Pular para o conteúdo principal

Destaques

5 Trechos do livro Cérebro e Meditação (Wolf Singer e Matthieu Ricard)

Um bate-papo entre um monge budista e um neurobiologista sobre mente, consciência, meditação e demais assuntos relacionados ao funcionamento cerebral e bem-estar. Essa é a proposta do livro Cérebro e Meditação: Diálogos entre o budismo e a neurociência, dos autores Wolf Singer e Matthieu Ricard, publicado no Brasil pela editora Alaúde, em 2018, com tradução de Fernando Santos.


Entre convergências e divergências, os dois estudiosos da mente discutem questões filosóficas e biológicas do funcionamento do pensamento. Somos naturalmente bons ou somos influenciados por nossos ambientes e pela formação cerebral? De um lado a ciência moderna e do outro a tradição oriental sobre como percebemos a realidade.

Resultado de conversas durante oito anos entre o neurocientista Wolf Singer e o monge Matthieu Ricard, longe de responder as perguntas de forma fechada, o livro abre possibilidades de pensamento e reflexão e através da ciência e do budismo, nos lembra que nosso funcionamento cerebral é mais…

Uma Mente Inquieta: Especialista em Bipolaridade narra sua vida com o transtorno

Você sabe o que é psicofobia? Muitas pessoas têm preconceito com transtornos, condições e deficiências mentais. Uma das formas de quebrar um pouco desse estigma é quando a pessoa usa a própria voz para contar sua história e falar sobre o transtorno. No livro Uma Mente Inquieta (An Unquiet Mind), a especialista internacional em transtorno bipolar, Kay Redfield Jamison conta sobre sua doença de uma forma muito mais interessante de que se tratasse de um livro objetivo. A obra foi lançada no Brasil pela Editora Martins Fontes, cuja primeira edição foi publicada em 1996.


Encontre o livro Uma Mente Inquieta: https://amzn.to/2LkzFwj

A primeira coisa que chamou a minha atenção quando encontrei este livro no sebo foi a informação de que a autora é uma especialista no assunto. Logo de cara, percebi o quanto seria interessante ver alguém que realmente entende do transtorno bipolar (também conhecido como doença maníaco-depressiva) narrar sua história, de forma a perceber a relação entre as experiências pessoais e a doença mental.

Minha intenção era encontrar livros sobre autismo, mas não tinha encontrado nenhum e mesmo que encontrasse, provavelmente estariam desatualizados. Queria encontrar algum material impresso que fosse narrado por autista, pois a diferença da visão médica e psicológica da visão de um autista são gritantes. Eu percebo que quando se tratam de condições que as pessoas não têm muito contato, elas tendem a criar uma barreira preconceituosa que impede o relacionamento. Outro ponto interessante que chamou a minha intenção foi tentar compreender a parte humana: muitos profissionais e pessoas tendem a desumanizar quando falam de transtornos e esquecem que as pessoas que consomem esses conteúdos estão vivas.

“Vi o que há de melhor e mais terrível nas pessoas e aos poucos aprendi os valores do afeto, da lealdade e de ir até o fim. Conheci os limites da minha mente e do meu coração, e percebi como os dois são frágeis e como, em última análise, são incognoscíveis” – Kay Redfield Jamison, Uma Mente Inquieta

Ao narrar a própria luta com a aceitação de que tem o transtorno bipolar, Kay Redfield nos mostra que o preconceito está tão forte entre as pessoas que têm contato com a área da saúde mental quanto fora. Ela descreve sua relutância inicial em tomar medicamentos e todas vezes que parou os tratamentos achando que melhoraria, só para descobrir que estava se deixando levar até a próxima crise.

Mas a autora do livro não se foca somente na parte negativa. Ela conta como pessoas com o transtorno tendem a ser criativas e como em algumas fases, sua produtividade ficava altíssima. Porém, Kay lembra que mesmo com alguns efeitos colaterais do remédio, sem o tratamento, ela provavelmente teria cometido suicídio.

“Se o amor não é a cura, ele sem dúvida pode atuar como um remédio muito eficaz” –Kay Redfield Jamison, Uma Mente Inquieta

Ao longo do livro, conhecemos diferentes etapas da vida de Kay Redfield, desde o seu interesse inicial pelos transtornos psiquiátricos, o que acabou levando ela a trabalhar na área, pesquisar e até mesmo ficar responsável pelo diagnóstico de pacientes até o momento em que ela revela sua condição para os colegas de trabalho e amigos. Entre estranhamentos de alguns e aceitação dos outros, Kay não abriu mão de sua ética ao explicar que se não estivesse em condições de atendimento público, que alguém poderia substitui-la.

O tratamento digno de pacientes com transtornos mentais não deveria ser uma exceção. Durante muitos anos, pessoas com transtornos tinham vergonha de revelar e/ou eram escondidas em suas casas ou espaços de internação. O assunto era tratado como um tabu, as pessoas escondiam suas medicações e/ou tinham receio de contar que contam com apoio psicológico. Cada vez mais a questão da saúde mental tem ganhado destaque, seja pela necessidade de respeito, da questão da aceitação e da autoestima, como pela importância de incentivar quem precisa de ajuda não ter medo do preconceito (seja quando é internalizado ou quando está presente na sociedade).

“Os principais grupos de conscientização em saúde mental são compostos basicamente de pacientes, familiares e profissionais de saúde mental [...] eles elevaram o nível de atendimento nas suas comunidades com sua insistência na competência e no respeito, recorrendo, de fato, ao boicote àqueles psiquiatras e psicólogos que não oferecem esses dois requisitos” – Kay Redfield Jamison, Uma Mente Inquieta 

Kay Redfield Jamison produziu um trabalho digno de ser lido e relido ao falar de forma tão franca sobre sua vida pessoal e de que maneira o transtorno acaba fazendo sua parte de sua identidade, já que é um distúrbio psiquiátrico sem cura. Com coragem e ousadia, Kay mostra no livro que sua própria história dá um ótimo material sobre saúde mental, abordando com sinceridade não só os momentos negativos, mas também mostrando que a doença não invalida sua personalidade, sua carreira e suas experiências. Como a autora lembra, quando se tratam de alguns transtornos, quanto mais respostas, mais perguntas aparecem e mesmo entre os colegas de profissão e amigos, Kay teve que lidar com a descrença e com a psicofobia – e a dificuldade de lidar com pessoas que não querem aceitar ou ouvir sua história, mas querem ter um relacionamento de confiança.

Gostou da indicação de leitura? Compartilhe para que mais pessoas possam conhecer o livro Uma Mente Inquieta!

Para ficar por dentro do conteúdo do blog, me acompanhe nas redes sociais:

Facebook: https://www.facebook.com/benoliveiraautor/

Twitter: https://twitter.com/Ben_Oliveira


*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

Comentários

Mais lidas da semana