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Documentário da Netflix aborda caso Elisa Lam e histórico mórbido do Cecil Hotel

Dependendo da sua idade e do quanto você é ligado às notícias e ao mundo online, é bem provável que você tenha ouvido falar sobre o caso da Elisa Lam , uma canadense descendente de chineses que  viajou para os Estados Unidos e morreu em um hotel de Los Angeles . O caso polêmico na época foi explorado na série documental Cena do Crime – Mistério e Morte no Hotel Cecil (Crime Scene: The Vanishing at the Cecil Hotel) , dirigido pelo norte-americano Joe Berlinger e distribuído pela Netflix , em 2021. Em quatro episódios, de forma linear, é contada a história de como Elisa Lam foi parar no Cecil Hotel e um pouco de sua personalidade no mundo digital e afinidade com o Tumblr. Importante mencionar que o documentário não traz entrevistas com os familiares de Elisa Lam. Se nem os próprios familiares conhecem a fundo uma pessoa, me pergunto por que há tantas pessoas aleatórias na internet e fãs de teorias da conspiração que se sentem no direito de dizer que algo poderia ou não ter acontecido. 

Resenha: A Era dos Mortos-Vivos – Eliel Barberino

Os zumbis estão presentes em diferentes tipos de narrativas: nos jogos, seriados, filmes, livros, revistas em quadrinhos... Mas qual é a explicação deles caírem no gosto popular e se tornarem um fenômeno cultural? Explorando o universo dos mortos-vivos, o estudante de filosofia e entusiasta da temática, Eliel Barbarino escreveu o livro A Era dos Mortos-Vivos, de 116 páginas, publicado pela Cultura em Letras Edições, em 2016.



Dividido em duas partes, o livro explora o surgimento do fenômeno dos zumbis e os zumbis como uma crítica da modernidade. O que diferencia os zumbis de outras criaturas? Até que ponto somos tão diferentes dos mortos-vivos? Com uma linguagem simples e informativa, Eliel leva o leitor a refletir sobre esses monstros tão próximos de nós.

A Era dos Mortos-Vivos é uma dessas leituras breves, mas que não passam despercebidas. Cabe ao leitor partir dessa jornada em busca de outros caminhos, caso deseje beber de mais fontes. O livro acaba sendo interessante não só para quem gosta de leituras, jogos e audiovisuais sobre zumbis, mas para os escritores, roteiristas, produtores e artistas, permitindo entender mais por que alguns contextos de histórias de zumbis contemporâneas são tão parecidos e quais são as mensagens e críticas por trás.

“O zumbi é um espelho nosso. Os monstros nos mostram... que na verdade as coisas terríveis que podemos nos tornar se encontram em nós mesmos. Que parte dos males e monstruosidades a que somos submetidos e submetemos os outros é nossa responsabilidade”Eliel Barberino

Logo na introdução do livro, Eliel Barberino avisa que a leitura não é indicada somente para quem gosta de zumbis, mas para qualquer pessoa curiosa. O autor comenta que ao tentar compreender mais sobre o universo dos mortos-vivos, também estamos em uma busca de nós mesmos e de que o medo que muitas pessoas sentem não é só dessas criaturas, mas da civilização.

A primeira parte do livro fala sobre os zumbis e como eles estão dominando a cultura pop. Eliel faz um breve levantamento sobre a epidemia de narrativas de apocalipse zumbi, desde filmes de terror e comédia que exploraram o tema até adaptações televisivas de HQs e de clássicos da literatura, até as possibilidades de experiência e aprendizado, como as marchas de zumbis (zombie walks) e abertura de cursos sobre os mortos-vivos oferecidos em universidades.

“Zumbis não falam, e isso não se deve somente a alguma impossibilidade motora ou ao estado avançado de decomposição de suas cordas vocais. Zumbis não falam pelo simples fato de não serem racionais. Isso não significa que eles não possam nos dizer algo sobre nós mesmos ou sobre nossa civilização” – Eliel Barberino

Eliel aborda desde as crenças antigas de mortos retornarem à vida até o caso do zumbi haitiano, que foi relatado por um jornalista e acabou espalhando um pouco do medo de que os moradores do país tinham dos mortos-vivos, até a série de filmes de George Romero sobre os zumbis modernos, que acabaram dando mais destaque para essas criaturas – retiradas de um contexto local e afastado, para o ambiente urbano e com o qual as pessoas poderiam se identificar e temer.

A partir da segunda parte do livro, Eliel se foca mais nos zumbis como crítica da modernidade, retratando as crises da humanidade, as mudanças de paradigmas, a perda de poder da religião e do sobrenatural e os problemas que podem surgir neste período pós-industrialização, como as ambições do homem, o medo de envelhecer e da morte, a escassez e o vazio existencial.

“Em ‘Despertar dos mortos’, Romero faz uma crítica arrasadora à nossa sociedade de consumo. Os mortos-vivos aparecem como um protesto contra nossa vaidade e futilidade excessiva. O filme mostra um grupo de seres humanos trancafiados dentro de um Shopping Center, na tentativa de se refugiar dos mortos que, sem motivo conhecido, voltam à vida. Romero descreve o tédio da geração consumista americana” – Eliel Barberino

É difícil terminar a leitura de A Era dos Mortos-Vivos sem ficar com aquela sensação de querer saber mais sobre o assunto. Para os curiosos, vale a pena conferir a bibliografia usada por Eliel Barberino para escrever a obra. O autor vai direto ao ponto e nos apresenta um livro informativo, que ao mesmo tempo nos entretém e nos possibilita refletir mais sobre a relação entre cultura, filosofia e sociedade. Assim como zumbis, quem é que não gosta de devorar o cérebro do outro? Na jornada para entender essas criaturas não pensantes, acabamos mergulhando em nós mesmos em busca de um pouco de luz.


Sobre o autor – Eliel Barberino nasceu no Rio de Janeiro em 1983. É estudante de filosofia e entusiasta em zumbis. A Era dos Mortos-Vivos é a síntese de seus estudos sobre o tema.

O livro A Era dos Mortos-Vivos pode ser encontrado no site da Cultura em Letras Edições

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