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Destaques

Sobre rabiscos e telas brancas

A tela branca pode ser um convite à explosão criativa ou uma tortura ao artista que sente seu espírito definhando diante da pesada realidade. Em tempos de crise e ódio, a arte fica esquecida e é vista como desimportante; ironicamente, é quando mais precisamos dela, de algo que nos faça sentir vivo e toque as partes atordoadas.


O som dos dedos se movendo pelo teclado era como fantasmas de uma vida distante. É incrível perceber quantas vezes nós deixamos algumas partes nossas morrerem ao longo de nossas existências; as máscaras, antes tão confortáveis, agora incomodam e não nos servem mais. Leva tempo até ficarmos satisfeitos e ajustados à nova realidade. Viver é admitir que sabemos pouco sobre nós mesmos e há sempre algo novo que pode nos transformar, seja para o bem ou para o mal.

O artista encara a tinta respingando pela tela. Para o espectador sem intimidade, nada faz sentido, a desconexão de ideias é tormentosa; para ele, o lembrete de que sua arte nunca o abandonaria. Como poderia…

Maria Dahvana Headley: Inspiração, escrita, sucesso e persistência

Para quem está precisando de uma dose de inspiração, especialmente nos dias difíceis. A escritora Maria Dahvana Headley compartilhou algumas palavras em seu Twitter (@MARIADAHVNA) e foram reunidas aqui no blog e traduzidas com a permissão da escritora. Há dias em que precisamos ouvir essas coisas, mas o lembrete diário é aquele que a pessoa que precisa confiar mais em nosso trabalho, somos nós mesmos.


Quando eu vi essa thread da Maria Dahvana Headley, eu não poderia manter só para mim. Eu falei para ela: você precisa reunir essas palavras, alguém precisa fazer isso. Então, perguntei se eu poderia e ela concordou. Por isso gosto de como as redes sociais aproximam escritores de países diferentes e especialmente, de como muitos autores internacionais são simpáticos e humildes. Às vezes, me pergunto como seria minha vida se eu tivesse nascido em outro país, mas isso é discussão para outro texto no blog.

Levando em conta que essa semana teve uma confusão no Brasil sobre 'alta literatura', um assunto tão ultrapassado, mas que ainda é firme por aqui: o preconceito literário; as palavras da autora vieram em hora certa. Essas discussões são desgastantes e, às vezes, você precisa olhar para a direção certa e continuar fazendo o que você sabe: escrever. Se os projetos vão ser um sucesso ou um fracasso, de qualquer jeito, serão seus.

Nunca me deixei desanimar pelos preconceitos e sei que meus leitores gostam dos meus livros, mas há instantes em que escutamos vozes que não deveríamos e vejo que nessa parte, colegas escritores se perdem pelo caminho e alguns até mesmo chegam a desistir dos seus sonhos e do seu amor pela literatura. Já falei algumas vezes, mas vou repetir: escritor precisa escrever pensando no público-leitor dele (não é o mesmo meu, o mesmo do fulano e o mesmo do ciclano), tampouco são os outros escritores. O que vejo é, em uma tentativa de agradar demais, autores confundindo a opinião de algumas pessoas com a realidade. Há leitores para diferentes livros. Se você souber escrever para os seus leitores, eles vão encontrar o caminho até você.

Confira as palavras da escritora Maria Dahvana Headley:


“Receita para escrever alegria: vá em frente. Vá além. Vá para casa e dance na cozinha. Esteja realmente pleno com o seu amor. Ame-se o suficiente para fazer o maior trabalho que você possa imaginar. Acredite o suficiente para enviá-lo. Sonhe com coisas grandes e vá atrás delas.

Algumas delas não funcionam. As pessoas deixarão de te pagar. Às vezes, os livros fracassam. Mas quando você terminar, se você fizer isso, seu trabalho vai existir e isto vale a pena.

É tão difícil fazer pequenas coisas quanto fazer coisas grandes. Faça o máximo que puder imaginar. Fazer a metade da versão significa apenas que você se sentirá frustrado e continuará rabiscando os mesmos projetos.

Para mim, seriamente, meu objetivo é derrubar as estruturas da hierarquia tóxica. Em todos os níveis que eu puder. Tudo de uma vez. Eu quero a maldita igualdade e é por isso que escrevo estes livros. Histórias fazem o mundo.

Tudo o que eu já fiz como escritora foi por causa das ideias súbitas MEU DEUS DO CÉUUUU sobre como mudar o mundo. E então, você sabe, eu sentei e escrevi tanto como eu pude.

Hoje, mais de 20 anos chutando o projeto, escrevendo e escrevendo e escrevendo, publicando todo o maldito tempo, eu me sinto muito animada, mas não satisfeita. Eu tenho muito mais a fazer. Mas as coisas que eu fiz até agora? Um arraso.

E é por isso que eu quebro regras. O tempo todo. As pessoas me disseram que eu deveria escrever todos os meus livros no mesmo gênero, da mesma forma, que eu não deveria tentar fazer tudo o que eu queria fazer. Foda-se essa conversa.

Publiquei livros que vivem em todos os tipos de estantes de livros. Eu editei. Eu escrevi peças. Esta nova tradução do BEOWULF? Poesia e tradução de uma só vez. Eu não sofro por falta de diversão.

A última vez que eu publiquei qualquer poesia, eu tinha uns 17 anos, mas, Deus, eu comecei como poeta. Houve anos em que tudo o que fiz foi escrever poemas. É tão perfeito reviver isso aos 40 anos.

Tudo isso é para dizer: não é tarde para se revelar para a sua vida. Você pode ser uma ativista, revolucionária e escritora de uma só vez. Você pode ter amor. você pode dar ao mundo o máximo que tem em você. Você pode começar agora.

Tudo isso também é para dizer, o seu máximo é glorioso. Os padrões de ninguém mais se aplicam. Faça as coisas que você imagina. Não tente entrar na versão de outra pessoa de Como Ser Um Escritor. Seja o escritor que você é, e obtenha o trabalho mais incrível que você pode fazer.

Se interesse pelas coisas e busque se surpreender. Você acha que existem coisas que são muito difíceis de escrever? Existem. Aproxime-se e aprenda como entrar nessas histórias. Diga-lhes em sussurros. Ensine-se novos mitos e imagine novas verdades. Essas são suas.

Você pode se tornar a pessoa que você gostaria de ser. É preciso trabalho e pequenos passos e objetivos corajosos. Defina esses objetivos impossíveis e corajosos. Diga a si mesmo que você está no caminho certo. Não morra hoje. Viva. Fique vivo. Continue se empurrando para o seu melhor acontecimento.

As pessoas lhe dirão coisas sobre o mundo, maneiras pelas quais elas acham que você pode falhar. Algumas das coisas que eles dizem podem estar certas. O fracasso pode sobreviver. Continue fazendo uma lista da sua melhor versão e continue marcando os itens. Continue aprendendo. Escreva seu mundo.

Você consegue. Você pode ficar completamente intimidado e com medo, e ainda assim, se fizer o trabalho para aprender a escrever e fizer o trabalho de escrever, poderá criar histórias que as pessoas lerão. Você pode mudar os mitos que as pessoas acham que estão comprometidos pela memória. Você pode agitar este lugar.

Minha carreira, neste momento, é feita de cerca 23 de anos de compromisso para balançar esse lugar da melhor forma que eu conseguisse. Minha versão. Histórias antigas foram reformuladas. Novas histórias lançadas em estruturas antigas. Novas traduções de músicas antigas. Projetos que são muito estranhos, feitos de alguma forma.

E deixe-me dizer em voz alta: nem tudo vai funcionar. Eu tenho livros que fracassaram tanto que eles morreram. Eu tenho um livro que significava tudo para mim e cada editora passou ele. Difícil. Vai ser embaraçoso e incerto e, às vezes, horrível demais. Isso não é utopia.

Esta é apenas uma ambição construída de forma lenta e grande, e um pouco de sorte. Nem todo mundo fica com tudo que eles querem. Eu não tenho tudo o que quero. Mas quando algo dá certo, mesmo na direção errada, eu tento celebrar essa merda.

E enquanto estou comemorando, começo uma coisa nova, no papel ou na minha cabeça. Às vezes, você tem que escrever cinco coisas para vender uma. Isso é real. Eu tenho uma gaveta que eu não olho. Há livros lá que eu nunca publicarei. Mas eu os escrevi e eles me escreveram para o próximo projeto.

Eu me inscrevo para coisas o tempo todo e nem sempre consigo. Sempre que obtenho um não, eu me inscrevo de novo, e lá vai. Não é pessoal. É só que existem muitas pessoas e o mundo está cheio de não. Você não precisa de todo sim. Você precisa de um sim e depois do próximo.

O primeiro sim, porém, é aquele que você diz a si mesmo. Aquele é enorme. É quando você diz: eu farei isso de qualquer jeito. Eu farei isso porque é importante para mim fazer essa tentativa no topo. Você não será perfeito. Ninguém é perfeito. Vai ser difícil. Tudo é difícil.

Mas você nunca sabe o que pode fazer até tentar. E tentar é a razão pela qual você está aqui.

Nunca é pouco caso estar vivo ou nesse planeta e ser capaz de usar as palavras. Nunca é pouco caso ter sobrevivido à dor, ter se mantido em movimento, ser essa coisa difícil que é um milagre. Eu estou dizendo isso para você. Eu tive que dizer isso para mim mesma. Você é especial”.


Sobre a autora – Maria Dahvana Headley é a autora da fantasia histórica A Rainha dos Reis, o primeiro volume de uma trilogia. Anteriormente, ela escreveu The Year of Yes: A Memoir, que foi traduzido para nove línguas, e escolhida para televisão e cinema, respectivamente, pela 20th Century Fox e pela Paramount Pictures. Ela já apareceu como autora de destaque e palestrante em eventos, incluindo o Festival do Livro do Texas e o Wordstock, e foi entrevistada em programas de televisão nacionais e internacionais, além de programas de rádio, incluindo o The Today Show, Countdown com Keith Olbermann, e muitos mais. Sua escrita tem aparecido em uma série de antologias literárias, como o The New York Times, Elle, The Washington Post, e muito mais. Como dramaturga, é a criadora do Projeto The Upstart Crow, uma organização que irá reunir 37 dramaturgas que irão adaptar todas as peças de Shakespeare para versões contemporâneas. Ela vive atualmente no Brooklyn, Nova York.

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Sobre o tradutor – Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

Comentários

  1. Oi Ben, estou aproveitando para ler os posts anteriores hoje. Engraçado que ao ler esse, senti que essa era a hora certa pois to em um momento de dúvida profissional, medo de mostrar o que escrevo e quase desistindo de vez, mas agora começo a ver por outro angulo e ainda tenho muito o que fazer sobre isso, não sinto agora que seja tarde demais pra mim. Obrigada por ter compartilhado !

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    Respostas
    1. Oi, Michele! Não desista dos seus projetos. São seus e ninguém pode tirar de você. Quanto a Maria Dahvana Headley, achei o texto dela bem inspirador. Ela deixou bem claro que até se for preciso silenciar os amigos escritores, ela o fará, pois sabe da importância de escrever sobre as coisas que acredita. Fico feliz que tenha gostado e que de alguma forma tenha te inspirado.
      Abraços

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