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Destaques

Resenha: Bem-vindos à Livraria Hyunam-dong – Hwang Bo-reum

Com o sonho de abrir uma livraria e tocar outras pessoas em um espaço acolhedor e repleto de livros, Yeongju se aventura nesta jornada. Assim é a história do livro Bem-vindos à Livraria Hyunam-dong , escrito por Hwang Bo-reum , com tradução de Jae hyung Woo, publicado no Brasil pela editora Intrínseca , em 2023. Compre o livro Bem-vindos à Livraria Hyunam-dong:  https://amzn.to/3uKgswO O livro que se passa na Coreia do Sul conquistou leitores em diferentes partes do mundo e tem uma linguagem fácil de ler, sem floreios, tornando uma boa opção de leitura até mesmo para aqueles que não têm o hábito de ler. Porém, mesmo para os que gostam de literatura, há inúmeras referências nas entrelinhas sobre o mundo dos leitores, autores e livrarias. “É preciso tentar, então em vez de ficar me questionando se eu tinha talento ou não, só comecei a escrever. Eu queria sentir isso pelo menos uma vez na vida” – Hwang Bo-reum, Bem-vindos à Livraria Hyunam-dong A ideia da livraria surge como uma forma de

A Leitura e o Mar

A leitura e o mar. Se você prestar atenção neles, vai perceber que os dois têm mais coisas em comum do que imaginamos. Neste movimento de avançar e recuar, de crescer e arrebentar, de carregar e desapegar, acabamos aprendendo mais sobre nós mesmos.

Alguns livros são como praia em dia frio. A água está tão gelada, que temos receio de molhar os pés – é preciso coragem para encarar o desafio. De repente, nos damos conta de que não está tão congelante quanto imaginávamos. Nunca teríamos descoberto, se não tivéssemos ousado sair da nossa zona de conforto.


Há autores que seguram nossas mãos e conduzem até o mar, nos mantendo confortáveis e aquecidos, bancando o salva-vidas para quando precisarmos. As ondas nos balançam com tanta delicadeza, que é como ser abraçado pelas águas. Nos sentimos tão leves e fluidos. A tentação de ficar para sempre ali é grande, mas podemos sentir as areias nos nossos pés, um lembrete de que a qualquer momento é hora de voltar para casa.

Outros nos levam a desafiar nossos limites – somos hipnotizados pelo canto da sereia e continuamos indo cada vez mais fundo, sem nos importarmos se é perigoso ou não… Queremos nos afogar e beber tanta água salgada até perdermos nossa consciência, até chegar até a última página. Queremos desesperadamente fazer parte daquelas histórias, rasgar nossa pele e nos colocarmos dentro daquelas personagens, mesmo que o sal faça arder cada corte.

Entre afogamentos e encantamentos, querendo ou não, uma vez em contato com essas narrativas, é muito difícil não deixá-las nos transformar. Queremos a brisa tocando nossos cabelos e acariciando nossas almas. Queremos livros que façam nossos corações baterem com mais força, que nos façam sentir vivos – leituras que recarreguem nossas energias e nos aliviem do angustiante peso do cotidiano.

Deixamos nossos fragmentos de pele, cabelos e energias no mar que se misturam com o sal e a areia. Como toda boa leitura, ao mergulhar nas páginas e sentir as letras nos invadindo, também vamos deixando nossas marcas no livro. Saímos da praia, mas parte dela permanece conosco. Não somos os mesmos de antes, não somos os mesmos de depois. Como o mar, continuamos transformando e espalhando nossas histórias por aí… Até o dia em que entramos em outras águas, deixamos outras ondas desafiarem nossas estruturas e o ciclo recomeça.

Este texto foi narrado em vídeo. Aproveite para conferir e se inscrever no meu canal do YouTube:





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