessoas se preparam para o apocalipse.

Assim como todo livro de contos, algumas narrativas são mais prazerosas do que outras. Pescaria noturna foi a história que me agradou menos, sobre Pedro, um pescador que é agraciado com uma surpresa. Embora seja bem elaborada, não houve uma afinidade forte com os personagens. Por outro lado, dificilmente um autor consegue prender a atenção do leitor e agradar com todas suas produções, mas as outras 12 narrativas me cativaram!

Quadro meu, moldura sua narra a história de Bárbara, uma artista fascinante e passional. Foi um dos contos mais marcantes. Gosto deste diálogo entre a literatura e a pintura. Desde os primeiros parágrafos até o último, Anderson Henrique nos conduz por essa viagem, com uma boa dose de metalinguagem.

“Bárbara pintava nua. Despia-se da roupa, das preocupações, do aluguel atrasado, e pintava o tempo que fosse necessário para finalizar sua arte”. – trecho do conto Quadro Meu, Moldura Sua.

A transição tem uma pegada de ficção científica e aborda uma viagem espacial e vida extraterrestre. Foi uma surpresa gostosa encontrar esta narrativa dividindo espaço com outros contos de fantasia urbana.

Os muitos verões de Ana Paula e O beijo trazem histórias românticas. No primeiro, é possível sentir como se estivéssemos observando Anderson digitar o conto, pois as palavras são bem medidas e pontuadas, tal como o som das teclas batendo, e há um diálogo com as outras narrativas presentes no livro. No segundo, há uma personagem misteriosa que beija um estranho, nos levando a perguntar várias coisas. As reviravoltas e o clímax são emocionantes!

“A cabeça de um homem apaixonado é um pomar de interrogações. Você pode deixar as frutas penduradas até que amadureçam, mas ainda assim, com o tempo, caem e acabam atingindo sua cabeça” – trecho do conto O Beijo.

Recortes da Eternidade e Um pouco acima do chão são os dois últimos contos. Criaturas fantásticas mostram que também podem se apaixonar, assim com os outros personagens mostram suas imprevisibilidades. A originalidade de Anderson ao contar histórias com esses seres e o final inesperado são aditivos. Um pouco acima do chão foi boa escolha para finalizar o livro e deixar aquele gostinho de missão cumprida e quero mais no leitor. O escritor equilibra a literatura arte, mas sem deixar de envolver o leitor e se tornar fonte de entretenimento.


Sobre o autor – Anderson Henrique nasceu no Rio de Janeiro, Capital, em 1982. É formado em Letras - Literaturas de Língua Portuguesa. Alguns de seus textos foram premiados em concursos literários nacionais. Publicou nos livros Dramas Urbanos, pela editora Monte Castelo, Dimensões.br pela editora Andross, Grimoire dos Vampiros e Ufo - Contos não identificados pela editora Literata. Anelisa Sangrava Flores é seu primeiro livro solo. Para mais informações, conheça o blog do autor: http://anelisasangravaflores.blogspot.com.br.

Bom, é isso. Resenhar livros de contos não é fácil, mas espero que tenham gostado! Valorize a literatura nacional e dê uma força para a nova safra de autores brasileiros. Anelisa Sangrava Flores pode ser comprado em formato impresso no site da Editora Penalux e em eBook na Amazon

Bônus: Imagem com o trecho do livro que criei para divulgar a resenha! 


Comentários

  1. Fico muito feliz com esse fluxo constante de publicações no gênero fantasia. É um terreno fértil com leitores aficcionados e quem se aventura nessa área corre o "risco" de ganhar um público fiel. Fantasia e romantismo dão uma bela mistura.

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    1. Olá, Ronaldo! Concordo contigo. O romantismo quando bem escrito, fugindo dos clichês, misturado à fantasia, dá um belo resultado. Torço para que o público-leitor saiba valorizar esta nova safra de autores brasileiros. Precisamos dar uma oxigenada no mercado nacional de livros.
      Abraços

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