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Destaques

Meses sem fumar cigarro

Seis meses. Metade de um ano. O que antes parecia só algo impossível de acontecer, havia se tornado realidade: conseguira passar 6 meses sem fumar cigarro.  Estaria mentindo se tinha dias em que não se imaginava fumando ainda, mas estava feliz por conseguir resistir à tentação, sabendo que uma vez que tinha decidido não ia dar um passo para trás. Há seis meses, talvez estaria fumando enquanto escrevia o texto ou quem sabe ouvindo música e usando o Instagram, mas as coisas tinham mudado e ainda bem. Por mais difícil que seja no início. Passei por várias tentativas e falhas e não sinto vergonha, precisava criar resiliência antes de conseguir parar o cigarro de vez.  Difícil, sim. Impossível, não. Seria mentira dizer que é fácil, embora algumas pessoas tivessem mais facilidade do que outras para parar de fumar cigarro. Porém, nem todo mundo era igual e para algumas pessoas, a fissura continuaria aparecendo de tempos em tempos. Porém, a informação importante é que a fissura por ci...

O café e a sereia

“Uma xícara de café não é só uma bebida, é uma experiência”, diz ela.

Seus olhos chegam a brilhar quando fala de café.

“Agora, feche os olhos e venha comigo!”

Ela segura os grãos de café e começa a moer, como se estivesse colocando sua energia naquela ação.


“Sinta o cheiro”, diz ela, quando coloca o pó no coador e despeja a água quente. “Está vendo? É como viajar para a terra das sereias e se deixar levar pelas ondas”

“Posso provar?”

“Deve”. Ela termina de filtrar a bebida e serve uma xícara generosa.

Esqueço a falta de sono dos dias anteriores, o estresse da manhã, as angústias e ausências. Tomo o primeiro gole e sinto aquele gosto me inundando. O coração se prepara para correr e o corpo se aquece, como um abraço envolto em cobertor.

“Era isso o que eu estava precisando”, digo a ela.

“É claro que era”

Continuo tomando e quando eu fecho os olhos, me sinto transportado para outro lugar. Meus pés estão na areia. Sinto os grãos me arranhando delicadamente. Olho para o mar e lá está ela, nadando. Ela volta para a superfície e sua barbatana se balança pelo ar.

“Quer mais? Venha buscar!”, ela pula de um lado para o outro.

“Sim, por favor!”

Escuto o som da xícara se enchendo da bebida.

“O que estávamos falando?”, diz ela.

“Sobre a magia do café”.

“Certo. Não são todos os dias que isso acontece, mas quando nos conectamos com a energia da bebida, somos levados para onde desejamos. O que você viu?”

“O mar. As ondas. Pés na areia e sereias”

“Está esperando o quê? Coloque sua cauda. Você pode ser quem você quiser!”

Abro os olhos. Nenhum sinal da cafeteria. Estou dentro da água. As espumas me lambem, como filhotinhos de cachorros pedindo atenção.

“Onde estamos?”, pergunto.

Não há nenhum sinal dela. Só eu e minha xícara vazia, até o dia em que a sereia virá me visitar mais uma vez.

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