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Destaques

Autismo: Entre fofocas e intrigas

Aviso aos bonitos e bonitas que sempre jogam meu nome e dos colegas nos grupos de Facebook e WhatsApp: alguém de vocês sempre solta algo e de um jeito ou de outro, chega até mim.


Minha dica é: quer falar mal? Fala à vontade. Se quiser, eu falo junto. Não tenho vergonha de fazer autocrítica, aliás, recomendo a todos.

Agora, se me difamar e/ou queimar minha reputação, o bicho pega.

Nesta página, não trabalho com indiretas. Só com diretas mesmo.

Já disse que nem todo autista é bonzinho, né? 😈

Dica para os anjinhos e neurotípicos: Arranjem hobbies e outros hiperfocos, ocupem a cabeça com outras coisas que não sejam só esse mundinho de intrigas do autismo.

Um grande filósofo pós-moderno, Benstein Oliveira disse que a fofoca viaja à velocidade da luz e que ela vem de todos cantos e cores do autismo. Nem WhatsApp eu uso, mas as conversas de lá sempre chegam aqui. Por que será, gente?

Formado em Harvard na arte das fofocas chegarem até mim. Parece que sou ímã para embuste.

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Livro das Sombras: A Bruxa Acordou

A magia estava ali, só esperando a hora certa de se manifestar. Os sonhos não eram só produtos do meu subconsciente. A mensagem era clara: algo estava prestes a acontecer. Escutei as batidas de tambor. Quando o vento entrou pelo quarto espalhando os meus desenhos, eu soube.
Foto Livro das Sombras Bruxa Acordou Texto Ben Oliveira
Foto: George Hodan / Domínio Público

Olhei para o meu amigo e perguntei se ele estava acordado. Queria saber se não era a minha mente me pregando mais uma peça. Ele estava perdido em seus pensamentos, olhando para o teto.

– Você escutou?

– O quê?

– Os tambores. Parecem aqueles sons de rituais.

– Não... Você está louca? – Suas sobrancelhas oscilam entre a indignação e a surpresa. – Espera... Eu escutei. Que bizarro!

Trocamos um olhar. Se eu estivesse ficando maluca, ele também estava. Ele era a testemunha que eu precisava. Senti a temperatura no quarto mudando. A cidade estava quente, como o inferno, mas naquele instante eu soprava gelo.

– Me belisca?

Filho da puta! Quase cuspi as palavras quando seus dedos apertaram o meu braço, mas me controlei.

– O que aconteceu dessa vez?

– Você vai achar que eu estou ficando louca, mas eu vi alguém ali... – Apontei para o corredor escuro.

– Meus pais estão dormindo. Você está imaginando coisas.

– Talvez...

Fechei os olhos e virei a cabeça para o lado. Eu queria esquecer aquele homem todo vestido de branco, com uma aura luminosa ao seu redor. Não era a primeira vez que eu o via, mas desta vez eu não estava sozinha.

– Puta que pariu... – Ele levantou em um salto e ligou a luz. – O que é isto?

– O quê? – Me concentrei para não deixá-lo ver as lágrimas que escorreram pelos meus olhos.

– Tem alguma coisa errada com você. Eu nunca vi nenhuma coisa assim, muito menos vulto. Eu vi... Vi o cara de branco... – Suas palavras fizeram um arrepio subir pela minha coluna e se espalhar para os meus braços.

– É real...

– Eu vou dormir no quarto da minha mãe...

– Espera. – Tentei segurar o seu braço, mas era tarde demais. Eu estava completamente sozinha ou talvez não tão solitária quanto eu esperava. – E eu...

Tentei fechar os olhos e limpar a minha mente. Um pouco de meditação. Meu coração martelava contra o meu peito e o som alto, me fez pensar novamente nos tambores. O ar entrava pesado em meus pulmões que vazavam lentamente, como se eu tivesse um velho pneu furado dentro de mim.

Abri um olho de cada vez. O espírito às vezes me sondava, outras vezes eu não saberia dizer se ele estava ali. Uma vez ele se aproximou tanto que eu senti minhas pernas e braços presos contra o colchão.

***

Acordei no outro dia e meu amigo ainda não estava ali. Desci as escadas, guardei o meu caderno de desenhos na mochila e me preparava para sair, quando o escutei me chamando:

– Aonde você está indo?

– Eu preciso ir...

– E aquilo o que aconteceu ontem à noite? Não podemos fingir que nada aconteceu.

– Você me deixou sozinha...

– O que eu poderia fazer?

– Escuta, outro dia conversamos melhor sobre isso. Para o seu próprio bem, finja que nada aconteceu. E, por favor, não comente com ninguém.

Corri para casa, a tempo de abrir a minha gaveta e tirar o livro das sombras que eu mantinha escondido. Anotei tudo o que havia acontecido, tomei um banho, almocei e logo estava pronta para o colégio.

Quando eu abri a porta da sala de aula, eu podia sentir que os meus colegas me observavam, como se eu fosse a própria assombração que eu observara na noite anterior.

– Bruxa! Bruxa! – Os colegas gritavam e riam de mim, jogando bolinhas de papel em minha direção.

Eu olhei para o meu amigo, sabia que não havia muito o que eu podia fazer, a não ser esperar. Eu estava cansada de esperar as coisas acontecerem. O professor de ensino religioso cristão entrou na sala e foi logo perguntando:

– Que algazarra é essa?

– Jess é uma bruxa! – Uma das meninas soltou e logo segurou a boca, fingindo arrependimento.

– Silêncio! – Berrou o professor e todos ficaram quietos. – Parem de falar bobagens. Hoje nós vamos estudar o menino Moisés no Egito.

Esperei meu amigo me observar. Traição. Meus olhos estavam vermelhos. A vergonha se misturava com a raiva que eu sentia. Coloquei a mochila nas minhas costas, passei pelo meu amigo, trombei em seu ombro e disse:

– Nunca mexa com uma bruxa! Tudo o que você fizer, vai voltar três vezes contra você...

Abri a porta da sala e escutei as vozes tumultuadas. Aquela fora a primeira vez que eu tinha compartilhado uma experiência com alguém e também a última em que eu fui traída. As fofocas se espalharam pelo colégio e algumas semanas depois eu seria chamada pelo pastor do colégio para uma conversinha. Desde então, meu melhor confidente ainda é o meu livro das sombras e não deixo ninguém tocá-lo. Quanto ao meu amigo, ele sabia muito bem onde estava se metendo... Se eu precisei de magia para puni-lo? O universo tem o seu jeito de fazer as coisas se equilibrarem novamente.

*A série de textos Livro das Sombras é composta de material bônus inspirado em acontecimentos reais e nos personagens da série Os Bruxos de São Cipriano. A linha entre o real e o fictício é tênue. As verdades e invenções se misturam. Cabe ao leitor escolher qual caminho seguir, lembrando que para a magia acontecer, antes é preciso acreditar e deixar as energias fluírem... Neste texto, procurei explorar a sensitividade de Jess, uma das personagens principais do livro.

Gostou? Conheça Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo. Livro de fantasia juvenil disponível para leitura grátis no Wattpad: http://w.tt/1PwsFU5



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