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Destaques

Resenha: Adeus, Promessas – Kristin Halbrook

 O livro Adeus, Promessas (Every Last Promise)  é um recorte narrativo de como um grupo de amigas, suas vidas e relacionamentos podem se transformar completamente por causa do silenciamento sobre algo desolador e indefensável. A obra de Kristin Halbrook conta com tradução de Lavínia Fávero e foi publicada pela editora Plataforma 21 (V&R Editoras) , em 2016. Compre o livro Adeus, Promessas (Kristin Halbrook):  https://amzn.to/3os3Z7W Narrado em primeira pessoa por Kayla , o romance é contado em duas épocas: Primavera e Outono , que podem ser vistos tanto como períodos temporais, como metáforas de como a vida da protagonista mudou antes e após alguns incidentes marcantes, como a noite de um acidente que abalou a cidadezinha em que ela mora. Entre idas e vindas, o leitor é levado a descobrir gradualmente o envolvimento da protagonista no acidente, bem como as coisas que teriam acontecido antes e as consequências para o seu círculo social. Após um período morando em outra cidade co

A Leitura e o Mar

A leitura e o mar. Se você prestar atenção neles, vai perceber que os dois têm mais coisas em comum do que imaginamos. Neste movimento de avançar e recuar, de crescer e arrebentar, de carregar e desapegar, acabamos aprendendo mais sobre nós mesmos.

Alguns livros são como praia em dia frio. A água está tão gelada, que temos receio de molhar os pés – é preciso coragem para encarar o desafio. De repente, nos damos conta de que não está tão congelante quanto imaginávamos. Nunca teríamos descoberto, se não tivéssemos ousado sair da nossa zona de conforto.


Há autores que seguram nossas mãos e conduzem até o mar, nos mantendo confortáveis e aquecidos, bancando o salva-vidas para quando precisarmos. As ondas nos balançam com tanta delicadeza, que é como ser abraçado pelas águas. Nos sentimos tão leves e fluidos. A tentação de ficar para sempre ali é grande, mas podemos sentir as areias nos nossos pés, um lembrete de que a qualquer momento é hora de voltar para casa.

Outros nos levam a desafiar nossos limites – somos hipnotizados pelo canto da sereia e continuamos indo cada vez mais fundo, sem nos importarmos se é perigoso ou não… Queremos nos afogar e beber tanta água salgada até perdermos nossa consciência, até chegar até a última página. Queremos desesperadamente fazer parte daquelas histórias, rasgar nossa pele e nos colocarmos dentro daquelas personagens, mesmo que o sal faça arder cada corte.

Entre afogamentos e encantamentos, querendo ou não, uma vez em contato com essas narrativas, é muito difícil não deixá-las nos transformar. Queremos a brisa tocando nossos cabelos e acariciando nossas almas. Queremos livros que façam nossos corações baterem com mais força, que nos façam sentir vivos – leituras que recarreguem nossas energias e nos aliviem do angustiante peso do cotidiano.

Deixamos nossos fragmentos de pele, cabelos e energias no mar que se misturam com o sal e a areia. Como toda boa leitura, ao mergulhar nas páginas e sentir as letras nos invadindo, também vamos deixando nossas marcas no livro. Saímos da praia, mas parte dela permanece conosco. Não somos os mesmos de antes, não somos os mesmos de depois. Como o mar, continuamos transformando e espalhando nossas histórias por aí… Até o dia em que entramos em outras águas, deixamos outras ondas desafiarem nossas estruturas e o ciclo recomeça.

Este texto foi narrado em vídeo. Aproveite para conferir e se inscrever no meu canal do YouTube:





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