Pular para o conteúdo principal

Destaques

Espectro Autista: Disfunção Executiva, Alimentação e Autonomia

Quase nunca falo de alimentação, mas hoje decidi falar. Uma das principais curiosidades de pais de pessoas no espectro autista é sobre a seletividade alimentar e autonomia. Poucos sabem da existência da disfunção executiva.


Foto tirada neste sábado, 18 de maio de 2019: 


Aspergers também comem besteiras. Não sou exemplo a ser seguido por ninguém. Por esse e inúmeros motivos prefiro ficar do lado de fora do mundo do autismo. Odiaria ser visto como um modelo de comportamento.  
Poucas pessoas conhecem minha história de vida. Aos 17 anos, entrei na universidade, onde comecei minha primeira graduação: Nutrição. Quem já leu os outros posts, sabe que a graduação não foi desafiadora para mim e acabei desistindo = comportamento de pessoas com altas habilidades (embora eu não tenha papel, na minha infância fui consultado por psicóloga que dizia que eu era muito maduro para minha idade). Queria algo mais desafiador e fiz cursinho para tentar Medicina, mas a realidade bate na porta e não era e aind…

Escuridão

Os livros salvaram sua vida, então, você quis retribuir. Eu deveria saber desde o início o que nos aguardava. Mãos que sangram suas sombras estão fadadas a se afastar da luz.


Eu queria acreditar no seu melhor, mesmo você repetindo tantas vezes: “Você não pode me salvar. Ninguém pode”. No fundo, eu sabia que nós dois não seríamos capazes de sair dessa lama.

Dentro de sua mente, você criou um sistema para reforçar suas crenças nos fantasmas do passado. O que é real ou imaginário? A história por si só é uma ficção. Quantas fábulas contamos para nós mesmos ao longo da vida? Aprendemos a encontrar conforto nas narrativas; fragmentos que nos dão energia para seguir em frente diante de tudo aquilo que nunca foi, é ou será.

As escolhas te levariam ao fracasso ou você morreria se não tentasse? Agora, tanto faz. Te observo com a lucidez escapando entre os dedos. A realidade pode ser tão esmagadora que tentamos nos reinventar. Você saboreia a própria loucura em uma xícara de café. Por um instante, é como se bebesse sangue; em desespero, busca a bebida que tapeia sua apatia.

A primeira crise de pânico você nunca esquece. Deitado no chão gelado, aquele sentimento duplo te invade: estou ficando louco e vou morrer. Qual das duas estradas te parece mais acertada? Entre lágrimas afogando o espírito e a garganta asfixiada, reza – ainda que não acredite em Deus –, para que o fim seja rápido.

Um filme passa na cabeça. O inferno é a repetição e o som da sirene é capaz de fazê-lo espremer os ouvidos. Preso na própria mente, sente-se paradoxalmente fora de si e ancorado em seu lago sombrio. Quem vai te salvar?

Você ri do próprio destino. Loucura seria ficar indiferente. Parte sua sempre soube que finais felizes não faziam parte do seu livro. Abre as mãos e é quando abandona a necessidade de controle que o espírito, o corpo e a mente se fundem de novo. Quando sua mente é um parque de diversões, a aventura está só começando.



*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad.

Comentários

Mais lidas da semana