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Destaques

Sobre rabiscos e telas brancas

A tela branca pode ser um convite à explosão criativa ou uma tortura ao artista que sente seu espírito definhando diante da pesada realidade. Em tempos de crise e ódio, a arte fica esquecida e é vista como desimportante; ironicamente, é quando mais precisamos dela, de algo que nos faça sentir vivo e toque as partes atordoadas.


O som dos dedos se movendo pelo teclado era como fantasmas de uma vida distante. É incrível perceber quantas vezes nós deixamos algumas partes nossas morrerem ao longo de nossas existências; as máscaras, antes tão confortáveis, agora incomodam e não nos servem mais. Leva tempo até ficarmos satisfeitos e ajustados à nova realidade. Viver é admitir que sabemos pouco sobre nós mesmos e há sempre algo novo que pode nos transformar, seja para o bem ou para o mal.

O artista encara a tinta respingando pela tela. Para o espectador sem intimidade, nada faz sentido, a desconexão de ideias é tormentosa; para ele, o lembrete de que sua arte nunca o abandonaria. Como poderia…

Estranho no ninho: Livro independente entre obras literárias consagradas

Quando vejo Escrita Maldita junto de tantos outros títulos aclamados da literatura e também de livros best sellers internacionais e nacionais, me dá um orgulho como autor independente. Sempre acreditei que diferentes obras literárias podem dialogar e que o preconceito literário mais atrapalha do que ajuda, especialmente em um país no qual quem gosta de ler e escrever livros ainda é visto com tanto estranhamento.


No mês de abril, tive a honra de ser lido pela estudante de jornalismo Lethycia Dias, autora da foto que ilustra este post e no início de maio, pelo escritor Glauber Oliveira. É incrível como o mundo virtual conecta leitores. A Lethycia conheci através do Twitter, enquanto o Glauber pelo Facebook.

Durante muitos anos discutiram como a internet atrapalharia a leitura, mas observo que é justamente o contrário: com mais informações e possibilidades de interação entre autores e leitores, a experiência de mergulhar em um livro e poder compartilhar com outros leitores e também com o escritor tornou o processo mais prazeroso, especialmente para quem ainda lida com a solidão e desconexão de gostar de ler no Brasil.

“Minha cabeça realmente ficou mexida com a história. Um livro de excelente escrita, enredo e personagens muito bem trabalhados. Recomendo a todo custo!” – Glauber Oliveira, escritor

Essas possibilidades que temos hoje me fazem pensar em como ainda existe um forte preconceito e resistência com artistas independentes. Adoro escritores independentes empoderados, como o Hugh Howey. A indústria joga eles à margem. Muitos autores de editoras tradicionais acham que os descontos de livros estão matando a carreira de escritor: o que mata são os contratos mal elaborados. Os leitores não fazem ideia de quantos royalties um escritor ganha por venda de livro. Para que possam se dedicar à carreira integral de escritor, muitos autores precisam vender milhares, milhões de livros.

Se os escritores fossem mais espertos iriam perceber que não são inimigos/concorrentes, mas que o sistema não privilegia ninguém. Toda escolha tem seus prós e contras. Endeusar o caminho tradicional não é esperto, especialmente quando as portas não se abrirão para muitos autores. O funil é real.

Em outras palavras, as pessoas precisam parar de achar que existe um caminho único. Existem múltiplas possibilidades e cada uma delas tem seus atrativos e seus desafios. O preço do livro não é o que dificulta ao autor sobreviver de escrita.

E para os leitores que têm preconceito com autores indie, vocês leem vários sem saber que são. Não é porque no Brasil eles são publicados por editoras, que lá fora eles não são independentes. Acontece que nosso sistema não tem estrutura para escritores independentes.

Sempre que vejo meu livro sendo lido, fico grato de saber que de alguma forma, o leitor conseguiu se conectar com minha escrita. Mesmo diante de todas dificuldades, muitas vezes, isso me basta.

Link da versão para Kindle do livro Escrita Maldita: https://www.amazon.com.br/dp/B01M055CBO

Link da versão paperback do livro Escrita Maldita: https://goo.gl/ScYypJ



*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

Comentários

  1. Olá
    Adorei o seu post. Hoje em dia, mais de 70% das minhas leituras no ano são de autores nacionais, muitos deles autores independentes, que vão pulando de editora em editora em busca da publicação mais barata e mais bonitinha. Não é nada fácil mesmo, mas é tudo pelo sonho de ter seu livro publicado e lido.

    Vidas em Preto e Branco

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    Respostas
    1. Oi, Lary! Fico muito feliz com o seu relato. É muito bom ver autores nacionais indo atrás dos sonhos deles, embora o caminho seja bem espinhoso no Brasil. Essa assimetria com o mercado internacional mostra o quanto ainda temos muito para evoluir.
      Gratidão pela visita ♥

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