quarta-feira, 1 de julho de 2015

Entrevista: Vinicius Fernandes fala sobre seu Livro de Vampiros com Protagonista Gay

Após um intervalo sem publicar entrevistas com escritores aqui no blog, aproveitei esta semana para entrevistar o Vinicius Fernandes. Formado em Tradução e Interpretação, ele é o autor do livro Graham: O Continente Lemúria, um romance de fantasia sobre um jovem gay caçador de vampiros. Assinada com o pseudônimo A. Wood, a obra foi publicada em 2014, pela Editora Selo Jovem e se destacou entre os seus leitores.

Leia: Resenha de Graham – O Continente Lemúria


Graham apresenta não só um protagonista com a sede por exterminar vampiros, mas um homossexual com seus conflitos de aceitação, paixões e tragédias. Durante a entrevista, Vinicius Fernandes falou sobre o seu interesse por literatura, sua experiência como escritor, a importância dos personagens gays e divulgou a sinopse do seu possível novo livro! Confira abaixo:

Ben Oliveira: Você começou a se interessar por literatura desde os 7 anos e aos 12 anos escreveu suas primeiras histórias. Como foi essa transição de jovem que escrevia para si mesmo para autor publicado?

Vinicius Fernandes: Desde que eu comecei a escrever, pensei em ser publicado, mas é claro que meus textos não eram bons o suficiente para isso. Então, continuei escrevendo bastante e, após muito praticar, atingi um nível de escrita publicável... Aí quando terminei de escrever "GRAHAM", decidi ir atrás da publicação.

Ben Oliveira: De onde surgiu a história de escrever um livro de vampiros em que o protagonista fosse gay?

Vinicius Fernandes: Eu comecei a escrever "GRAHAM" enquanto estava nos Estados Unidos, numa viagem de intercâmbio. Do nada, me veio aquela vontade de escrever algo. Então, peguei o notebook e, sem pensar muito, fiz a primeira versão do primeiro capítulo do livro. Como vampiros é um tema já muito explorado, resolvi acrescentar algo novo na história: um caçador gay. Além de ser algo inovador, é algo que deixa a história mais real e não só fantasiosa.

Ben Oliveira: Graham foi publicado com o pseudônimo de A. Wood. O que o levou a escolha do pseudônimo?  

Vinicius Fernandes: O que me levou à escolha desse pseudônimo foi o fato de escritores brasileiros ainda serem menosprezados pelos próprios brasileiros. Infelizmente, há um pouco de preconceito com autores nacionais. Os leitores recebem as obras estrangeiras com a mente muito mais aberta e acabam repelindo os nacionais. Escolhi "A. Wood" por soar estrangeiro e fazer o leitor se aproximar da obra sem preconceitos. Caso ele goste do livro, verá que foi feito por um brasileiro e poderá se surpreender com o que nossos livros apresentam.

Ben Oliveira: A princípio, por não estarem acostumados com muitas narrativas de ficção com temática gay, pode causar certo estranhamento nos leitores, no bom sentido. Qual tem sido a reação dos leitores de Graham?

Vinicius Fernandes: Realmente, algumas pessoas estranham a princípio. Só que quando olham melhor para a trama e percebem que o fato de o protagonista ser gay é só mais um característica dele. Recebi muitos elogios pela temática inovadora da obra.

Ben Oliveira: Com toda a dificuldade de promover livros de ficção que abordem a diversidade sexual no Brasil, qual foi a sensação ao saber que Graham está entre os livros mais vendidos da Editora Selo Jovem?

Vinicius Fernandes: É uma sensação de dever cumprido. Eu faço muitas divulgações de todos os modos que consigo, e ser o mais vendido da editora me deixa muito feliz. Espero que eu continue agradando cada vez mais leitores.
Ilustração de Graham, presente a partir da 2ª edição do livro. Foto: Divulgação / Vinicius Fernandes.

Ben Oliveira: Acredita-se que a literatura poderia transformar os leitores. Embora saibamos que isto não é 100% verdade e que o papel do escritor não é o de educar, a leitura pode ajudar a abrir a mente, trazer críticas à sociedade e levantar questionamentos. Para você, de que forma Graham e outros livros com personagens gays podem contribuir para diminuir o preconceito?

Vinicius Fernandes: Uma das coisas que os leitores mais me falaram foi que a homossexualidade do Peter (o protagonista) é retratada de forma natural. Afinal, ser gay não é coisa de outro mundo. E é assim que coloco no livro: o protagonista é um rapaz jovem, tem sonhos e é gay. Nada demais. É só mais uma característica dele. Acredito que precisamos de livros assim, que retratem a diversidade sexual sem estereótipos. Preconceito muitas vezes é medo do desconhecido. Ao inserirmos uma minoria na literatura, do modo que essa minoria é – normal como qualquer pessoa –, estaremos mostrando a realidade e ensinando aos preconceituosos que não há motivo para tanto ódio ou medo.

Ben Oliveira: Aos poucos, personagens LGBTs vão deixando de ser retratados na literatura contemporânea como estereótipos e/ou personagens secundários e ganham destaque como protagonistas. Qual é a importância desta abertura para personagens com os quais os leitores LGBTs possam se identificar?

Vinicius Fernandes: Isso é muito bom para que todos os LGBTs possam se identificar e sentir parte da sociedade. Somos todos iguais, somos todos seres humanos, acima de tudo, independente da orientação sexual. Ao inserir personagens LGBTs na literatura, estamos mostrando que todos existem, que fazem parte desse mundo e que ninguém deve ser menosprezado.

Ben Oliveira: Publicar livros com temática gay no Brasil ainda é complicado por causa do preconceito. No primeiro semestre deste ano, duas editoras voltadas para o público LGBT fecharam as portas. Como você avalia a situação do preconceito contra obras com personagens gays no país em relação às editoras, autores e leitores?  

Vinicius Fernandes: Eu não acho que seja difícil publicar obras com temáticas gays, pois temos editoras grandes publicando livros estrangeiros com essa temática. O que é difícil é a publicação no Brasil e o reconhecimento, sendo você um autor nacional. Encontrei algumas dificuldades em ser aceito por grandes editoras do país, mas porque ainda não tenho um nome grande no mercado editorial, porque sou desconhecido e apostar num autor novo é arriscado. O mercado é muito competitivo e dominado por editoras grandes e best-sellers internacionais, tornando difícil algum talento novo surgir. Público para esse tipo de obra existe, e muito. O que falta são apostas e divulgações grandes para essas obras.

Ben Oliveira: Você é formado em Tradução e Interpretação. Levando em conta o feedback do público-leitor brasileiro, há planos para traduzir Graham para outros idiomas?

Vinicius Fernandes: Eu gostaria de traduzir, sim. Já até comecei uma versão para o inglês, mas ainda acho cedo para tentar alcançar um público internacional. Ainda preciso conquistar mais leitores aqui no Brasil mesmo.

Ben Oliveira: Uma ótima maneira de se familiarizar com o estilo de outros autores e com sua própria escrita é praticando, reescrevendo e traduzindo. De que forma sua atividade como tradutor e blogueiro te ajudaram a aperfeiçoar sua escrita?

Vinicius Fernandes: Como disse anteriormente, pratiquei muito antes de publicar "GRAHAM". O segredo de escrever bem é praticar muito, ler muito, observar o estilo de autores diferentes, ler dicas e buscar sempre melhores maneiras de se expressar. Eu leio muito, observo, escrevo no blog às vezes, traduzo e isso me ajuda. Quanto mais se praticar, melhor.


Ben Oliveira: A página no Facebook de Graham: O Continente Lemúria conta com mais de 3 mil curtidas. Como as ferramentas digitais tem o auxiliado a interagir com o leitor e a divulgar a obra?

Vinicius Fernandes: Muito. A maior parte dos leitores foi conquistada pelas ferramentas digitais. Eu divulgo, faço postagens, compartilho em grupos de leitura. A internet me ajuda bastante na divulgação do livro. Sem ela, não sei se teria conquistado os leitores que tenho.

Ben Oliveira: Uma estratégia utilizada por autores contemporâneos, principalmente os independentes, é a parceria com blogueiros literários. Como foi essa experiência?

Vinicius Fernandes: Foi ótima. Escolhi os blogs que mais me agradaram para enviar exemplares e não me arrependi. As resenhas foram muito claras e, felizmente, todas positivas. Acho muito legal essa sinergia entre autores e blogueiros.

Ben Oliveira: Recentemente, você terminou de concluir o manuscrito do seu segundo livro. Você pode dizer sobre o que se trata ou ainda é segredo?

Vinicius Fernandes: Posso, sim. Embora ainda não tenha data pra lançar, ele já está pronto e passando por revisões e algumas análises. Vou colocar a sinopse dele aqui:

"O andarilho sorriu satisfeito mais uma vez. Aquele não era o seu mundo. Tudo ali era muito diferente do que aquilo com que estava acostumado. Mas isso não significava que já não tivesse visto aquelas coisas antes. Ele estudara por muito, muito tempo. E agora finalmente conseguira. Havia cruzado a barreira entre dois mundos." 
Nós não estamos sozinhos no Universo. Quando Alice Limberger e seu namorado, Marco, têm um estranho encontro com uma fada no parque do Ibirapuera, suas vidas e a de todos os moradores da cidade de São Paulo começam a mudar da noite para o dia. Portais sobrenaturais se abrem misteriosa e aleatoriamente em diversas regiões, ocasionando no sumiço de pessoas e no aparecimento de seres que até então só existiam em livros infantis. Como e por que esses portais estão aparecendo, Alice não consegue explicar, mas descobrirá que é apenas o começo de uma reação em cadeia na qual ela está envolvida no centro de tudo.

Ben Oliveira: Quais conselhos você deixaria para escritores iniciantes?

Vinicius Fernandes: Meu conselho: leiam muito, busquem sempre melhorar, observem outros autores e tenham muita paciência e insistência. O mercado editorial é muito difícil, mas se formos perseverantes e flexíveis, aos poucos conseguiremos conquistar nosso lugar nele.

Gostaram da entrevista com o Vinicius Fernandes? Não deixe de comentar e/ou compartilhar!

7 comentários:

  1. Legal a entrevista Ben. Eu soube da existência do livro já há alguns meses e fui protelando a compra, mas agora me deu vontade de ler. Quanto a "elemento" gay na história, concordo que deve ser visto de modo natural. Um exemplo de autora que consegue inserir personagens gays naturalmente em seus livros, que também são de temática sobrenatural, é Anne Rice. Por um lado é um diferencial, mas é também uma forma de expressar um universo.

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    1. Oi, Ronaldo!
      Concordo contigo. Dos livros da Anne Rice que li, ela conseguiu trabalhar com naturalidade a homossexualidade dos personagens.
      Obrigado pela sua visita! Espero que sua leitura seja prazerosa, caso venha a ler Graham.
      Abraços

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  2. Gostei muito da entrevista com o escritor Vinicius Fernandes. Instigou-me a ler o livro.
    Parabéns pela entrevista, Ben Oliveira.
    Grande abraço.

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    1. Olá, Paulinho!
      Obrigado pela visita. Fico feliz que tenha gostado. Certeza que o Vinicius Fernandes vai ficar feliz por você ter se interessado pelo livro dele. Graham é bacana!
      Abraços

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  3. Ben Oliveira, boa noite.
    Venho convidá-lo a participar do tópico que criei em minha página no Google+, "Posso visitar seu blog?".
    Basta deixar o endereço do blog/site para que eu e outros possamos visitá-lo. O convite está aberto a todos os interessados.
    Conto com sua colaboração.

    Muito obrigado.

    https://plus.google.com/+PauloC%C3%A9sarBatistaBomfimPaulinhoDhiAndrade/posts

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  4. Ben, gostei muito da entrevista e além de conhecer o escritor nos instiga a ler o que ele produziu. Grande abraço.
    www.tomoliterario.blogspot.com

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    1. Oi, Tomo Literário!
      Obrigado pela leitura e pelo comentário. Fico muito feliz que tenha gostado.
      Abraços

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