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Destaques

Resenha: Flores para Algernon – Daniel Keyes

Nossas percepções do mundo são moldadas por nossas habilidades cognitivas, o que, muitas vezes, também formam a visão que os outros têm de nós, especialmente em sociedades em que as pessoas têm dificuldade de ter empatia e respeito por pessoas diferentes. No livro Flores para Algernon (Flowers for Algernon), o escritor Daniel Keyes narra a história de Charlie, um rapaz com deficiência intelectual grave (no livro descrito como retardo mental) que é convidado a participar de uma cirurgia capaz de aumentar seu quociente de inteligência. No Brasil, a obra foi publicada pela Editora Aleph, em 2018, com tradução de Luisa Geisler.


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Flores para Algernon é uma leitura desconfortável, já que à medida que o personagem principal toma consciência da maneira que ele é tratado pelos outros, é difícil não sentir sua dor e refletir sobre como o preconceito e a discriminação estão enraizados na sociedade.

Quem você se torna quand…

Resenha: I Was Here – Gayle Forman

O livro I Was Here, da escritora e jornalista norte-americana Gayle Forman, publicado nos Estados Unidos pela Viking Books for Young Readers, em 2015, de 288 páginas, conta a história de Cody, uma jovem que perde sua melhor amiga. Meg cometeu suicídio e Cody se sente deixada para trás, tentando entender o que aconteceu. No Brasil, o livro Eu Estive Aqui foi publicado pela Editora Arqueiro.


O romance é narrado em primeira pessoa por Cody. Confesso, não sou muito fã de Literatura Young Adults (jovens-adultos), mas Gayle conseguiu me fisgar por causa do tema ainda considerado um tabu e muitas vezes silenciado, como a depressão que pode levar ao suicídio e pelas motivações da protagonista para tentar se reencontrar, já que toda morte, perda ou ruptura nos faz questionar a vida e passamos por períodos de desequilíbrio até que o equilibro seja alcançado novamente.

“Anything that kills hope is a sin”

É interessante acompanhar os conflitos internos da protagonista, para tentar encaixar as peças sobre o que teria levado Meg a se matar. Se elas eram melhores amigas, ela não deveria ser capaz de saber que a outra não estava bem? Entre os sentimentos de culpa por não ter ideia de que Meg estava sofrendo e os de inconformismo por não querer crer que a pessoa que ela tanto admirava seria capaz de por fim na própria vida, Cody se vê numa tempestade, desesperada por algo para se agarrar e voltar a enxergar a luz novamente.

Quando os pais de Meg pedem para Cody ir buscar seus pertences, a garota descobre que há tantas coisas que ela não sabia sobre a melhor amiga. Quanto mais Cody lida com os cacos de Meg deixados para trás, mais ela se vê arrastada para novos caminhos. Colegas de quarto, amizades, o guitarrista Ben McCallister e arquivos criptografados que ela encontra no notebook que pertencia a Meg, que os pais dela acabam deixando para Cody.

“Sometimes we meet people and are so symbiotic with them, it’s as if we are one person, with one mind, one destiny”.

Embora a curiosidade só aumente ao longo da leitura sobre como Meg teria planejado o próprio suicídio e se ela deixara sinais que as pessoas ao seu redor não estavam captando, a verossimilhança captada por Gayle Forman sobre as sensações, pensamentos e conflitos de Cody é o destaque de I Was Here. A própria autora comenta ter escrito artigos sobre suicídio antes de escrever o livro, o que talvez tenha a ajudado a escrever com tanta familiaridade sobre o assunto, de maneira realista.

Algumas das reviravoltas são surpreendentes, enquanto outras são bem mornas – talvez numa tentativa de deixar o romance realista. Cody vai cavando e confronta verdades, como as diferenças entre ela e sua melhor amiga e que talvez ela não era tão confiante e divertida o tempo todo, como ela imaginava. A protagonista também acaba flertando com o seu lado sombrio e vendo que não é tão difícil resistir ao canto da sereia da morte, quando não estamos bem e temos encorajamentos negativos.

“You had a pile of rocks, and you cleaned them up pretty and made a necklace. Meg got jewels, and she hung herself with them”

A linguagem de I Was Here é bem simples e jovial. Apesar de proporcionar alguns momentos de reflexão, o foco principal é o entretenimento. O fato de o romance ser narrado em primeira pessoa é positivo, pois o leitor se conecta diretamente com as emoções da protagonista, mas pode ser um empecilho para outros desdobramentos que seriam possíveis e deixariam a narrativa mais complexa, como explorar mais as reações dos pais e irmão de Meg diante do suicídio da personagem e das descobertas.

Independente da experiência de leitura de cada um, de considerar o livro bom ou ruim, não dá para negar a importância da temática, principalmente para o público jovem-adulto que lida com tantos conflitos internos e preocupações com o futuro, como Meg e Cody. Ao final do livro, Gayle Forman deixa algumas informações de contato para jovens dos Estados Unidos que estão lidando com problemas parecidos com os da história. É muito gostoso quando leituras nos tiram de nossos quadrados e nos fazem enxergar outras perspectivas. À medida que Cody tem o seu sopro de vida, nos sentimos refrescados. Afinal, mesmo diante das dificuldades, como a própria personagem é lembrada pelos outros ao seu redor, é possível encontrar forças para encontrar dias melhores e se reinventar.


Sobre a autora – Gayle Forman começou sua carreira entre as letras como jornalista, mas, aos 34 anos, ingressou no mundo dos livros. É autora dos best-sellers Se eu ficar (If I Stay) e Para onde ela foi (Where She Went), além de outras obras de sucesso. Eu estive aqui já teve os direitos negociados para o cinema. Atualmente, Gayle mora no Brooklyn com o marido e as filhas.

O livro I Was Here pode ser encontrado no site do Submarino e na Amazon

Para saber mais sobre o livro traduzido Eu Estive Aqui, acesse o site da Editora Arqueiro: http://www.editoraarqueiro.com.br/ 

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