domingo, 10 de setembro de 2017

Entrevista: Juliana Skwara, autora do livro Maratona do Terror

Escritora, revisora de textos e graduada em Letras, Juliana Skwara mora no Rio de Janeiro (RJ). Apaixonada por histórias, em 2015, ela publicou Maratona do Terror, um livro de contos com uma pegada bem parecida com a de um dos seus autores favoritos, R. L. Stine, responsável pela série de livros de horror para o público de crianças e adolescentes. Além de escrever, Juliana já apoiou vários escritores nacionais por meio do seu projeto Novos Escritores, entrevistando e participando de eventos literários.

Confira a entrevista com a escritora Juliana Skwara:



Ben Oliveira: Você escreveu Maratona do Terror e publicou em 2015. Como foi a experiência de escrever o livro de contos?

Juliana Skwara: Foi uma experiência maravilhosa. Publicar um livro sempre foi o sonho da minha vida. Poder realizar isso, ainda por cima com um livro de contos foi uma grande experiência profissional.

Ben Oliveira: Ao longo desses últimos anos, o que mudou para você nesta relação com o universo da escrita e da leitura?

Juliana Skwara: Praticamente tudo. Quando entrei nesse universo, era apenas uma adolescente aficionada por livros que sonhava em fazer Letras na faculdade e queria ser escritora. Tinha uma visão muito doce e ingênua, mas que foi crucial para a entrada nesse universo. Logo depois, surgiu o projeto Novos Escritores no qual tive um posicionamento completamente diferente e mais profissional que me ajudou no lançamento de Maratona Do Terror.

Ben Oliveira: Há algum tempo, você foi responsável por um projeto voltado para ajudar novos escritores. Como escritora e como leitora, quais aprendizados você tirou da atividade?

Juliana Skwara: O Novos Escritores me ensinou muito, tanto como leitora quanto escritora. Tive a oportunidade de estar mais próxima dos autores, conhecer mais do trabalho como escritor e entender como funcionava. Passei a ter uma visão mais profissional e crítica. Antes do Novos Escritores, não acreditava em cursos de escrita, tinha uma visão muito sonhadora que por mais que faça parte desse universo, hoje em dia é mais equilibrada. Como leitora, o Novos Escritores estimulou o meu senso crítico e amadurecimento literário. Foi assim que acabei me tornando revisora.

Ben Oliveira: Maratona do Terror traz algumas referências, que talvez não sejam tão familiares para alguns leitores mais novos, como Goosebumps e Clube do Terror, que relembram a tradição de contar histórias de terror. Para você, Juliana, o que é a literatura de horror?

Juliana Skwara: Para mim, o terror na literatura é mais que exorcismos e possessões espirituais. O terror é uma situação, um lugar, uma época, um medo. Costumo dizer que isso vai de cada um. Por exemplo, às vezes para um rapaz que acabou de começar a namorar, pode ser conhecer a sogra. Para uma criança, pode ser repetir o primeiro dia em uma escola nova para sempre e por aí vai. O terror está na mente, nas infinitas possibilidades, do que é real ou não. Gosto muito de trabalhar essa parte mais subjetiva nas minhas histórias. Isso foi o que mais me atraiu em obras como Goosebumps e Clube do Terror e me fez escrever terror. Amo esse clima de contar histórias de terror ao redor da fogueira. Acho que precisamos preservar isso. As próximas gerações merecem saber disso.


Ben Oliveira: Muitos escritores de terror morreram miseráveis, como Edgar Allan Poe. Alguns conseguiram quebrar esse ciclo, como o Stephen King. Você acredita que ainda existe preconceito contra a literatura de horror?

Juliana Skwara: Demais. Uma parte de mim acredita que pelo Brasil ser um país predominantemente religioso, ainda existe bastante preconceito e pudor com o tema, o que é um equívoco. Uma vez que o terror nada mais é do que uma metáfora para os nossos medos, dos mais bobos aos mais perversos que muitas vezes encontramos no dia a dia. Terror é pura metáfora. Também tem a questão de escrever contracultura no Brasil, que não é uma coisa muito comum e popular no nosso país. Infelizmente.

Ben Oliveira: Seu livro foi lançado na Bienal do Livro do Rio de Janeiro e você já participou de vários eventos literários, inclusive entrevistando escritores que conseguiram se consolidar, como Raphael Draccon e Carolina Munhoz. Para você, qual é a importância do escritor participar de eventos sobre livros? 

Juliana Skwara: É muito importante porque nós autores podemos observar a cena. Ver como um autor deve se portar em um evento, como funciona e como é feito o contato com o leitor. Fora que aprendemos muito com esses eventos, desde dicas de escritas até de divulgação. É bom o escritor ter contato com eventos até mesmo para se manter atualizado em relação ao mercado.

Ben Oliveira: Como foi entrevistar autores que hoje conseguiram consolidar suas carreiras e se dedicar à escrita. Você acredita que serve de inspiração para outros escritores nacionais?

Juliana Skwara: Foi bem louco. Quando entrevistei grande parte deles já escrevia, mas isso não me impediu de me comportar como uma verdadeira leitora: ter frio na barriga e ansiedade para saber mais sobre seu processo criativo e tudo mais. Também tenho os meus momentos de fangirl (que são vários, aliás). Para ser sincera, não faço ideia se sirvo de inspiração para outros autores, mas amo saber que outros escritores estão me lendo ou começaram a escrever alguma história depois de ler Maratona Do Terror – o que já aconteceu. Essa troca é fantástica. Acho que todo escritor espera por esse momento.

Ben Oliveira: Além de ser escritora, você também é formada em Letras. Geralmente, o escritor constrói uma relação bem ambivalente durante essa graduação, especialmente com disciplinas relacionadas à literatura. Como foi a sua experiência?

Juliana Skwara: Foi uma experiência intensa. Escolhi Letras, porque era um curso que eu era apaixonada, mas me decepcionei bastante. Por mais que Letras seja literatura, me deparei mais com livros clássicos e a escrita acadêmica. A faculdade me proporcionou conhecimento crítico, mas senti falta de matérias que abordassem a construção da escrita e livros contemporâneos. Infelizmente existe um preconceito muito grande dentro do meio acadêmico em relação aos livros best sellers. E senti muita falta de ter esse contato dentro da graduação. Aprendi muita coisa na faculdade, mas em relação como escritora os ganhos foram poucos. Senti falta de incentivo dentro da universidade também com os escritores, o que não existe. Com isso acabei me afastando da alta literatura que tive contato nas aulas e só agora formada que estou retornando a leitura de livros clássicos. Bem lentamente, porque me identifico mais com os livros contemporâneos.

Ben Oliveira: Além de escrever, você tem atuado com a revisão de livros. Como é trabalhar com livros?

Juliana Skwara: É muito bom. Eu escolhi Letras porque sempre sonhei em trabalhar com livros. Tanto como escritora, quanto nos bastidores. Corri atrás e fiz vários cursos para me aprimorar que me ajudaram muito. Trabalhar com revisão me deu uma visão mais crítica da literatura que me ajudou dentro das minhas histórias e evitar alguns erros de iniciante.

Ben Oliveira: Você começou a se encantar pela literatura ainda na infância, quando sua tia te contava histórias de princesas antes de dormir. Qual é a importância da leitura na sua vida? 

Juliana Skwara: Acho que é uma das coisas mais importantes da minha vida. Todos os meus amigos e minha família costumam brincar dizendo que não me visto com roupas, me visto com livros. Esse processo de encantamento foi uma coisa natural, já que desde criança fui estimulada pelas minhas tias. Acho que as séries, filmes e desenhos também contribuíram bastante. Com dez anos, eu criei uma revista de fofoca na máquina de escrever e escrevi a minha primeira fantasia que nunca chegou ao fim. A literatura sempre foi um refúgio, mas ao mesmo tempo um hobby que quem diria acabou se tornando o meu trabalho. Não me vejo fazendo outra coisa.


Ben Oliveira: Pesquisas mostram que familiares têm tanta influência quanto professores na hora de incentivar o hábito da leitura. Qual é a sua opinião sobre o assunto? Você acredita que uma das formas de termos mais leitores no Brasil seria incentivando desde cedo?

Juliana Skwara: Totalmente. Acho que é crucial o incentivo da família. É claro que há exceções, porém acredito que o incentivo de todo o tipo de hobby – seja artístico ou não – por parte da família contribui muito para a evolução. Talvez se a minha família não tivesse dado o pontapé inicial, não tivesse me ligado tanto a esse universo.

Ben Oliveira: Muitas pessoas confundem a figura do autor, narrador e escritor. Além de escrever histórias de terror, você é apaixonada pelo universo da Disney. Você acha que, às vezes, isso confunde os leitores que criam expectativas diferentes sobre você? Como você lida? 

Juliana Skwara: Totalmente. Eu me divirto muito, porque as pessoas criam imagens formuladas pela sua mente, como se as pessoas seguissem rótulos. E é divertido porque quem me conhece muito antes de lançar Maratona Do Terror, sabe que sempre tive esse amor pelo sombrio. Fui uma adolescente roqueira que assistia Hannah Montana escondido. Quando cresci, vi que era bobeira fingir que não gostava só para seguir um rótulo. Daí virei a Barbie que curte terror e é muito engraçado, porque todo mundo me considera doce demais para o tipo de história que escrevo. Muita gente ficou surpresa, só que a realidade é que ao mesmo tempo em que amo o universo Disney, não dispenso uma boa história com bruxas, halloween e noites sinistras. Costumo dizer que tenho dois lados: o colorido que ama Disney e coisas fofas e outro que ama a noite e coisas sombrias. Por fora uma líder de torcida, por dentro uma irmã Sanderson.

Ben Oliveira: Cite três dos seus livros de terror favoritos.

Juliana Skwara: Bem–vindo à casa dos mortos, do R. L. Stine, Finalmente Famosa, da Mayra Dias Gomes e A história esquecida na hospedaria na estrada, da C.A. Saltoris.

Ben Oliveira: Cite três filmes de terror favoritos.

Juliana Skwara: 1408, Os Garotos Perdidos e Buffy, A Caça–Vampiros.

Ben Oliveira: A jornada do escritor é cheia de pedras e também de alegrias. Quais dicas você deixaria para quem está na luta?

Juliana Skwara: Se você deseja ser escritor no Brasil, primeiro deve saber que não é nada fácil. Segundo, estude bastante. Desde técnicas de escrita até notícias sobre o mercado editorial. Leia muitos livros para estimular o seu senso crítico e se divertir também. Escreva, não importa o quê. Mas é importante treinar a escrita, nem que sejam algumas caracteres por dia. Por último: estude marketing e técnicas de divulgação para conseguir comercializar a sua obra. Independente de editora ou gênero, você vai ser o maior divulgador da sua obra e precisa saber como vender para os seus futuros leitores. E aproveite. Faça leitores, faça amigos e conheça novos livros. Abrace esse mundo. Não vai se arrepender.

Ben Oliveira: Obrigado pela entrevista, Juliana! Qual mensagem você gostaria deixar para os seus leitores?

Juliana Skwara: Eu que agradeço o convite, Ben. Foi um prazer participar! Adoro o site e desejo muito sucesso para você e seus leitores. Espero que tenham curtido a entrevista como eu. Foi muito divertido. Boa leitura para vocês! Abraços.

*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e do livro de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1), disponível no Wattpad. 

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